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Cidades

Apesar de "bagunça" em decreto, setor vê luz no fim do túnel com volta de evento

Por Paula Maciulevicius Brasil | 16/09/2020 11:46
Casamentos podem voltar a ser planejados. (Foto: Renan Kubota)
Casamentos podem voltar a ser planejados. (Foto: Renan Kubota)

Não foi fácil entender o que cada decreto publicado no Diário Oficial ontem autorizava quanto à liberação dos eventos. O setor entrou madrugada adentro para especificar o que pode e o que não pode na realização, mas enxerga como "luz no fim do túnel" a volta a partir do dia 28 de setembro.

Cerimonalista, Antônio Osmânio não mede as palavras. "Uma bagunça, todo mundo confuso. Nestes seis meses em que os eventos ficaram parados, nada foi feito durante este tempo todo do que precisava ser visto. Colocaram nosso setor junto com outros, cancelaram artigos, saía outro decreto alterando. No fim, foram cinco decretos", contabiliza.

Paralelo a isso houve também o questionamento de quem já procurou se antecipar e ouviu que a Prefeitura ainda não estava a par. "Um fornecedor de buffet foi protocolar o requerimento com o termo de compromisso e o pessoal não sabia, disse que não estava pronto ainda para fazer. A prefeitura não comunicou os órgãos internos", reclama.

O cerimonialista fala que o setor já pediu à Semadur (Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Desenvolvimento Urbano) para que junte todos os decretos em um só documento. "Se você tem espaço de evento, tem que imprimir os cinco decretos e ir grifando com uma canetinha, não era mais fácil fazer um só?", questiona Antônio.

Procurado pelo Campo Grande News, o titular da pasta, secretário Luiz Eduardo Costa disse que não há previsão de se juntar tudo num só decreto e que é mesmo uma questão de "didática". "Tem que juntar os decretos mesmo".  Sobre o protocolo, o secretário também garantiu que os funcionários já estão aptos e que o setor deve pegar a "senha A", na Central de Atendimento ao Cidadão, situada na Marechal Cândido Mariano Rondon.

Antônio Osmânio em registro pessoal mostrando plano de biossegurança e decretos. (Foto: Arquivo Pessoal)
Antônio Osmânio em registro pessoal mostrando plano de biossegurança e decretos. (Foto: Arquivo Pessoal)

"Costurando" os decretos, o setor tem cinco dias úteis para entregar o termo de compromisso na prefeitura a fim de ter o evento autorizado, além de ter que levar o plano de biossegurança do espaço, assinado por um profissional. "São 20 páginas, fiquei até 2h da manhã estudando o decreto. É boa a liberação, mas poderia ser feita sem tanta burocracia", acredita.

Enxergando lá na frente, o cerimonialista já se pergunta como será para a autorização, visto que podem acontecer 250 eventos no mesmo final de semana. "Eles só vão carimbar e pronto? Em outubro do ano passado, tivemos 470 casamentos dias 10, 11 e 12", exemplifica.

Com o plano de biossegurança apresentado em maio pelo setor à Prefeitura, Osmânio ainda alfineta. "O mais barato está saindo por R$ 1,5 mil para ser feito. Se a Prefeitura tivesse seguido o que foi entregue no dia 25 de maio, isentaria cada espaço de apresentar o seu".

Quanto a este ponto, a Semadur responde que não é possível um plano de biossegurança para todo o setor "pela complexidade da cadeia". "Porque são vários eventos e cada um faz de acordo com os parâmetros da resolução", ressalta Luiz Eduardo.

"Luz no fim do túnel" - Supervisora de eventos, Diane Zanoni, que fala pelo MOPE (Movimento Organizado dos Profissionais de Eventos de Mato Grosso do Sul) chama atenção para a complexidade do decreto. "Nossa área é bem diversificada, são bastante detalhes em cada item, é uma cadeira muito grande. Em resumo, vejo que o decreto deixou a responsabilidade para duas partes importantes do evento: local e organização, o que vai trazer mais profissionalização e um jeito mais fácil de cobrança", afirma.

Ela fala que não tem como voltar a trabalhar como antes e que o retorno será gradativo. De ontem para hoje, a DZM Eventos, onde ela trabalha, já foi procurada por uma noiva para antecipar o casamento, que em meio à pandemia foi adiado para 2021, para acontecer agora em outubro, como um mini-wedding.

"Uma cliente que tinha pego orçamento para o ano que vem me ligou perguntando, que resolveram se casar no civil e se era possível oficializar após o feriado", conta. A proposta dos noivos é de reunir apenas a família, seguindo o que manda o novo decreto.

"Dá para ter luz no fim do túnel para a volta dos nossos trabalhos. A gente tem que ter bem senso e o protocolo vai sendo ajustado conforme os decretos, assim que a cidade for respondendo à queda de números", pontua.

Diane frisa que o importante é falar que a liberação "faz com que as pessoas voltem a sonhar", porque agora já existe a possibilidade da realização.

Decreto orienta para que eventos sejam realizados em espaços abertos. (Foto: Vicente Barros)
Decreto orienta para que eventos sejam realizados em espaços abertos. (Foto: Vicente Barros)

Autorização - As atividades só podem voltar ao normal a partir do dia 28, com 50% da capacidade. O veto ao uso da pista de dança e da prática de dançar em qualquer que seja o local. Em festas como casamentos, por exemplo, "só pessoas que residam no mesmo imóvel poderão compartilhar a mesma mesa, sendo vedada a junção de mesas e limitada a ocupação de no máximo 6 pessoas por mesa".

Os convidados só devem tirar as máscaras na hora de comer ou beber, e as refeições devem "ser servidas na forma empratada (à francesa) ou em porções individuais, não sendo permitido o autosserviço (self- service)"

O decreto recomenda "que os eventos sejam realizados em locais abertos ou em locais arejados, onde seja possível manter portas e janelas abertas, de modo a permitir adequada circulação do ar". Em auditórios e locais onde há plateia é obrigatório "organizar o público nas poltronas de forma que seja mantida distância de no mínimo 1,5m (um metro e cinquenta centímetros) entre as pessoas em todas as direções".