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Apesar de operação, jogo do bicho estabeleceu novo QG e planejava até cassino

Após ação do Garras em imóvel no Monte Castelo, grupo não se intimidou e alugou nova casa na Capital

Por Lucia Morel | 28/11/2025 18:37
Apesar de operação, jogo do bicho estabeleceu novo QG e planejava até cassino
Maquininhas de jogo do bicho, os chamados terminais P.O.S., comprados para substituir as apreendidas pelo Garras. (Foto: Reprodução)

Mesmo após o Garras (Delegacia Especializada de Repressão a Roubos a Banco, Assaltos e Sequestros) desmontar o imóvel usado como base administrativa do grupo de jogo do bicho liderado por Roberto Razuk, o pai, e Roberto Razuk Filho, o Neno, a organização criminosa não recuou. Segundo o Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado), o grupo rapidamente passou a operar em outra casa alugada.

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A organização criminosa do jogo do bicho, liderada por Roberto Razuk e seu filho Roberto Razuk Filho (Neno), estabeleceu novo quartel-general após operação do Garras em outubro de 2023. O grupo alugou uma residência no Portal do Panamá e adquiriu 30 novas maquininhas para retomar as atividades ilegais. Segundo investigações do Gaeco, além da continuidade das operações do jogo do bicho, a organização planejava abrir um cassino em Mato Grosso do Sul, em parceria com Gerson Chahuan Tobji. O empreendimento seguiria o modelo do Cassino Amambay, localizado em Pedro Juan Caballero.

Em outubro de 2023, depois de roubos de malotes e da ação do Garras no imóvel do Monte Castelo, onde foram apreendidas maquininhas usadas na contravenção e presos integrantes que futuramente seriam alvos da Operação Successione, o grupo iniciou a busca por um novo QG e alugou uma residência no Portal do Panamá.

De acordo com relatório que embasou a quarta fase da operação, “tão logo a residência que era usada pela organização criminosa como ponto de concentração do jogo do bicho foi descortinada pelo Garras (...), de imediato, o grupo (...) passou a perseguir outro imóvel para ser alocado ao mesmo fim (...), demonstrando a continuidade das atividades da OrCrim de forma ininterrupta, a despeito das ações investigativas”.

A ação do Garras no Monte Castelo ocorreu em 16 de outubro de 2023 e, já em 2 de novembro, o grupo havia alugado um novo local, onde se instalou oito dias depois. Em maio deste ano, conforme o Gaeco, outro espaço — no Jardim São Lourenço — já estava em uso. “Referido imóvel, assim como os anteriormente escolhidos pela OrCrim como QG, é sobremaneira fechado, de pouca visibilidade, com barreiras de segurança instaladas e localizado em rua de pouca movimentação.”

A pressa em retomar as operações também aparece na compra de pelo menos 30 novas “maquininhas” de jogo do bicho, os chamados terminais P.O.S. (ponto de venda). “Tal aquisição foi feita em 11/11/2023, com a finalidade de repor os equipamentos necessários ao início da exploração do jogo do bicho na Capital, como reposição daquelas maquininhas apreendidas por ocasião da operação conduzida pelo Garras na data dos roubos (16/10/2023)”, aponta o relatório.

Cassino – Além disso, a organização planejava abrir um cassino em Mato Grosso do Sul. A investigação não detalha o local, apenas que o empreendimento seria uma parceria entre a família Razuk e Gerson Chahuan Tobji, alvo da quarta fase da Successione.

O relatório destaca ainda o depoimento de outro investigado, Flávio Henrique Espíndola Figueiredo, segundo o qual o cassino seguiria o modelo do Cassino Amambay, em Pedro Juan Caballero. “O investigado Gerson Chahuan Tobji, inclusive, de modo a confirmar seu envolvimento com o mundo das jogatinas ilícitas, está abrindo um cassino em conluio com a organização criminosa”, cita o Gaeco.

Successione 4 - Roberto Razuk, os dois filhos e outras 17 pessoas tiveram as prisões decretadas na quarta fase da Operação Successione. As ordens de prisão e 27 mandados de busca e apreensão foram cumpridos em Campo Grande, Corumbá, Dourados, Maracaju e Ponta Porã e nos estados do Paraná, Goiás e Rio Grande do Sul.

De acordo com o Ministério Público, as fases anteriores da Operação Successione revelaram a atuação de uma organização criminosa armada, violenta, que se dedicava à exploração de jogos ilegais, corrupção e demais delitos correlatos, responsável por roubos com emprego de arma de fogo. O termo italiano “Successione” – que dá nome à operação – é referência à disputa pela sucessão do jogo do bicho na Capital após a derrocada da família Name.

Outro lado – Em nota, a defesa dos Razuk, formada pelos advogados André Borges e João Arnar, afirmou que as informações divulgadas sobre a nova fase da Successione ainda não lhes foram comunicadas oficialmente e que, quando isso ocorrer, irão se manifestar nos autos. Ressaltou que, pela Constituição, ninguém pode ser considerado culpado antes do fim do processo e negou qualquer envolvimento em crimes. Disse que jamais foi ouvida pelas autoridades sobre os fatos citados e que, se tivesse sido intimada, tudo seria esclarecido sem dificuldade.

Afirmou ainda ser falsa a existência de organização criminosa, de plano para disputar espaço com grupos do jogo do bicho de São Paulo e Goiás e de qualquer ato de violência no Mato Grosso do Sul ou em outros estados, destacando que parte dessas acusações já está em análise judicial com defesa apresentada.

A nota conclui que todos os pontos serão esclarecidos no momento adequado e que a família aguardará uma decisão justa da Justiça, instituição que diz respeitar. Roberto Razuk já está em prisão domiciliar.

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