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Cidades

Após denúncia, Polícia Civil investiga descarte de montanha de lixo veterinário

Denúncia chegou ao Campo Grande News ontem e, hoje, perícia da Polícia Civil foi até local investigar caso

Por Silvia Frias e Bruna Marques | 02/07/2021 10:54
Policiais examinam material jogado no cruzamento de ruas no Jardim Uirapuru (Foto: Henrique Kawaminami)
Policiais examinam material jogado no cruzamento de ruas no Jardim Uirapuru (Foto: Henrique Kawaminami)

Antibióticos, remédios para inseminação de suínos e mais de 10 mil pipetas (instrumento de medição) usados fazem parte da montanha de lixo descartada no Jardim Uirapuru. A denúncia encaminhada ontem ao Campo Grande News está sendo investigada pela Polícia Civil, que foi até o local para perícia e apuração.

O material foi descartado no cruzamento das ruas Engenheiro Paulo Frontin e Cunha Mato. O delegado Maércio Barbosa, titular da Decat (Delegacia Especializada de Repressão aos Crimes Ambientais e de Atendimento ao Turista) foi até o local esta manhã para ouvir possíveis testemunhas e recolher material que o auxiliem na investigação.

Documentos encontrados podem auxiliar na investigação (Foto: Henrique Kawaminami)
Documentos encontrados podem auxiliar na investigação (Foto: Henrique Kawaminami)

“Não sabemos quem é o responsável, pode ter sido empresa terceirizada, vamos usar o caminho reverso para tentar chegar a eles”, disse o delegado. No meio do lixo, os peritos encontraram notas fiscais, anotações com nomes de pessoas que podem ter comprado o material e descartado ou mandado descartar os produtos.

Na montanha de lixo, várias embalagens e vidros de antibióticos, o diluente optim-a.i (usado na inseminação de porcos) e as milhares de pipetas, instrumento de mediação e transferência de líquidos.

Segundo o delegado, com base no depoimento dos vizinhos, o descarte deve ter ocorrido há dois dias, no período da noite. O local, ermo, cercado de terrenos baldios e sem iluminação, foi o ambiente perfeito para o descarte do lixo.

A reportagem conversou com alguns deles que, com medo e lembrança de ameaças já

Material é usado em clínicas e laboratórios veterinários (Foto: Henrique Kawaminami)
Material é usado em clínicas e laboratórios veterinários (Foto: Henrique Kawaminami)

sofridas, não quiseram se identificar.

Uma delas é mulher de 23 anos, que mora em frente ao terreno usado como depósito irregular de lixo. Ela acredita que o descarte tenha ocorrido na noite de quarta-feira, uma das mais frias do ano e que a família estava recolhida em casa. “Não vimos jogando, na quinta, quando acordamos, já vimos o pessoal da reciclagem naquele lixo”, lembra.

Moradora do Jardim Uirapuru há dois anos, diz que é comum que a rua Cunha Matos seja usada como descarte de lixo. “Às vezes eles jogam na rua inteira e não dá nem para passar”.

Outra moradora, copeira de 56 anos, também mora há 2 anos no local e confirma o relato da vizinha. “Sempre foi assim, todo dia tem alguém jogando lixo; pessoal vêm, faz limpeza, mas não para limpo”, lamentou.

Segundo ela, é recorrente presenciar “caminhões e caminhões” jogando lixo. Ela conta que já tentou conversar com os motoristas, mas foi ameaçada. “Uma vez eu falei com rapaz, ele respondeu ‘eu sei onde você mora, vou te pegar’”.

Lixo deve ter sido jogado na quarta-feira à noite, segundo a Polícia Civil (Foto: Henrique Kawaminami)
Lixo deve ter sido jogado na quarta-feira à noite, segundo a Polícia Civil (Foto: Henrique Kawaminami)

A moradora acredita que a solução é que os donos dos terrenos limpem, cerquem e até coloquem câmeras de segurança para ver se ajuda a identificar e multas os responsáveis.

O mecânico Wagner Aniceto Soares, 39 anos, também pede fiscalização noturna mais rigorosa, para ver se soluciona o problema. Diz que as limpeza regular não é o suficiente para coibir as ações. “Pessoal joga lixo frequentemente, de dia ou de noite; não tem 15 dias que a prefeitura veio e deixou limpo”.

Soares conta que eles agem principalmente de madrugada. “Chegam de caminhão, carro, carroça, em tudo que é veículo e jogam lixo aqui”. Lembra que também tentou falar com uma das pessoas para que não fizesse isso. “ O cara falou que não tinha problema e, que se eu achasse que tinha problema, era para eu resolver. A gente reclama e ainda é ameaçado”, lastimou.

O delegado Maércio Barbosa disse que, inicialmente, o inquérito foi aberto como descarte irregular de resíduos, previsto na Lei de Crimes Ambientais, com pena de um a quatro anos.


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