ACOMPANHE-NOS     Campo Grande News no Facebook Campo Grande News no Twitter Campo Grande News no Instagram
JULHO, DOMINGO  14    CAMPO GRANDE 10º

Cidades

Após oficial ir embora, família tem móveis queimados em reintegração de posse

Família com idoso de 78 anos denuncia abuso de donos do lote reintegrado; cachorro teria sido agredido

Por Lucas Mamédio | 22/06/2024 10:19


Uma família, que tem como membro um idoso de 78 anos e mora assentamento Nazaré, no distrito campo-grandense de Anhanduí, está acusando membros de outra família de colocarem fogo em seus móveis durante o cumprimento de um mandado de reintegração de posse.

Segundo boletim de ocorrência registrado nesta sexta-feira (21), um dia antes, na quinta-feira (20), Nilson Ferreira, de 51 anos, filho do idoso e pai um homem autista de 22 anos, estava em casa quando, pela manhã, um oficial de justiça e policiais militares se apresentaram com um ofício de reintegração de posse.

 Após a comunicação de despejo, Nilson teria iniciado a retirada dos pertences para o lado de fora da casa. Logo que os policiais e o oficial de justiça foram embora, ele relata que membros da família dona do lote apareceram e o trataram de forma agressiva.

Além de ameaças, um dos membros da família teria ateado fogo nos pertences reunidos do lado de fora. Havia televisão, cama, entre outros móveis. Ainda conforme o B.O, outra vizinha foi ameaçada.

“É uma família pobre que não tem nada. Eles nunca se recusaram a sair dali, mas eles não podiam ser tratados assim”, diz a filha de um dos vizinhos que ainda conta que o fogo quase se alastrou para outros lotes.

Em um dos vídeos a que o Campo Grande News teve acesso, a pessoa que grava acusa filho da dona do lote reintegrado de bater no cachorro de Nilson e de matar as galinhas dele.

No anexo do mandado de reintegração de posse, o oficial de justiça apenas narra que os imóveis foram retirados da casa e que o requerido apenas deixou algumas ferramentas para trás, sem citar o imbróglio que teria acontecido depois.

Disputa judicial - O lote em questão é fruto de reforma agrária e pertence à mãe da pessoa que teria ateado fogo nos objetos de Nilson. Outros lotes ao lado também seriam da mesma família, que buscou meios judiciais para reaver a terra. Por enquanto, apenas o lote que Nilson ocupava foi reintegrado.

Agora, segundo a filha de uma das pessoas que ainda mora nos lotes ocupados, Nilson está recebendo ajuda de vizinhos. “Ele está ficando no vizinho que tem um lote na frente e recebendo ajuda dos outros vizinhos”.

Agressão – Uma denúncia na Corregedoria da Polícia Militar feita em 30 de maio de 2023 acusa dois policiais militares, cujos nomes não aparecem no documento, de terem ido a casa de Nilson e batido nele enquanto exigiam que ele saísse do lote.

Os policiais teriam ido até o local sem nenhum mandado judicial ou qualquer amparo legal. Outros vizinhos também teriam sido ameaçados nesta mesma época.

Não se sabe a razão da medida tomada por tais policiais, mas os moradores acreditam que possa ter alguma ligação com a família dona dos lotes invadidos. "Acho que depois que fizemos a denúncia na Corregedoria eles ficaram com medo e resolveram levar tudo pra esfera judicial”.

Nos siga no Google Notícias