ACOMPANHE-NOS     Campo Grande News no Facebook Campo Grande News no X Campo Grande News no Instagram Campo Grande News no TikTok Campo Grande News no Youtube
MARÇO, QUINTA  19    CAMPO GRANDE 27º

Política

Aprovada no Senado, tornozeleira em agressores de mulheres vai à sanção de Lula

Projeto amplia monitoramento, prevê alerta em tempo real às vítimas e aumenta verba para combate à violência

Por Ângela Kempfer | 19/03/2026 10:14
Aprovada no Senado, tornozeleira em agressores de mulheres vai à sanção de Lula
Preso com tornozeleira após deixar penitenciária em Campo Grande (Foto: Arquivo)

O Senado Federal aprovou proposta que obriga o uso de tornozeleira eletrônica por agressores de mulheres, medida que agora segue para sanção do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O texto já havia passado pela Câmara dos Deputados e integra um pacote de ações relacionadas ao Dia Internacional da Mulher, celebrado em 8 de março.

RESUMO

Nossa ferramenta de IA resume a notícia para você!

O Senado Federal aprovou projeto que torna obrigatório o uso de tornozeleira eletrônica por agressores de mulheres, aguardando agora a sanção do presidente Lula. A medida, que já passou pela Câmara dos Deputados, faz parte de um pacote de ações relacionadas ao Dia Internacional da Mulher. O texto prevê monitoramento em tempo real de agressores, especialmente em casos de risco à vítima ou descumprimento de medidas protetivas. O projeto também aumenta de 5% para 6% os recursos do Fundo Nacional de Segurança Pública destinados ao combate à violência contra a mulher.

Na prática, o projeto determina que autores de violência doméstica sejam monitorados eletronicamente, especialmente em casos com risco à vítima ou descumprimento de medidas protetivas. A tornozeleira permitirá que a polícia acompanhe a localização do agressor em tempo real.

Um dos pontos centrais é o sistema de alerta. Caso o agressor se aproxime da vítima, tanto a polícia quanto a mulher deverão ser avisadas imediatamente, por meio de aplicativo ou outro dispositivo de segurança. A ideia é simples, mas expõe um problema antigo: hoje, muitas medidas protetivas existem só no papel.

O projeto também endurece as consequências para quem tentar burlar o sistema. Se o agressor violar áreas proibidas ou retirar o equipamento, a pena poderá ser aumentada de um terço até a metade.

Outro ponto relevante, embora menos chamativo, é o dinheiro. O texto eleva de 5% para 6% o percentual mínimo do Fundo Nacional de Segurança Pública destinado a ações de enfrentamento à violência contra a mulher. Parece pouco, mas em orçamento público, 1 ponto percentual pode representar milhões a mais.

A relatora da proposta, a senadora Leila de Barros, defendeu que o monitoramento eletrônico pode evitar mortes. O argumento tem base: dados do Fórum Brasileiro de Segurança Pública mostram que 13,1% das vítimas de feminicídio no país já tinham medida protetiva ativa quando foram mortas. Nesse caso, o máximo que uma mulher tem direito é ao chamado botão do pânico, que aciona a polícia em caso de aproximação, mas que não é disponibilizada a todas a mulheres e também fica com delas por tempo limitado.

O projeto tenta corrigir essa lacuna ao transformar a medida protetiva em algo mais concreto, com vigilância ativa e resposta rápida. Mas a eficácia vai depender de execução. Tornozeleira sem monitoramento eficiente vira só um acessório caro.