“Arsenal bélico” em casa de empresário leva tribunal a manter prisão preventiva
Nem registro de CAC livrou acusado de tráfico que foi preso com armamento espalhado pela casa
Um dos presos na Operação Pietra Cava, do Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado) em abril deste ano, o empresário e pecuarista Eduardo Gauna Filho tinha um “arsenal bélico” em casa, no bairro Novos Estados, segundo acórdão da 3ª Câmara Criminal que manteve a prisão preventiva dele.
RESUMO
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Preso na Operação Pietra Cava, deflagrada pelo Gaeco em abril, o empresário Eduardo Gauna Filho teve a prisão preventiva mantida pela 3ª Câmara Criminal após a apreensão de um arsenal em sua casa em Campo Grande, que incluía fuzil, pistola, supressor de ruído e munições. Apesar de possuir registro de CAC, as armas tinham destinação incompatível com a autorização e estavam fora da área permitida pelo certificado.
No dia da ação, em Campo Grande, ele estava em casa com a esposa e a filha, de 4 anos de idade, enquanto várias armas estavam espalhadas em áreas distintas do local, inclusive na cozinha. Mesmo apresentando registro de CAC (Certificado de Colecionador, Atirador e Caçador), a prisão foi mantida porque o que foi apreendido “possuía destinação incompatível com as atividades legalmente permitidas ao CAC”.
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Entre as armas está um fuzil Taurus T4 (calibre 5,56) encontrado sobre um guarda-roupa, equipado com luneta, além de um supressor de ruído na sala. A lista completa inclui diversos carregadores; expressiva quantidade de munições de calibres variados; bem como uma pistola Taurus G3, calibre 9 mm, equipada com Red Dot (dispositivo de mira óptica reflexiva).
O acórdão, baseado na denúncia do Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS), destacou que não havia registro de todas as armas e que “a apreensão de supressor de ruído e de acessórios não cadastrados no acervo oficial do paciente, evidencia desvio de finalidade da autorização administrativa”. O armamento, ainda, estava em Campo Grande, mas o certificado autorizava transporte apenas entre Terenos e Bonito.
Advogado de Eduardo, Marcelo Radaelli, afirmou que “há nos autos vasta documentação comprovando que ele é caçador regularizado” e que a afirmação de “arsenal bélico” é exagerada “porque o fato dele ter arma de caça, e registros e documentos retiram tal acusação”. O defensor afirmou ainda que tentará nova apelação.
Pietra Cava - Conduzida pelo Gaeco, a Operação Pietra Cava cumpriu seis mandados de prisão preventiva e 16 mandados de busca e apreensão em Ponta Porã, Jardim, Campo Grande e Bonito.
As investigações revelaram que a organização criminosa usava a empresa de marmoraria para transportar cocaína em meio a cargas de pedras. Somente em 2025, quase 800 quilos de cocaína da quadrilha foram apreendidos em ações da PRF (Polícia Rodoviária Federal) na região de Guia Lopes da Laguna.
Segundo o Ministério Público de Mato Grosso do Sul, o nome da operação é uma referência ao modo usual como a organização criminosa transportava cocaína, em perfurações nas pedras de mármore, para ocultar a droga.
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