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Asfalto avança no último trecho da Rota Bioceânica no Paraguai

Obra de 224 km entra na fase de revestimento e deve ser concluída até janeiro de 2027

Por Anderson Viegas* | 30/04/2026 08:51
Asfalto avança no último trecho da Rota Bioceânica no Paraguai
Terceiro trecho da Bioceânica no Paraguai começa a receber base asfáltica (Foto: Toninho Ruiz)

A base asfáltica já começou a ser aplicada nas obras de pavimentação do terceiro trecho da Rota Bioceânica no Paraguai. São 224 quilômetros da rodovia PY15, entre as cidades de Mariscal Estigarribia e Pozo Hondo, na fronteira com a Argentina.

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A base asfáltica começou a ser aplicada no terceiro trecho da Rota Bioceânica no Paraguai, que abrange 224 quilômetros da rodovia PY15, entre Mariscal Estigarribia e Pozo Hondo. O investimento é de US$ 354 milhões, financiados pelo Fonplata. O presidente paraguaio Santiago Peña prevê conclusão até janeiro de 2027. A rota conecta os oceanos Atlântico e Pacífico, passando por Brasil, Paraguai, Argentina e Chile.

As obras de pavimentação deste trecho foram divididas em quatro lotes. O primeiro, de 53,8 quilômetros, onde o revestimento está sendo colocado, está com o trabalho mais acelerado e conta com várias frentes simultâneas.

Enquanto algumas equipes implantam a base granular cimentada, etapa essencial para receber a capa asfáltica, outras realizam serviços de terraplanagem em três pontos do traçado, na altura dos quilômetros 102, 130 e 137 da rodovia.

Segundo o MOPC (Ministério das Obras Públicas e Comunicações do Paraguai), as obras estão sendo executadas por quatro consórcios, e o investimento neste trecho é de US$ 354 milhões, com financiamento do Fonplata (Fundo Financeiro para Desenvolvimento da Bacia do Prata).

Asfalto avança no último trecho da Rota Bioceânica no Paraguai
Obras de pavimentação da PY15 entre Mariscal Estigarribia e Pozo Hondo seguem aceleradas (Foto: Toninho Ruiz)

Além do impacto logístico, a obra já movimenta fortemente a economia regional. Moradores da região vêm sendo incorporados às equipes de apoio, gerando empregos e renda em áreas historicamente afastadas dos grandes investimentos.

O MOPC aponta que a obra beneficiará diretamente cerca de 41 mil pessoas em Mariscal Estigarribia e Pozo Hondo e, indiretamente, mais de 225 mil habitantes de diversas localidades do Chaco.

Em visita às obras no início de abril, o presidente paraguaio Santiago Peña projetou que a pavimentação do trecho deve estar concluída até janeiro de 2027.

Panorama do corredor

A pavimentação no Chaco paraguaio é uma das obras fundamentais para viabilizar o Corredor Bioceânico, também chamado de RILA (Rota da Integração Latino-Americana) ou Corredor Rodoviário de Capricórnio. A via é uma megaestrada, com mais de 2,4 mil quilômetros, que conecta os oceanos Atlântico e Pacífico, passando por Brasil, Paraguai, Argentina e Chile.

Porto Murtinho, em Mato Grosso do Sul, é o portal da rota no Brasil. A expectativa dos quatro países é que o corredor se transforme em uma grande via de escoamento de produtos e importação de mercadorias entre as nações sul-americanas e os mercados asiáticos, com a possibilidade de redução de até 30% nos custos e de até 15 dias no tempo de transporte frente a rotas marítimas tradicionais, como o Canal do Panamá.

Segundo o MOPC, a extensão da Rota Bioceânica no país foi dividida em três trechos para pavimentação. O primeiro, de Carmelo Peralta a Loma Plata, tem 277 quilômetros e já está concluído. O investimento na iniciativa foi de US$ 443 milhões.

Em Carmelo Peralta está sendo construída a Ponte da Bioceânica, que liga o país ao Brasil, por Porto Murtinho, em Mato Grosso do Sul. A obra é outra estrutura fundamental para viabilizar o corredor e está com 90% dos trabalhos concluídos. A previsão é que em maio ocorra o encontro dos dois lados da construção, o chamado “beijo das aduelas”.

Asfalto avança no último trecho da Rota Bioceânica no Paraguai
Ponte sobre o Rio Paraguai, entre Carmelo Peralta (Paraguai) e Porto Murtinho (Brasil) está com 90% das obras concluídas (Foto: Toninho Ruiz).

Já o segundo trecho da rota no Paraguai vai de Cruce Centinela a Mariscal Estigarribia. Tem uma extensão de 102 quilômetros e um investimento previsto de US$ 200 milhões, com empréstimo já autorizado pelo BID (Banco Interamericano de Desenvolvimento).

Segundo o ministério, enquanto não ocorre a pavimentação, já existe outra rodovia na região, a PY09, que foi remodelada e pode funcionar como alternativa para o trecho.

O terceiro trecho, que já começa a receber a base asfáltica e deve ser concluído até janeiro do próximo ano, superou marcos críticos, como a construção de 50 quilômetros de aterro e 57 linhas de bueiros, essenciais para a durabilidade da via no solo do Chaco.

A estrutura viária prevê uma pista de 7 metros de largura, com acostamentos de 2,5 metros, e a instalação de passagens de fauna para preservar o ecossistema local.

(*) Com informações de Toninho Ruiz, de Porto Murtinho.