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Cidades

Bruno e Marrone cantaram em resort “privê” para convidados de traficantes

O show aconteceu em 2017, em propriedade do "Clã Morinigo" chamada Paraíso do Manso, resort particular da família

Por Anahi Zurutuza | 11/09/2020 13:02
Família Morinigo no palco com Bruno e Marrone (Foto: Reprodução) 
Família Morinigo no palco com Bruno e Marrone (Foto: Reprodução) 

Um show da dupla Bruno e Marrone está no meio do dossiê da Polícia Federal contra os Morinigo, clã alvo da Operação Status nesta sexta-feira (11). Vídeo da apresentação, que aconteceu em 2017 para a comemoração do aniversário de um dos integrantes da família, foi anexado ao inquérito como uma das provas da ostentação da família mantida com os milhões do tráfico de cocaína.

O show aconteceu na propriedade chamada Paraíso do Manso, resort particular no Lago do Manso, na Chapada dos Guimarães (MT), uma das vitrines da fortuna conquistada com o crime. Para se apresentar, a dupla sertaneja cobra de cachê pelo menos R$ 200 mil, conforme divulgam sites especializados.

No vídeo, a família toda aparece em cima do palco com os artistas. Jefferson Garcia Morinigo - que é filho de Emídio Morinigo Ximénes, o líder da organização, segundo a Senad (Secretaria Nacional Antidrogas) do Paraguai ao jornal ABC Color - segura um bolo e agradece a presença dos convidados: “Minha família, meus amigos e meus funcionários”. Veja:


Outro hábito caro que colocou os integrantes da quadrilha na mira da PF são as arrancadas com veículos esportivos de alto valor. Nos vídeos, além dos Morinigo, aparecem de acordo com a PF, donos de lojas de automóveis de luxo usadas na lavagem de dinheiro. Veja:



A operação – Após investigações com apoio da Receita Federal e MPF (Ministério Público Federal), a PF e a Senad foram às ruas do Brasil e Paraguai para cumprir 8 mandados de prisão e 42 de busca e apreensão, além de ordens para o sequestro de bens que totalizam R$ 230 milhões, sendo 10 imóveis no valor de R$ 150 milhões no país vizinho.

O esquema criminoso investigado tinha como ponto principal a lavagem de dinheiro do tráfico de cocaína, por meio de “laranjas” e empresas de fachada, como construtoras, administradoras de imóveis e as garagens de luxo.

Segundo a investigação da Polícia Federal, o “Clã Morinigo” contava com a ajuda do proprietário de dono de casas câmbio no Paraguai para fazer as movimentações financeiras e lavar os milhões do lucro com o comércio de cocaína.

Pai e filhos são brasileiros, naturais de Ponta Porã, na fronteira com Pedro Juan Caballero, e moravam em Campo Grande até que neste ano, decidiram se mudar para a cidade paraguaia, depois que carregamento de droga foi apreendido.

Embora, segundo a PF, “não chegasse perto do dinheiro”, fazendo todas as movimentações financeiras por meio de doleiros e operadores, o clã “fugiu” para a cidade paraguaia na fronteira quando desconfiaram que estavam sendo investigados.