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Cidades

“Clã Morinigo” fugiu para o Paraguai e lavava dinheiro com ajuda de doleiro

Presos no país vizinho serão expulsos para responderem pelos crimes no Brasil

Por Anahi Zurutuza | 11/09/2020 10:55
Uma das propriedades dos Morinigo no Paraguai (Foto: Senad/Divulgação)
Uma das propriedades dos Morinigo no Paraguai (Foto: Senad/Divulgação)

Alvos de operação da PF (Polícia Federal) do Brasil e Senad (Secretaria Nacional Antidrogas) do Paraguai, o “Clã Morigino” contava com a ajuda do proprietário de dono de casas câmbio no país vizinho para fazer as movimentações financeiras e lavar os milhões do lucro com o comércio de cocaína.

O líder da quadrilha, Emídio Morinigo Ximenes, e os filhos Jefferson Garcia Morinigo e Kleber Garcia Morinigo, principais alvos da Operação Status, não “chegavam perto do dinheiro”, conforme investigação da PF e da Receita Federal.

Emídio Morinigo Ximenes, o líder da organização, segundo a Secretaria Nacional Antidrogas, do Paraguai (Foto: Senad/Divulgação)
Emídio Morinigo Ximenes, o líder da organização, segundo a Secretaria Nacional Antidrogas, do Paraguai (Foto: Senad/Divulgação)

Os três são brasileiros e se mudaram para Pedro Juan Caballero, cidade vizinha a Ponta Porã (MS), neste ano, depois que perderam grande carga de droga e desconfiaram que estavam sendo investigados. “Nascidos em Ponta Porã, eles residiam em Campo Grande até fugirem”, explicou o delegado Lucas Vilela, supervisor do Grupo Especial de Investigações Sensíveis da PF em Mato Grosso Sul.

Presos no país vizinho, eles serão expulsos para responderem pelos crimes no Brasil.

No Paraguai, também são alvos Robson Lourival Alcaraz Ajala, apontado como contador da organização, e Julio César Duarte Servian, o dono de duas casas de câmbio que faziam a movimentação financeira para a quadrilha e sócio em loja de material de construção, segundo a apuração, também usada na lavagem do dinheiro. Os nomes foram divulgados pelo jornal ABC Collor.

Ainda conforme a investigação, o trio Morinigo não movimentava dinheiro em contas bancárias pessoais e também não interferia diretamente na organização dos carregamentos de cocaína, com formas de evitar que fossem rastreados e descobertos.

Para a logística do tráfico e dar aparência legal aos recursos, contavam com a ajuda de parentes, uma rede de laranjas, empresas de fachada e dos operadores financeiros coordenados por Julio César.

Delegado Lucas Vilela, supervisor do Grupo Especial de Investigações Sensíveis da PF em Mato Grosso Sul, em entrevista coletiva nesta manhã (Foto: Marcos Maluf)
Delegado Lucas Vilela, supervisor do Grupo Especial de Investigações Sensíveis da PF em Mato Grosso Sul, em entrevista coletiva nesta manhã (Foto: Marcos Maluf)

A operação - Deflagrada nesta sexta-feira (dia 11), a operação foi batizada de Status “em alusão à ostentação de alto padrão de vida mantida pelos líderes da organização criminosa, com participações em eventos de arrancadas com veículos esportivos de alto valor, contratação de artistas famosos para festas e residências de luxo”.

Para a força-tarefa foram expedidos ao todo 8 mandados de prisão preventiva, 42 de busca e apreensão, além de ordens para o sequestro de bens que totalizam R$ 230 milhões em patrimônio dos traficantes no Brasil e no Paraguai.

Dez imóveis, no valor de R$ 150 milhões, são no país vizinho. Com ajuda da Secretaria Nacional Antidrogas do Paraguai, além dos 4 mandados de prisão, 12 buscas estavam programadas para acontecer em Assunção e Pedro Juan Caballero.

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