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Saúde e Bem-Estar

Campo Grande ficou abaixo da meta de vacinação em 2025

Enquanto MS recupera índices após a pandemia, Capital mantém coberturas insuficientes em parte do calendário

Por Ketlen Gomes | 21/01/2026 12:48
Campo Grande ficou abaixo da meta de vacinação em 2025
Vacinação em Campo Grande segue abaixo do esperado, mas MS se recupera bem após pandemia. (Foto: Henrique Kawaminami)

Em 2025, Campo Grande não atingiu a meta de cobertura vacinal estabelecida pelo Ministério da Saúde para o PNI (Programa Nacional de Imunizações), que varia entre 90% e 95% para a maioria dos imunizantes do calendário. Na Capital, apenas as vacinas BCG (Bacilo Calmette-Guérin), com 111%, rotavírus, com 93,32%, pneumocócica 10-valente, com 96,50%, e a primeira dose da tríplice viral, com 90,61%, superaram os 90% de cobertura, conforme dados do Ministério da Saúde.

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Campo Grande não atingiu a meta de cobertura vacinal em 2025, conforme dados do Ministério da Saúde. Apenas quatro vacinas superaram 90% de imunização, enquanto outras, como febre amarela e varicela, ficaram abaixo de 80%. A prefeitura destacou ações como horários estendidos e pontos externos de vacinação, mas os resultados foram insuficientes. Em Mato Grosso do Sul, a maioria das vacinas atingiu a meta, exceto a febre amarela. O governo estadual atribuiu o avanço a estratégias como busca ativa e campanhas escolares. Especialistas alertam para o risco de retorno de doenças devido à baixa adesão, impulsionada por desinformação e falta de percepção de risco entre pais jovens.

Em nota, a prefeitura reconheceu que o município não alcançou a meta de 95% da cobertura vacinal. A administração municipal informou que realizou diversas ações por meio da Sesau (Secretaria Municipal de Saúde) com o objetivo de ampliar e qualificar os índices de imunização.

Entre as principais iniciativas, o município destacou o funcionamento das unidades de saúde em horário estendido e a oferta de vacinação em pontos externos durante fins de semana e feriados. Segundo a prefeitura, as medidas tiveram como finalidade reduzir barreiras logísticas, ampliar o alcance das estratégias de imunização e garantir o atendimento do público-alvo até o fim do ano.

Campo Grande ficou abaixo da meta de vacinação em 2025
(Arte: Lennon Almeida)

Mesmo com as alternativas adotadas, várias vacinas permaneceram abaixo do percentual recomendado. A cobertura contra a febre amarela foi de 75,68%, contra a varicela ficou em 76,10% e a segunda dose da tríplice viral alcançou 77,03%. A vacinação contra hepatite A registrou 82,80%, contra hepatite B chegou a 84,77%, a VIP (Vacina Inativada Poliomielite)  ficou em 88%, a pentavalente teve 84,55% e a meningocócica C atingiu 89,43%.

Em Mato Grosso do Sul, os índices de imunização ficaram, em sua maioria, dentro da meta definida pelo Ministério da Saúde, de acordo com a SES (Secretaria de Estado de Saúde). Apenas a vacina contra a febre amarela apresentou cobertura abaixo do esperado, com 80,3%. A hepatite A teve 90,8%, a pentavalente alcançou 95% e a vacina contra a poliomielite registrou 96,3%. As demais vacinas previstas no PNI superaram 100% de cobertura no Estado.

O governo estadual atribuiu o avanço aos investimentos e ações estratégicas realizadas ao longo do último ano, com destaque para o fortalecimento do microplanejamento, estratégia do Ministério da Saúde voltada à melhoria das coberturas vacinais. A SES informou ainda que destinou recursos aos municípios para ações de comunicação, busca ativa, ampliação do horário de funcionamento das salas de vacinação e identificação de faltosos.

A secretaria também relatou a intensificação, em 2025, de atividades em escolas por meio da campanha estadual “Aluno Imunizado”, envolvendo alunos, professores e equipes de saúde. A iniciativa teve como foco ampliar a cobertura vacinal entre crianças e adolescentes.

Campo Grande ficou abaixo da meta de vacinação em 2025
(Arte: Lennon Almeida)

Os dados históricos indicam que a vacinação sofreu queda significativa durante o período da pandemia da covid-19, tanto em Mato Grosso do Sul quanto em Campo Grande. Nos anos seguintes, houve recuperação gradual dos índices, mais consistente no Estado como um todo, enquanto a Capital avançou de forma mais lenta, mantendo coberturas abaixo da meta em parte do calendário vacinal.

Para o pediatra Alberto Costa, existem dois fatores principais para a queda na vacinação, que são pais jovens e a disseminação de informações falsas em relação aos imunizantes, que aumentou principalmente durante e após o período da pandemia de Covid-19.

"Os pais jovens já não veem com tanta frequência algumas doenças imunopreveníveis, ou seja, evitáveis por vacina, que acometiam muito a população e hoje já não existem mais por conta de campanhas de vacinação com muito sucesso no passado. E aí com isso deixam de vacinar seus filhos, já que várias dessas doenças não são muito prevalentes hoje", comenta o médico.

Alberto alerta ainda que caso a cobertura vacinal continue baixa, há um risco maior de retorno de algumas doenças preveníveis por vacina, como já acontece em alguns lugares do mundo. "A gente vê casos bem atuais, nos Estados Unidos, por exemplo, há um surto de hepatite A, uma doença que tem vacina que a protege e é excelente, segura e 100% gratuita", exemplifica.

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