ACOMPANHE-NOS    
AGOSTO, DOMINGO  01    CAMPO GRANDE 24º

Cidades

CDL quer comprar vacinas de empresa que entrou no ramo há apenas 3 meses

Grupo tem como sócios ex-deputado do Amazonas e mantém de resort a comércio de bijouterias

Por Silvia Frias | 18/06/2021 17:12
Doses seriam compradas e doadas, caso poder público não tivesse recursos, justifica CDL (Foto: Marcos Maluf)
Doses seriam compradas e doadas, caso poder público não tivesse recursos, justifica CDL (Foto: Marcos Maluf)

Proposta de compra de  vacinas pela CDL (Câmara de Dirigentes Lojistas) de Campo Grande prevê contratação de empresa que entrou no ramo há apenas 3 meses.

O negócio envolve a Global Sales Vaccine, com sede em Presidente Figueiredo (AM). A ideia é que entidade negocie a compra do imunizante e doe as doses ao Poder Executivo, mas apenas para atender os trabalhadores do varejo. A indicação consta do ofício da empresa, que faz representação comercial desde março de 2021, ao responder questionamentos da CDL sobre a possível negociação.

A Global Sales Vaccine faz parte de ramificações de negócios que incluem resort no Amazonas, além de outras atividades secundárias, conforme CNPJ: construção de rodovias, ferrovias, comércio varejista de bijuterias, restaurantes, apoio administrativo e incorporação de empreendimentos imobiliários.

A empresa é constituída pelo presidente José Fernandes da Silva e os sócios Eduardo Ranghetti, dono do Amazon Park Hotel & Resort, em Presidente Figueirão e José de Ribamar Campelo Aníbal, ex-deputado estadual pelo PPL (Partido da Pátria Livre) e delegado da Polícia Civil do Amazonas. O endereço da Global consta no resort, na zona rural do município.

Aníbal deixou o Legislativo e voltou para a função que exercia, como delegado, hoje, na titularidade da Delegacia Especializada em Crimes contra a Fazenda Pública Estadual. A Lei Orgânica do AM não o impede de ser sócio de empresa, desde que seja cotista, acionista ou comanditário.

Comunicado da Global aos questionamentos da CDL após reunião, este mês (Foto/Reprodução)
Comunicado da Global aos questionamentos da CDL após reunião, este mês (Foto/Reprodução)

Ranghetti disse ao Campo Grande News que cada sócios opera em uma cota específica de ramificações entre os negócios descritos no CNPJ.

No caso da proposta de futura negociação entre Global Sales e CDL, as tratativas estão sendo levadas por José Fernandes da Silva, com escritório em Brasília e por agente de vendas da empresa sediada no Rio Grande do Sul.

A diretora executiva da Global, Graziela Balbino Francischetti, explica que a empresa para esta destinação foi criada há aproximadamente três meses, quando começou  parceira com escritório em Estocolmo, na Suécia, “que não aparece, e vai continuar lá, sem aparecer”, disse.

Segundo Graziela, a Global fechou contrato de representação de laboratórios. A diretora listou a Sinovac (Coronavac), com conversas diretamente com a China, a Moderna, e a Jansenn, companhia farmacêutica da Johson&Johson.

No ofício enviado à CDL, foram listadas as restrições previstas na compra pela iniciativa privada, com doação de 100%, se grupos prioritários não estiverem contemplados e 50% quando o PNI (Plano Nacional de Imunização). O projeto que trata da liberação para esta negociação direta está em trâmite no Senado.

Por isso, a alternativa seria a compra via prefeitura ou Estado com recursos doados pela entidade. A contrapartida seria incluir os trabalhadores do varejo. O presidente da CDL, Adelaido Vila, disse que esta tratativa seria caso os poderes não tivessem recursos para a aquisição direta. “Não é o caso de Mato Grosso do Sul, mas estamos apresentando como alternativa, se necessário.

Vila diz que o trabalho da Global Sales seria como espécie de despachante, fazendo a ponte entre laboratórios e prefeituras ou Estados. Segundo ele, o acerto da comissão seria feito com o laboratório.

O ofício com informações gerais foi enviado ao MPMS (Ministério Público de Mato Grosso do Sul) para avaliar a possibilidade futura de compra.

Compra - O projeto de lei que amplia a possibilidade de compra pela iniciativa privada tramitou rapidamente na Câmara dos Deputados, contando com apoio do setor empresarial e chegou ao Senado no dia 8 de abril, onde ainda não foi apreciado.

A proposta altera lei sancionada em 10 de março, que regula a compra e a distribuição de vacinas pelo setor privado.

Entre as principais inovações legais está a possibilidade de as empresas poderem comprar vacinas para aplicar de graça em seus colaboradores a qualquer tempo.

Pela lei vigente, é preciso esperar o programa público vacinar todos os grupos prioritários definidos pelo Ministério da Saúde, que totalizam 77,2 milhões de pessoas.

Nos siga no Google Notícias
Regras de comentário