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Com estradas na Bolívia fechadas, sequestrador de avião será transferido pelo ar

Preso na madrugada, Gerson Palermo vivia como fazendeiro em povoado boliviano

Por Anahi Zurutuza | 26/05/2026 17:46
Com estradas na Bolívia fechadas, sequestrador de avião será transferido pelo ar
Gerson Palermo logo após a prisão, na madrugada desta terça-feira (26) (Foto: FELCN/Divulgação)

Piloto de avião que virou procurado pela Interpol (Polícia Internacional), Gerson Palermo será trazido para o Brasil pelo céu. O megatraficante e liderança no PCC (Primeiro Comando da Capital) foi preso nesta madrugada pela FELCN (Força Especial de Luta Contra o Narcotráfico) da Bolívia.

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Gerson Palermo, piloto e liderança do PCC preso na Bolívia por narcotráfico, será extraditado ao Brasil de jatinho enviado pela Polícia Federal de Brasília até Santa Cruz de La Sierra, após protestos cancelarem o transporte terrestre. Capturado em Cotoca, onde vivia disfarçado de fazendeiro, ele é investigado por tráfico internacional, lavagem de dinheiro e sequestro, além de ter participado do sequestro de um avião da Vasp em 2000.

Na manhã desta terça-feira (26), a força de segurança boliviana decidiu cancelar a operação por terra para fazer a entrega do criminoso à PF (Polícia Federal) na fronteira entre Puerto Quijarro e Corumbá, em Mato Grosso do Sul. Por conta dos protestos que fecham as estradas no país vizinho, a PF vai enviar um jatinho de Brasília até Santa Cruz de La Sierra para buscar o narcotraficante, conforme apurado pelo Campo Grande News.

Os protestos na Bolívia, iniciados no começo de maio, continuam provocando bloqueios em estradas e afetando o deslocamento pelo país. As manifestações ocorrem contra medidas econômicas adotadas pelo governo do presidente Rodrigo Paz, como cortes em subsídios aos combustíveis, propostas de reforma agrária e o aumento do custo de vida. Além da capital, La Paz, os atos se espalharam por regiões agrícolas.

Considerado de alta periculosidade, Palermo será entregue sob forte esquema de segurança em força-tarefa que está sendo planejada em sigilo.

Com estradas na Bolívia fechadas, sequestrador de avião será transferido pelo ar
Vista aérea de Cotoca, pequena cidade boliviana onde Palermo vivia (Foto: Diario de un Altobeniano/Youtube/Reprodução)

A prisão e o disfarce – O brasileiro foi surpreendido pela polícia boliviana na casa onde vivia em Cotoca, cidade a 19 km de Santa Cruz de La Sierra, sete meses depois de investigação iniciada pela polícia de Mato Grosso do Sul depois que o foragido ordenou o sequestro da própria filha, em Campo Grande. Núcleo de Inteligência da Polícia Civil passou a atuar em conjunto com a PF e a força antidrogas boliviana, identificando o paradeiro de Palermo em Santa Cruz de La Sierra, onde ele se passava por fazendeiro enquanto permanecia foragido da Justiça brasileira.

A cidade escolhida como esconderijo de Palermo tem pouco mais de 106 mil habitantes e possui economia baseada principalmente na agropecuária, com produção de soja, milho, algodão, mandioca e banana, além da pecuária extensiva. Conforme fonte do jornal El Deber, o principal de Santa Cruz, “nos últimos anos, [o brasileiro] havia conseguido se estabelecer em um imóvel em Cotoca, onde aparentemente se passava por um próspero empresário do setor agrícola”.

O comandante departamental da Polícia de Santa Cruz, David Gómez, afirmou que a captura ocorreu dentro do chamado Plano Falcão, estratégia voltada ao combate ao crime organizado e reforço do controle nas regiões de fronteira com o Brasil. “Foi possível estabelecer que ele possui antecedentes policiais e judiciais no Brasil, como mandados de prisão por narcotráfico e também por sequestro”, declarou o comandante, segundo reproduziu o El Deber.

Com estradas na Bolívia fechadas, sequestrador de avião será transferido pelo ar
Avião da Vasp, que foi sequestrado por Palermo há 20 anos (Foto: Globoplay/Reprodução)

Fama – A trajetória criminal de Gerson Palermo ganhou notoriedade nacional no ano 2000, quando ele participou do sequestro de um avião da Vasp que fazia a rota Foz do Iguaçu-Curitiba. Na ocasião, conforme já noticiado pelo Campo Grande News, Palermo e outros integrantes armados renderam tripulantes e passageiros da aeronave durante o voo.

O grupo obrigou o piloto a pousar em uma pista clandestina em Querência do Norte, no interior do Paraná, onde parte da quadrilha aguardava para roubar cerca de R$ 5 milhões transportados no compartimento de cargas do avião. Após a ação, os criminosos fugiram levando o dinheiro.

A partir daquele episódio, Palermo passou a ser apontado pelas autoridades como integrante de organizações criminosas ligadas ao tráfico internacional de drogas e lavagem de dinheiro. Anos depois, ele passou a integrar a estrutura do PCC e utilizava a Bolívia como base de operações.

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Cotoca é conhecida pelo seu santuário em homenagem à Virgem de Cotoca e sua arquitetura colonial (Foto: Boliviatravelsite.com)

Refúgio – Reportagens do programa Fantástico, da Rede Globo, apontam que Santa Cruz de La Sierra se tornou um dos principais refúgios de integrantes da facção criminosa brasileira. Segundo as investigações citadas pela publicação, líderes do PCC utilizam a cidade boliviana como ponto estratégico para o tráfico de cocaína e abrigo de foragidos.

O material também cita que criminosos brasileiros vivem em imóveis de alto padrão na região e utilizam documentos falsos para permanecer no país vizinho. Entre os nomes mencionados estão Sérgio Luiz de Freitas Filho, conhecido como “Mijão”, condenado em 2023 por tráfico de drogas pelo Judiciário sul-mato-grossense, além de André do Rap, que fugiu após ser libertado pelo STF (Supremo Tribunal Federal) por habeas corpus que depois foi revogado, assim como Palermo.