ACOMPANHE-NOS     Campo Grande News no Facebook Campo Grande News no X Campo Grande News no Instagram Campo Grande News no TikTok Campo Grande News no Youtube
ABRIL, QUINTA  09    CAMPO GRANDE 27º

Cidades

Corpos de jovens mortos em tribunal do crime no MT chegam de madrugada em MS

Empresa onde os jovens estavam alojados divulgou nota afirmando que providenciou traslado e negou omissão

Por Dayene Paz e Bruna Marques | 09/04/2026 10:52
Corpos de jovens mortos em tribunal do crime no MT chegam de madrugada em MS
Breno Gabriel Soares Cabral, Wagner Felipe Rocha Viana e Wilquison Eduardo Rocha Viana (Foto: Reprodução/Redes sociais)

Os corpos de Wagner Felipe Rocha Viana, de 20 anos, Wilquison Eduardo Rocha Viana, de 23, e Breno Gabriel Soares Cabral, de 21, mortos após serem submetidos a um chamado “tribunal do crime” em Campo Novo do Parecis (MT), devem chegar a Mato Grosso do Sul durante a madrugada desta sexta-feira (10). A previsão é que o traslado, feito em dois veículos, chegue por volta da 0h.

RESUMO

Nossa ferramenta de IA resume a notícia para você!

Três jovens de Mato Grosso do Sul mortos em Campo Novo do Parecis (MT) após serem submetidos a um tribunal do crime por facções criminosas tiveram os corpos transladados na madrugada desta sexta-feira (10). A empresa Metafer, que os contratou, negou omissão, mas familiares relataram falta de apoio e organizaram vaquinhas para custear o traslado. Quatro suspeitos foram identificados e dois já estão presos, incluindo um adolescente de 16 anos.

No decorrer do deslocamento, a empresa Metafer, onde os jovens estavam alojados e prestavam serviço na montagem de um estande para um evento agropecuário, divulgou nota afirmando que providenciou o traslado e negou omissão no caso. “Desde o primeiro momento, adotamos todas as medidas cabíveis para prestar apoio, tendo inclusive providenciado o traslado e a liberação junto à funerária local”, diz o comunicado.

A manifestação ocorre após familiares afirmarem que precisaram organizar vaquinhas para custear o transporte dos corpos, estimado em R$ 12,5 mil para uma das famílias. Irmã de Wagner e Wilquison, Kamila Viana declarou que não houve suporte por parte da empresa. “Estamos precisando de ajuda para trazer o corpo dos meninos de volta. A empresa pela qual eles foram contratados não está dando nenhum suporte”, relatou.

A mãe de Breno, Elaine Cristina Soares, de 42 anos, disse que, ao procurar os responsáveis, foi informada de que poderiam utilizar o salário do filho para pagar o traslado. “Quer dizer que meu filho foi trabalhar para morrer? Foi para pagar o próprio enterro?”, lamentou. Ela ainda afirmou que recebeu orientação sobre a urgência do transporte, já que o caixão viria lacrado e não poderia permanecer por muito tempo nessas condições.

Na nota, a Metafer afirma que optou por atuar de forma discreta por estar seguindo orientações jurídicas e que “jamais houve omissão”, seja em relação às autoridades ou às famílias. A empresa também alegou que os jovens foram contratados para um serviço pontual e que não possuíam vínculo formal, mas que, mesmo assim, prestou apoio diante da gravidade da situação.

Os três jovens estavam desaparecidos desde a madrugada de sábado (4), quando sumiram do alojamento de trabalhadores. Um colega relatou que viu o trio por volta de 0h40, ainda acordado, conversando e fumando. Pela manhã, quando o expediente começaria às 7h, eles já não estavam mais no local. Pertences pessoais ficaram no alojamento, incluindo o celular de Wagner, que permaneceu no carregador.

Corpos de jovens mortos em tribunal do crime no MT chegam de madrugada em MS
Peritos escavam área onde os corpos dos três jovens foram encontrados enterrados em vala na zona rural de Campo Novo do Parecis (Foto: Divulgação / PCMT)

Os corpos foram encontrados na tarde de terça-feira (7), enterrados em uma vala na zona rural do distrito Marechal Rondon, em Campo Novo do Parecis. Conforme o delegado responsável pelo caso, Guilherme Kaiper, o crime está ligado diretamente à atuação de facções criminosas. Segundo ele, os jovens foram chamados para jogar sinuca e, por serem de fora, despertaram desconfiança de integrantes do grupo que domina a região.

O delegado explicou que analisou os celulares das vítimas e, supostamente, havia conteúdos que indicariam ligação com o Primeiro Comando da Capital (PCC), enquanto a região era dominada pelo Comando Vermelho. Ainda conforme Kaiper, houve chamada de vídeo no contexto do tribunal do crime e os jovens foram “decretados”, quando se emite a ordem de execução.

As vítimas teriam sido levadas para uma estrada vicinal, onde foram amarradas e amordaçadas. Elas foram asfixiadas com corda e sofreram golpes de faca no pescoço antes de serem enterradas juntas em uma cova com mais de um metro de profundidade.

A Polícia Civil identificou quatro pessoas como participantes diretas do crime. Duas já estão presas, sendo uma delas um adolescente de 16 anos. Segundo o delegado, os dois confessaram participação e outras pessoas ainda são investigadas, inclusive por terem ajudado no transporte das vítimas.

As famílias afirmam que os filhos não pertenciam a facção. A identificação oficial e a liberação dos corpos ficaram sob responsabilidade da Politec (Perícia Oficial e Identificação Técnica) de Mato Grosso. Em nota, a Metafer afirmou que segue colaborando com as autoridades e que permanece à disposição dentro dos limites legais.

Receba as principais notícias do Estado pelo Whats. Clique aqui para acessar o canal do Campo Grande News e siga nossas redes sociais.