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Cidades

Após morte em “tribunal do crime”, famílias tentam trazer corpos para MS

Jovens estavam desaparecidos desde o dia 4, em Campo Novo do Parecis (MT), para onde foram trabalhar

Por Clara Farias | 08/04/2026 15:01
Após morte em “tribunal do crime”, famílias tentam trazer corpos para MS
Breno Gabriel Soares Cabral, Wagner Felipe Rocha Viana e Wilquison Eduardo Rocha Viana (Foto: Reprodução/Redes sociais)

A família dos jovens Breno Gabriel Soares Cabral, de 21 anos, Wagner Felipe Rocha Viana, de 20 anos, e Wilquison Eduardo Rocha Viana, de 23 anos, mortos durante o “tribunal do crime” em Campo Novo do Parecis (MT), realiza vaquinhas para custear o traslado dos corpos para Mato Grosso do Sul. O transporte dos corpos foi estimado em R$ 12,5 mil para uma das famílias.

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Três jovens de Mato Grosso do Sul foram mortos em um tribunal do crime em Campo Novo do Parecis (MT), após serem suspeitos de integrar o PCC em região dominada pelo Comando Vermelho. As famílias realizam vaquinhas para custear o traslado dos corpos, orçado em R$ 12,5 mil, sem apoio da empresa contratante. As vítimas foram asfixiadas e enterradas em estrada vicinal.

Os rapazes foram para o interior de Mato Grosso para trabalhar em um galpão e, no último sábado (4), desapareceram do alojamento onde estavam hospedados. Os corpos foram encontrados na tarde desta terça-feira (7), enterrados em uma estrada vicinal.

A família dos três jovens informou à reportagem que não recebeu suporte da empresa pela qual eles foram contratados. “Estamos precisando de ajuda para trazer o corpo dos meninos de volta. A empresa pela qual eles foram contratados não está dando nenhum suporte”, relata Kamila Viana, irmã de Wagner e Wilquison.

Mãe de Breno Gabriel Soares Cabral, Elaine Cristina Soares, de 42 anos, relatou ao portal que ainda está atordoada com o ocorrido. Ela tentou conversar com os donos da empresa pela qual os jovens foram contratados e foi informada de que poderiam usar o salário dos rapazes para custear o traslado do corpo.

“Quer dizer que meu filho foi trabalhar para morrer? Foi para pagar o próprio enterro?”, lamenta Elaine.

Ela relata ainda que, conforme o IML (Instituto Médico Legal) de Mato Grosso, o traslado precisa ocorrer o mais rápido possível, pois o caixão virá lacrado e não pode permanecer muito tempo nessas condições. “Eu só quero dar um enterro digno para ele, não jogar ele em uma vala como foi encontrado”, disse à reportagem

A mãe ainda relata que o filho não pertencia a nenhuma facção. "Todo mundo amava meu filho, ele era muito querido por ser trabalhador e não desistir das coisas. Ele não tinha envolvimento com nada. Meu filho era muito amado, não vou deixar o caráter do meu filho ser destruído", disse Elaine.

O traslado dos corpos dos dois irmãos foi orçado em R$ 12,5 mil, e a família está recebendo doações pela chave Pix 07701440127. Elaine recebe doações para o transporte do corpo de Breno pela chave Pix 67992750452.

Após morte em “tribunal do crime”, famílias tentam trazer corpos para MS
Peritos escavam área onde os corpos dos três jovens foram encontrados enterrados em vala na zona rural de Campo Novo do Parecis (Foto: Divulgação / PCMT)

Segundo o delegado responsável pelo caso, Guilherme Kaiper, em entrevista à reportagem, o crime está diretamente ligado à atuação de facções criminosas.

Ainda de acordo com o delegado, os três foram chamados para jogar sinuca e, por serem de fora, despertaram a desconfiança de integrantes da facção local. Eles foram levados para uma estrada vicinal, onde foram amarrados e asfixiados. Os três corpos foram enterrados juntos, em uma cova de pouco mais de um metro de profundidade.

“Os celulares das vítimas foram analisados e, supostamente, elas seriam integrantes do PCC. Aqui, a região é dominada pelo Comando Vermelho. Houve uma chamada de vídeo, no contexto do chamado ‘tribunal do crime’. As vítimas foram ‘decretadas’, ou seja, foi emitida uma ordem de execução”, afirmou.

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