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Cidades

Da cozinha ao hospital: como a Salmonella pode contaminar sua refeição

Ovos crus, carnes mal cozidas e utensílios contaminados estão entre as principais fontes de transmissão.

Por José Cândido | 25/06/2026 09:18
Da cozinha ao hospital: como a Salmonella pode contaminar sua refeição
A bactéria pode contaminar alimentos, água, utensílios e superfícies, provocando infecções que variam de quadros leves de gastroenterite a complicações graves que exigem atendimento hospitalar. (Foto divulgação)

A refeição que parece segura pode esconder um risco invisível. Presente em alimentos, água, utensílios e superfícies contaminadas, a bactéria Salmonella continua entre as principais responsáveis por doenças transmitidas por alimentos no Brasil e pode transformar um simples almoço em dias de febre, vômitos, diarreia intensa e, nos casos mais graves, internação hospitalar. O assunto voltou à tona por suspeita de que a bactéria causou a morte da ex-deputada Graziell Machado, internada na terça-feira com sintomas da infecção.

RESUMO

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A bactéria Salmonella segue entre as principais causas de doenças transmitidas por alimentos no Brasil, provocando febre, vômitos e diarreia intensa. Presente em ovos crus, carnes mal cozidas e alimentos sem higienização adequada, ela pode causar internação nos casos mais graves. A infectologista Carla Moura alerta que crianças, idosos e gestantes são os mais vulneráveis. A prevenção envolve lavar as mãos, cozinhar bem os alimentos e evitar contaminação cruzada na cozinha.

Embora a maioria das infecções evolua de forma leve, especialistas alertam que a prevenção depende, principalmente, de cuidados simples durante o preparo, armazenamento e consumo dos alimentos.

Segundo a infectologista Carla Moura, do Hospital Universitário Maria Aparecida Pedrossian da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (Humap-UFMS), a contaminação ocorre, na maioria das vezes, pela ingestão de alimentos ou água contaminados.

"Os sintomas mais comuns são diarreia, dor abdominal, febre, náuseas e vômitos. Na maioria dos casos, a evolução é leve e autolimitada, mas é importante que a população esteja atenta aos sinais que indicam a necessidade de avaliação médica", explica.

Entre os alimentos que mais frequentemente estão associados à transmissão da bactéria estão ovos crus ou mal cozidos, maionese caseira, carnes mal passadas — especialmente de aves —, leite e derivados não pasteurizados, além de verduras e legumes consumidos sem higienização adequada.

Festas e restaurantes exigem mais atenção

O período de férias, festas e eventos costuma elevar o risco de surtos de doenças alimentares. O aumento da produção de refeições em grande escala favorece falhas no armazenamento e na manipulação dos alimentos.

De acordo com Carla Moura, molhos, saladas, carnes e preparações à base de ovos merecem atenção especial, principalmente quando permanecem expostos por muito tempo ou fora da temperatura adequada.

"Quando há uma grande quantidade de refeições sendo produzidas ao mesmo tempo, o risco aumenta, principalmente quando ocorrem falhas de higiene ou armazenamento inadequado", afirma.

O perigo da contaminação cruzada

Um dos erros mais comuns dentro das cozinhas é a chamada contaminação cruzada, quando microrganismos presentes em alimentos crus passam para produtos que já estão prontos para o consumo.

A situação ocorre, por exemplo, quando uma mesma tábua utilizada para cortar frango cru é usada para preparar saladas sem ser higienizada, ou quando a pessoa manipula carne crua e, sem lavar as mãos, toca em outros alimentos.

Por isso, a especialista reforça que a lavagem correta das mãos, dos utensílios, das bancadas e dos equipamentos continua sendo uma das medidas mais eficazes para interromper a cadeia de transmissão.

Nem toda intoxicação alimentar é simples

Apesar de a Salmonella ser uma das principais causadoras de infecções alimentares, ela não está sozinha. Bactérias como Escherichia coli, Campylobacter, Shigella e até parasitas, como a Giardia, também provocam quadros semelhantes.

Segundo Carla Moura, muitos casos sequer chegam ao diagnóstico porque os pacientes não procuram atendimento ou não realizam exames específicos.

A recomendação é buscar assistência médica sempre que a diarreia vier acompanhada de febre persistente, sangue nas fezes, dor abdominal intensa, sinais de desidratação ou dificuldade para ingerir líquidos.

O cuidado deve ser ainda maior quando os sintomas atingem crianças, idosos, gestantes e pessoas com imunidade comprometida, grupos mais vulneráveis ao agravamento da infecção.

"Nesses casos pode haver perda importante de líquidos ou até disseminação da bactéria pela corrente sanguínea, aumentando o risco de complicações graves, como desidratação severa e sepse", alerta a médica.

Ela reforça que, embora a maioria dos pacientes se recupere apenas com hidratação e repouso, alguns necessitam de hidratação venosa, antibióticos e acompanhamento hospitalar.

Como reduzir o risco de infecção

Especialistas recomendam medidas simples para evitar a contaminação:

  • Lavar as mãos antes de preparar e consumir alimentos;
  • Higienizar corretamente frutas, verduras e legumes;
  • Cozinhar completamente carnes, aves e ovos;
  • Evitar o consumo de ovos crus ou mal cozidos;
  • Consumir apenas leite e derivados pasteurizados;
  • Manter separados alimentos crus e alimentos prontos para consumo;
  • Higienizar utensílios e superfícies após contato com carnes cruas;
  • Armazenar os alimentos sob refrigeração adequada;
  • Redobrar os cuidados ao consumir refeições em festas, eventos e locais com grande circulação de pessoas.

Mais do que evitar um desconforto gastrointestinal, esses hábitos reduzem significativamente o risco de surtos e de complicações que podem colocar a saúde em risco, especialmente entre os grupos mais vulneráveis.