"Transbordando de alegria", diz mãe após polícia achar bebê sequestrada
"Transbordando de alegria." Foi assim que a mãe da pequena Ayla Emanuelly descreveu o sentimento ao saber que a filha recém-nascida havia sido localizada em segurança pela polícia. A adolescente, de 17 anos, conversou com a imprensa em frente à DEPCA (Delegacia Especializada de Proteção à Criança e ao Adolescente) horas depois da menina ser resgatada em Pedro Juan Caballero, no Paraguai.
RESUMO
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A ida dos familiares até a unidade policial ocorreu após um desencontro de informações. A avó e a mãe foram ao local acreditando que poderiam reaver a bebê após um telefonema, mas encontraram o prédio fechado. Apesar da confusão com os horários e contatos, o sentimento que prevaleceu foi a gratidão pelo fim do período de incertezas.
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Durante o período em que a recém-nascida esteve distante, aproximadamente 3 dias, a rotina da casa ficou completamente paralisada. A avó relata que ninguém na família conseguia se alimentar ou dormir direito, mantendo a atenção voltada exclusivamente para as novidades do caso.
"Ficamos muito abalados, né? Eu fui comer um pouquinho ontem. Estava nem comendo. Nem eu, nem ela, nem minha mãe, nem meu pai", explicou a mulher.
Para a jovem mãe, a fé e o apoio de pessoas próximas foram fundamentais para suportar a espera. “Eu nem conseguia dormir direito. Eu fui até tirar leite, né? Na casa da amiga da minha mãe, porque meu peito estava cheio demais. Não estava nem comendo", disse a adolescente.
Apesar do sofrimento, mantinha a convicção de que a filha estava bem e seria encontrada. "Olha, eu não pensei no pior, porque alguém me dizia que estava tudo bem com ela. Entendeu? E eu também falava muito com Deus, assim. E tocava no meu coração, assim, que estava tudo bem", afirmou a menina.
A avó destacou que a família está pronta para acolher a bebê assim que todos os trâmites legais e de proteção forem concluídos, mas declara que, diferente da filha, não conhece Suzilaine da Graça Costa, presa com Weliton Aparecido Lopes dos Santos, na madrugada deste domingo (9).
"Eu nunca vi essa mulher nem esse cara (...) O homem eu nunca vi, não. Nem a mulher também. Minha filha conheceu a foto dela, que é a mulher. Mas o homem também elas nunca viram, não."
A mãe da criança também aproveitou o momento para esclarecer o motivo de a bebê ainda não ter sido registrada no cartório logo após o nascimento. Segundo ela, a família aguardava o deslocamento do pai, que relatou falta de recursos financeiros para ir à maternidade no momento do parto, além de limitações de orçamento da própria mãe para realizar o transporte logo em seguida.
Com a localização efetuada pelas equipes policiais, a família agora aguarda as orientações oficiais da Polícia Civil e do Conselho Tutelar para realizar o registro civil e levar Ayla de volta para casa.
Resgate
Ayla foi encontrada durante operação da Polícia Paraguaia por volta da 1h15 deste domingo em residência localizada na esquina das ruas Alejo García e Coronel Martínez, no bairro Virgen de Caacupé.
A ação foi conduzida pela procuradora Sandra Díaz em conjunto com o Comando Bipartite e agentes do Ministério Público, em cumprimento a um mandado expedido pelo juiz criminal Álvaro Justo Rojas Almirón. Além da prisão do casal, as autoridades apreenderam aparelhos celulares, documentos e um veículo Lifan de cor azul.
Logo após o resgate, a bebê foi levada com urgência ao Hospital Regional de Pedro Juan Caballero para passar por exames de avaliação médica. Os dois brasileiros presos foram colocados à disposição da Justiça e encaminhados à sede do Ministério Público.
A operação de busca e resgate foi deflagrada a partir do compartilhamento imediato de informações e inteligência entre a Polícia Civil de Mato Grosso do Sul e as autoridades do Paraguai, em cumprimento a acordos de cooperação internacional na fronteira.
Segundo o relatório da investigação, a localização da bebê foi possível após o trabalho de rastreamento realizado por investigadores da Polícia Civil de Mato Grosso do Sul que permitiu acompanhar os sinais dos suspeitos até a cidade distante 313 quilômetros de Campo Grande. A partir daí, a equipe identificou que eles haviam seguido para o território paraguaio.
Com a informação em mãos, o caso passou a contar com a cooperação das forças de segurança dos dois países, por meio do Comando Bipartido. O cruzamento dos dados permitiu avançar no rastreamento e localizar o imóvel onde a recém-nascida estava.
De acordo com o documento, os investigadores brasileiros solicitaram apoio ao Ministério Público do Paraguai para dar continuidade à análise dos sinais e informações telemáticas. O trabalho conseguiu apontar com precisão o endereço onde a criança era mantida.
Também houve apoio técnico do Departamento Antissequestro de Pessoas na obtenção de informações telemáticas complementares.





