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Cidades

Dia Mundial da Alergia reforça alerta para sinais que podem salvar vidas

Conhecer os sintomas e agir rapidamente aumenta as chances de sobrevivência

Por José Cândido | 07/07/2026 09:10
Dia Mundial da Alergia reforça alerta para sinais que podem salvar vidas
Coceira persistente, vermelhidão e placas na pele podem ser sinais de uma reação alérgica e merecem atenção médica. (Foto divulgação)

Nem toda alergia começa na infância. Especialistas alertam que reações alérgicas podem aparecer em qualquer fase da vida e, em alguns casos, evoluir rapidamente para quadros graves, como a anafilaxia e o choque anafilático. A proximidade do Dia Mundial da Alergia, celebrado em 8 de julho, reforça a importância de reconhecer os sinais de alerta e buscar atendimento imediato.

RESUMO

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Especialistas alertam que reações alérgicas podem surgir em qualquer fase da vida e evoluir para quadros graves como a anafilaxia, condição potencialmente fatal que exige atendimento imediato. A adrenalina intramuscular é o único medicamento capaz de reverter rapidamente a crise. Não existem exames preventivos para prever quem desenvolverá anafilaxia. Sintomas como urticária, inchaço, dificuldade respiratória e queda de pressão exigem socorro imediato.

Segundo a médica alergista e imunologista pediátrica do Hospital Universitário Maria Aparecida Pedrossian da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (Humap-UFMS), Maria Carolina Guimarães Albertini, a alergia ocorre quando o sistema imunológico reage de forma exagerada a substâncias que, para a maioria das pessoas, são inofensivas.

As doenças alérgicas respiratórias, como rinite alérgica e asma, lideram os casos mais frequentes. Também são comuns a dermatite atópica, as alergias alimentares, a medicamentos e as provocadas por ferroadas de insetos. Cada uma apresenta manifestações próprias e diferentes níveis de gravidade.

O maior risco está na anafilaxia, uma reação alérgica intensa, de instalação rápida e potencialmente fatal. Em sua forma mais grave, ocorre o choque anafilático, quando há queda acentuada da pressão arterial, podendo provocar perda de consciência, insuficiência respiratória e até levar à morte se não houver atendimento imediato.

Um dos equívocos mais comuns, segundo a especialista, é acreditar que a primeira manifestação alérgica sempre será leve.

"Esse é um mito. Há pacientes cuja primeira reação já se apresenta como uma anafilaxia", alerta.

Adrenalina salva vidas

Quando a anafilaxia acontece, o tempo faz toda a diferença. A médica explica que existe apenas um medicamento capaz de reverter rapidamente esse tipo de reação: a adrenalina aplicada por via intramuscular.

Ela ressalta que medicamentos como antialérgicos e corticoides podem auxiliar no tratamento, mas não substituem a adrenalina durante uma emergência.

Mesmo após a aplicação do medicamento, o paciente deve ser encaminhado imediatamente a um serviço de urgência para permanecer em observação e receber o tratamento complementar necessário.

Reação pode aparecer em qualquer fase da vida

Embora muitas alergias sejam diagnosticadas ainda na infância, o organismo pode desenvolver sensibilidade a alimentos, medicamentos, picadas de insetos ou outras substâncias na idade adulta.

Além disso, pessoas que já possuem predisposição podem apresentar crises mais intensas quando alguns fatores estão presentes. Entre eles estão infecções, privação de sono, estresse, consumo de bebidas alcoólicas, período pré-menstrual, uso de anti-inflamatórios e até alterações na rotina física.

Esses fatores não causam alergia, mas podem facilitar ou agravar uma reação já existente.

Não existe exame para prever uma crise grave

Outra informação importante é que atualmente não há testes capazes de identificar, antecipadamente, quem desenvolverá uma anafilaxia.

Os exames alérgicos são indicados apenas quando existe suspeita clínica e servem para confirmar o agente responsável pela reação. Eles não funcionam como exames preventivos para pessoas sem sintomas.

Por isso, conhecer os sinais de alerta é fundamental.

Os sintomas geralmente aparecem entre poucos minutos e até duas horas após o contato com a substância causadora da alergia. Entre os principais estão:

  • placas avermelhadas pelo corpo (urticária);
  • inchaço nos lábios, língua ou olhos;
  • dificuldade para respirar ou chiado no peito;
  • rouquidão ou sensação de garganta fechando;
  • vômitos repetidos;
  • dor abdominal intensa;
  • queda da pressão arterial e desmaio.

Diagnóstico ajuda a evitar novas crises

Após qualquer reação alérgica importante, a recomendação é procurar um médico alergista para identificar a causa, confirmar o diagnóstico e elaborar um plano de prevenção para futuras exposições.

Segundo a especialista, conhecer exatamente o agente responsável e evitá-lo continua sendo a forma mais eficaz de prevenir novos episódios graves.

Ela também destaca que familiares, cuidadores, professores e pessoas próximas devem saber reconhecer rapidamente os sinais da anafilaxia, já que a rapidez no atendimento pode ser decisiva para salvar uma vida.