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Capital

Sindicato afirma que trabalhador morto em obra não usava equipamento de proteção

Operário caiu do 19º andar após estrutura externa ceder; perícia do MTE apura falha

Por Bruna Marques e Viviane Oliveira | 07/07/2026 08:38
Sindicato afirma que trabalhador morto em obra não usava equipamento de proteção
Estrutura suspensa aparece cedida em edifício em obras na Rua Amazonas, onde operário morreu após queda do 19º andar (Foto: Victória Costacurta)

O operário da construção civil José Ricardo Martins, de 43 anos, que morreu na noite desta segunda-feira (6), após cair do 19º andar de um edifício em obras em Campo Grande, não estava com o cinto de segurança acoplado à linha de vida no momento do acidente, segundo o sindicato da categoria.

RESUMO

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Operário José Ricardo Martins, de 43 anos, morreu após cair do 19º andar de um edifício em obras na Rua Amazonas, em Campo Grande, na noite de segunda-feira (6). Segundo o Sintracom, ele e outro trabalhador estavam sem o cinto de segurança acoplado à linha de vida quando uma estrutura suspensa cedeu. A obra foi paralisada e o Ministério do Trabalho realizará perícia no local. A incorporadora afirmou seguir rigorosos protocolos de segurança.

A queda ocorreu depois que parte de uma estrutura suspensa cedeu na construção localizada na Rua Amazonas, quase esquina com a Rua 13 de Maio, na região do bairro São Francisco. Além de José Ricardo, outro trabalhador também caiu, mas conseguiu se salvar.

Segundo José Abelha Neto, presidente do Sintracom (Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias da Construção e do Mobiliário de Campo Grande), a informação repassada pela empresa é de que os dois trabalhadores que caíram estavam sem o equipamento de segurança corretamente preso.

“Parte do alambrado da parte de fora cedeu. Ela cedeu e os trabalhadores, esses dois funcionários que caíram desse local, estavam sem o cinto acoplado à linha de vida”, afirmou.

Abelha explicou que todo trabalhador que atua na parte externa da obra deve estar com o cinto de segurança preso à linha de vida. O equipamento serve para evitar a queda em caso de falha na estrutura.

“Se o trabalhador estivesse com o cinto de segurança, não teria acontecido. Poderia até se machucar ao bater na parede, mas ele estaria seguro pelo cinto”, disse.

Sindicato afirma que trabalhador morto em obra não usava equipamento de proteção
José Ricardo Martins, trabalhador morto após cair em obra (Foto: Reprodução/Facebook)

Na manhã desta terça-feira, dia seguinte à tragédia, a obra estava vazia. As atividades não foram retomadas e não haverá expediente. O canteiro segue parado até que o MTE (Ministério do Trabalho e Emprego) faça a perícia para verificar onde houve falha.

Segundo Abelha, a empresa informou que os trabalhadores faziam uma concretagem no momento do acidente. Ele disse, porém, que não recebeu confirmação sobre queda de concreto.

“Eu só sei que eles estavam fazendo uma concretagem. Foi o que a empresa passou. Essa parte de que caiu esse concreto, eu não sei se aconteceu, não foi passado pela empresa. O que eu soube é que cedeu essa platibanda, onde era fixada na parede, e o funcionário caiu”, relatou.

Sindicato afirma que trabalhador morto em obra não usava equipamento de proteção
José Abelha Neto, presidente do Sintracom, em frente ao edifício em obras (Foto: Victória Costacurta)

O representante do sindicato afirmou que acionou o MTE e conversou com um auditor fiscal do órgão, que deve ir ao local para os levantamentos. A apuração sobre a morte cabe à Polícia Civil.

Abelha também disse que o sindicato vai procurar a família de José Ricardo para prestar apoio jurídico e social. Segundo ele, a convenção coletiva da categoria prevê direitos trabalhistas, previdenciários e seguro ao trabalhador. Caso a empresa não tenha seguro, deve arcar com os custos previstos para a família.

“Toda empresa tem um Sesmt (Serviço Especializado em Engenharia de Segurança e em Medicina do Trabalho). O Sesmt é o responsável por cuidar da segurança do trabalhador e da trabalhadora. Então, isso envolve as orientações dos DDS (Diálogo Diário de Segurança), fiscalizando no dia a dia. E, pelo que eu vi ali, acabou acontecendo esse fato, e o trabalhador estava sem o cinto, e ninguém atentou para isso”, afirmou.

Ele reforçou que a empresa é obrigada a fornecer os equipamentos de segurança, enquanto o trabalhador deve usar e conservar o material. Segundo Abelha, a falta de uso do equipamento pode até resultar em demissão por justa causa.

“A empresa é obrigada a dar o equipamento de segurança, e o trabalhador é obrigado a fazer o uso e a guarda dele, porque isso aí é só para o bem do trabalhador. Quando você está usando o equipamento de segurança, você tem muito menos chance de acontecer o acidente”, disse.

O caso será investigado. A obra permanece paralisada até a perícia do MTE.

Entenda - Segundo as informações preliminares, a vítima e outro operário trabalhavam na parte externa do prédio, a cerca de 35 metros de altura, quando a estrutura onde estavam cedeu. Um deles caiu sobre um mezanino no térreo do edifício, enquanto o segundo ficou pendurado e conseguiu retornar ao andar.

O Samu (Serviço de Atendimento Móvel de Urgência) e o Corpo de Bombeiros foram acionados, mas José Ricardo não resistiu aos ferimentos e morreu no local.

Um morador do prédio vizinho, que pediu para não ser identificado, disse ao Campo Grande News que viu trabalhadores no alto da construção pouco antes da queda. Segundo ele, os operários içavam materiais quando ocorreu o acidente.

“Os caras estavam trabalhando ali em cima. Estavam subindo uns concretos ali para cima. Caiu o negócio e estourou o andaime. Tinha dois caras, um ficou pendurado e eu vi eles puxando para cima. O outro caiu com o andaime”, relatou.

Ainda conforme a testemunha, parte da estrutura atingiu uma proteção da obra antes de chegar à área inferior do prédio. Imagens feitas do edifício vizinho mostram destroços espalhados no ponto onde o trabalhador caiu.

As causas do acidente ainda serão apuradas. A perícia foi acionada para examinar o local e identificar as circunstâncias que provocaram a queda da estrutura.

Outro lado - A reportagem entrou em contato com a empreiteira responsável pela obra. Por meio de nota, a Incorpore Realty confirmou que o trabalhador envolvido no acidente era funcionário de uma empresa terceirizada, contratada para a execução de serviços específicos na obra.

"Reforçamos que todos os empreendimentos seguem rigorosos protocolos de segurança, em conformidade com a legislação vigente, como a instalação de equipamentos de proteção coletiva, realização de treinamentos periódicos, exigência do cumprimento das normas de segurança e da utilização dos EPIs (Equipamentos de Proteção Individual) por todas as empresas e profissionais que atuam em nossas obras.

Em outro trecho, a empresa aponta que está colaborando com as autoridades para o esclarecimento das circunstâncias do ocorrido. "Neste momento de profundo pesar, cabe-nos manifestar nossa solidariedade e prestar a assistência aos familiares, amigos e colegas de trabalho da vítima", diz o comunicado.

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