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Lado Rural

Tecnologia criada em MS identifica origem da carne em apenas 20 minutos

Sistema cria "impressão digital" das proteínas da carne, permitindo identificar sua origem com alta precisão

Por José Cândido | 07/07/2026 09:33
Tecnologia criada em MS identifica origem da carne em apenas 20 minutos
Nova metodologia desenvolvida por pesquisadores permite identificar a espécie de origem da carne em cerca de 20 minutos, fortalecendo a rastreabilidade, o controle de qualidade e o combate a fraudes no mercado. (Foto Embrapa)

Tecnologia desenvolvida por pesquisadores de Mato Grosso do Sul promete dar mais segurança ao consumidor e fortalecer o controle de qualidade da carne comercializada no Brasil. Cientistas da Embrapa Gado de Corte, em parceria com a Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS) e a Universidade Estadual Paulista (Unesp), criaram  metodologia capaz de identificar a espécie de origem da carne em cerca de 20 minutos, com rapidez, precisão e custo inferior ao das análises genéticas convencionais.

RESUMO

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Pesquisadores da Embrapa Gado de Corte, em parceria com a UFMS e a Unesp, desenvolveram metodologia capaz de identificar a espécie de origem da carne em 20 minutos. A tecnologia utiliza espectrometria de massas MALDI-TOF e funciona mesmo após congelamento ou fritura. O método também diferencia raças bovinas, como Nelore e Angus, e poderá ser usado no combate a fraudes alimentares, no controle de qualidade e na fiscalização sanitária da cadeia produtiva.

A inovação utiliza a espectrometria de massas MALDI-TOF, tecnologia já conhecida em áreas como medicina e microbiologia, mas aplicada pela primeira vez no Brasil para diferenciar tecidos de bovinos, suínos, frangos e tilápias. O método continua eficiente mesmo quando a carne foi congelada ou frita, ampliando seu potencial de uso na fiscalização e na indústria.

Além de distinguir espécies, a pesquisa conseguiu diferenciar carnes de bovinos das raças Nelore e Angus, um avanço que poderá reforçar programas de certificação de carnes premium e agregar credibilidade a produtos de maior valor comercial.

Segundo o pesquisador da Embrapa Gado de Corte, Newton Verbisck, coordenador do estudo, cada carne possui um perfil único de proteínas, funcionando como uma espécie de "impressão digital molecular". A partir desses perfis, os pesquisadores construíram um banco de dados capaz de reconhecer automaticamente a origem da amostra.

"Esse banco de dados permite verificar a autenticidade da carne e poderá ser utilizado tanto para controle de qualidade quanto para ações de fiscalização", explica.

Ferramenta fortalece rastreabilidade e protege o consumidor

O principal benefício da tecnologia está no combate às fraudes alimentares, prática que consiste na substituição de carnes nobres por espécies de menor valor ou na comercialização de produtos com origem diferente da informada ao consumidor.

Hoje, a confirmação dessas irregularidades normalmente depende de exames genéticos, que demandam mais tempo, mão de obra especializada e custos mais elevados. O novo protocolo simplifica todas as etapas da análise sem comprometer a confiabilidade dos resultados.

"Todo o processo leva, em média, 20 minutos. É uma alternativa mais rápida, econômica e igualmente precisa em comparação aos métodos tradicionais", destaca Verbisck.

Na prática, a tecnologia poderá ser empregada por frigoríficos, laboratórios, órgãos de fiscalização sanitária e centros de pesquisa para garantir autenticidade, rastreabilidade biológica e controle de qualidade dos produtos de origem animal.

Atualmente, em Mato Grosso do Sul, o equipamento utilizado na pesquisa está disponível apenas na Embrapa Gado de Corte.

Tecnologia criada em MS identifica origem da carne em apenas 20 minutos
O pesquisador Newton Verbisck, da Embrapa Gado de Corte, coordenou o estudo que utilizou a espectrometria de massas MALDI-TOF para criar uma identificação rápida, precisa e de menor custo para carnes de diferentes espécies e raças. (Foto Embrapa)

Como funciona a identificação

A metodologia começa com a retirada de um pequeno fragmento da carne, equivalente ao tamanho de um grão de arroz. Em seguida, proteínas presentes no tecido são extraídas com um solvente específico e preparadas para análise.

No espectrômetro de massas, um feixe de laser transforma essas proteínas em partículas eletricamente carregadas. Elas percorrem um tubo sob vácuo, e o tempo que levam para chegar ao detector revela sua massa com altíssima precisão.

Cada espécie animal apresenta uma combinação exclusiva dessas proteínas. O equipamento registra esse padrão e o compara com um banco de dados previamente construído pelos pesquisadores, identificando automaticamente a origem da carne.

Todo esse processo leva apenas alguns segundos dentro do equipamento, permitindo que o resultado completo seja obtido em aproximadamente 20 minutos.

Banco de dados pode crescer

Os pesquisadores destacam que o banco de perfis moleculares ainda poderá ser ampliado para incluir outras espécies comercializadas no mercado brasileiro.

Com isso, a ferramenta tende a se tornar ainda mais abrangente, permitindo identificar diferentes tipos de carnes e derivados, fortalecendo a certificação de produtos, a fiscalização sanitária e a transparência na cadeia produtiva.

Além de proteger o consumidor contra fraudes, a tecnologia também pode beneficiar produtores que investem em qualidade, certificação de origem e valorização de carnes especiais, tornando o mercado mais confiável e competitivo.