ACOMPANHE-NOS    
ABRIL, TERÇA  13    CAMPO GRANDE 21º

Política

“É desumano”, protesta deputado de MS sobre leitos ociosos em hospital militar

Segundo dados do TCU (Tribunal de Contas da União), até 85% dos leitos estão vagos, enquanto SUS vive colapso

Por Ângela Kempfer | 07/04/2021 15:19
Fábio Trad em foto de arquivo da Câmara do Deputados. (Foto: Divulgação)
Fábio Trad em foto de arquivo da Câmara do Deputados. (Foto: Divulgação)

A negativa das Forças Armadas em colaborar na luta contra as mortes por covid-19 ganhou novamente o noticiário nesta quarta-feira (7). Em março, o Campo Grande News já havia publicado reportagem sobre o assunto e, na semana passada foi a vez da revista Piauí e hoje o tema ganhou repercussão nacional em matéria da Folha de São Paulo.

Segundo o jornal, hoje no Brasil os hospitais militares estão com até 85% das vagas ociosas, enquanto pessoas morrem por falta de estrutura disponível na rede de saúde, já esgotada tanto na esfera pública, quanto privada.

Na tentativa de obrigar Exército, Marinha e Aeronáutica a liberarem leitos ociosos às pessoas que esperam vagas em postos de saúde, o deputado federal Fábio Trad (PSD) enviou requerimentos ao Ministério da Defesa e também da Saúde solicitando a liberação desses espaços à população em geral.

“Não faz sentido ter essa reserva de leitos só para militares. É desumano! Se as Forças Armadas não adotarem essas providências em caráter emergencial, não há como evitar uma ação na Justiça”, adverte o parlamentar sul-mato-grossense, que em novembro do ano passado chegou a ir para UTI como mais uma vítima do coronavírus.

O deputado recorre à Constituição, já que a reserva de vagas aos militares viola o dever constitucional do Estado de oferecer acesso à saúde de forma universal.

“A vida de um militar é tão importante quanto a vida de um civil. A reserva de vagas contraria o princípio da dignidade humana. Não é justo deixar civis morrerem, tendo leitos ociosos à disposição e ainda custeados por todos nós que pagamos impostos”, protesta

Apesar da dificuldade à informações oficiais, reportagem do Campo Grande News mostrou que só na Capital são cerca de 60 leitos que poderiam ser disponibilizados nos hospitais da Aeronáutica e do Exército.

O TCU investiga possíveis irregularidades por parte de Ministério da Defesa, Exército, Aeronáutica e Marinha ao não ofertarem a civis leitos destinados a pacientes com Covid-19 em unidades militares de saúde.

Nem mesmo os 123 servidores do Exército que atuam na unidade do Hospital Militar de Área de Campo Grande foram oferecidos para reforçar o atendimento em outros hospitais. Segundo dados do TCU (Tribunal de Contas da União), por ano, só a rede do Exército recebe mais de R$ 2 bilhões para custeio nas unidades do País.

Atualmente, os estabelecimentos das Forças Armadas são responsáveis por atender militares, ativos, inativos e aposentados, além dos seus familiares dependentes e pensionistas.

Nos siga no Google Notícias
Regras de comentário