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Cidades

Em ato silencioso, família cobra justiça por morte de menino

Manifestantes ocupam faixa no centro e expressam indignação e luto por João Guilherme de 9 anos

Por Inara Silva e Gennifer Valeriano | 25/04/2026 09:44
Em ato silencioso, família cobra justiça por morte de menino
Familiares de João Guilherme protestam no centro da cidade. (Foto: Paulo Francis)

Um protesto silencioso chamou a atenção, na manhã deste sábado, no cruzamento da Rua 14 de Julho com a Avenida Afonso Pena, região central de Campo Grande. O ato foi organizado por familiares do menino João Guilherme Jorge Pires, de 9 anos, morto no dia 7 de abril, após uma sequência de atendimentos em unidades de saúde na Capital. Vestidos com camisetas brancas estampadas com o rosto da criança, os manifestantes ocupam a faixa de pedestres nos momentos em que o semáforo fecha, segurando cartazes com frases como “a dor virou luta”, “justiça por João Guilherme” e “nosso luto virou voz”. Em silêncio, o grupo expressa a dor ainda recente, visível nas lágrimas da mãe e de uma das irmãs, que se revezam entre segurar cartazes e se amparar.

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Familiares do menino João Guilherme Jorge Pires, de 9 anos, morto em 7 de abril após atendimentos em unidades de saúde de Campo Grande, realizaram protesto silencioso no centro da cidade neste sábado. O caso é investigado como homicídio culposo pela Polícia Civil. A Associação de Erros Médicos atua junto ao Ministério Público e busca acesso ao prontuário médico completo, que teria sido negado à família.

A mobilização foi acompanhada pelo presidente da Associação de Erros Médicos de Mato Grosso do Sul, Haldemar Moraes de Souza, que afirmou que a entidade está atuando junto ao Ministério Público Estadual e já há uma reunião prevista com o promotor responsável pelo caso, embora a data ainda não tenha sido divulgada. Segundo ele, a associação pretende buscar o prontuário médico completo, que, conforme relatado, teria sido negado à família, medida que deve ser judicializada.

“A gente precisa mostrar para a sociedade o que realmente está acontecendo na saúde. O João Guilherme morreu por descaso, por negligência de uma UPA (Unidade de Pronto Atendimento), de um hospital, e a gente está investigando toda a situação”, declarou. Sobre a possibilidade de exumação do corpo, Moraes informou que ainda não houve pedido formal, já que o Imol (Instituto de Medicina e Odontologia Legal) solicitou prazo adicional de 15 dias para conclusão do exame necroscópico.

Em ato silencioso, família cobra justiça por morte de menino
Muito emocionada, mãe de João Guilherme, Regiane Jorge, participa do protesto. (Foto: Paulo Francis)

Em meio ao protesto, a dor da família se traduzia em relatos marcados pela indignação e pela busca por respostas. A mãe, Regiane Jorge, de 34 anos, afirmou que o ato é um pedido de justiça. “Eu estou reivindicando a justiça pelo que fizeram com o meu filho, o que eu passei, o que ele passou, o que era para ter sido feito e o que fizeram com ele. É isso que queremos”, disse. Emocionada, ela descreveu a dificuldade de lidar com a perda. “Era um guri saudável, estava com um machucado só no joelho e aconteceu tudo isso. Eu não durmo direito, não como direito. Eu quero saber o que fizeram com o meu filho.”

A irmã, Stephany Jorge, de 21 anos, também participou do ato e reforçou o sentimento de vazio deixado pela morte. “É uma dor que ninguém nunca vai superar. É um buraco que ficou no nosso peito. A gente precisa de uma resposta para tentar, pelo menos, ter um alívio”, afirmou. Parentes próximos, como tias e primos, também estavam presentes, em um movimento que, segundo a família, representa uma tentativa de transformar o luto em cobrança por esclarecimentos.

Em ato silencioso, família cobra justiça por morte de menino
Familiares protestam no centro de Campo Grande. (Foto: Paulo Francis)

O caso - João Guilherme morreu após a família procurar atendimento médico em diferentes datas, desde o dia 2 de abril, quando sofreu uma queda e machucou o joelho. Conforme boletim de ocorrência, ele passou por unidades de pronto atendimento, realizou exames e foi liberado com medicação, mesmo com queixas persistentes de dor. A suspeita de lesão no joelho só foi registrada no dia 5, com orientação para imobilização feita no dia seguinte. O quadro se agravou no dia 6, quando o menino desmaiou e deu entrada desacordado em uma UPA, sendo transferido posteriormente para a Santa Casa, onde morreu após tentativas de reanimação.

O caso foi registrado como homicídio culposo e é investigado pela Polícia Civil, com encaminhamento à Delegacia Especializada de Proteção à Criança e ao Adolescente (DEPCA). A Secretaria Municipal de Saúde informou que apura o atendimento por meio da análise de prontuários e que eventuais responsabilidades serão verificadas. Enquanto isso, a família segue mobilizada, à espera de respostas que possam, ao menos, explicar uma perda que, para eles, permanece sem sentido.

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