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Capital

Policial militar pede desculpas após briga que causou a ira de motoboys

Confusão terminou com protesto de motociclistas, rojões e idosa de 78 anos em estado de choque no bairro

Por Ana Paula Chuva e Inez Nazira | 09/06/2026 09:29
Policial militar pede desculpas após briga que causou a ira de motoboys
Policial militar admitiu que se excedeu, mas negou ameaças a entregador (Foto: Inez Nazira)

O policial militar Luiz Guilherme Rodrigues, de 51 anos, admitiu ter se exaltado durante a discussão com um entregador de aplicativo que viralizou nas redes sociais e antecedeu uma mobilização de motociclistas em frente à sua residência, em Campo Grande. O caso aconteceu na madrugada de domingo (7), na Vila Sobrinho.

RESUMO

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Policial militar de 51 anos admitiu ter se exaltado em discussão com entregador de aplicativo em Campo Grande, episódio que viralizou nas redes sociais e gerou protesto de motociclistas em frente à sua residência, na Vila Sobrinho. O caso foi registrado como ameaça, dano e incitação ao crime. O entregador compartilhou o endereço da entrega, o que motivou o grupo a retornar ao local, derrubando o portão da casa.

Em entrevista ao Campo Grande News na manhã desta terça-feira (9), ele reconheceu que utilizou palavras inadequadas durante o bate-boca, mas negou ter ameaçado ou tentado agredir fisicamente o trabalhador. "Reconheço que falei coisas no calor do momento e peço desculpas por isso. Talvez minhas palavras tenham soado como ameaça, mas em nenhum momento toquei nele", afirmou.

O caso começou quando Luiz Guilherme e a esposa aguardavam a entrega de um lanche pedido pelo aplicativo. Consumidores frequentes de delivery, os dois estavam na sala assistindo televisão enquanto esperavam o pedido. Como a residência fica em uma esquina movimentada, ouvir buzinas na rua faz parte da rotina da família.

Segundo o policial, o clima mudou quando o entregador chegou ao local e passou a buzinar de forma insistente. "Ouvimos uma buzina extremamente agressiva, muito forte, claramente em tom de provocação", relatou. Ao sair para atender o pedido, a esposa teria sido recebida com a reclamação de que o motociclista aguardava havia cerca de dez minutos.

Luiz Guilherme afirma que contestou a informação e explicou que não haviam saído antes porque outras buzinas haviam sido ouvidas na rua. A discussão se intensificou quando ele mencionou a existência de uma campainha no portão da residência. De acordo com seu relato, o entregador respondeu de forma irônica ao ser questionado sobre o equipamento.

"Confesso que me irritei e passei a responder no mesmo tom em que ele estava falando comigo", disse.

Ainda conforme o policial, o entregador passou a gravar a discussão com o celular durante o desentendimento. Luiz afirma que, naquele momento, a postura do motociclista mudou. "Antes falava comigo de forma agressiva e, quando começou a filmar, passou a agir de outro jeito. Eu realmente estava nervoso e agi de forma passional, enquanto ele parecia preocupado em transformar aquilo em conteúdo para a internet", declarou.

Apesar de reconhecer que utilizou palavras inadequadas, Luiz Guilherme sustenta que não houve agressão física. "Talvez minhas palavras tenham sido interpretadas como ameaça, mas foi algo dito no calor da discussão, sem qualquer intenção real de agressão", afirmou.

Horas depois um grupo de motociclistas se reuniu em frente à residência da família, promovendo buzinaços, soltando fogos de artifício e causando tumulto na região. Durante a confusão, o portão da casa acabou derrubado.

Para o policial, o episódio ultrapassou os limites de uma discussão entre duas pessoas e passou a representar um problema de segurança pública. "Se reunir um grupo de 15 ou 20 pessoas para atacar uma residência é algo muito perigoso para toda a sociedade. Isso já aconteceu em outros estados e sabemos que situações assim podem sair do controle", afirmou.

O impacto da mobilização também foi relatado pela aposentada Eleice Ifran Lopes, de 68 anos. Segundo ela, familiares idosos ficaram em estado de choque diante da movimentação. "Nunca aconteceu uma situação dessas aqui. Foi uma verdadeira loucura. Minha irmã, de 78 anos, começou a tremer sem parar. Meu sobrinho precisou colocar um remédio embaixo da língua para tentar acalmá-la", contou.

Eleice relatou que, ao ouvir os fogos e a gritaria, chegou a acreditar que se tratava de uma situação ainda mais grave. "Aquilo foi um terror. Quando comecei a ouvir os barulhos, pensei que fosse tiroteio. Eles soltavam fogos e faziam gritaria de um lado e do outro", relatou.

A aposentada também questiona a versão apresentada pelo entregador sobre sua participação nos acontecimentos posteriores. Segundo ela, mesmo que ele não tenha comparecido ao local durante o protesto, teria contribuído para mobilizar os participantes por meio de mensagens compartilhadas em grupos.

"Mesmo que ele não estivesse aqui, foi ele quem incentivou a situação. Ele tumultuou tudo e ajudou a provocar toda essa confusão", afirmou.

Caso

Segundo o boletim de ocorrência, a confusão começou quando um entregador de 33 anos chegou ao endereço para realizar uma entrega por aplicativo. Ele relatou que utilizou a buzina da motocicleta para chamar alguém da residência e aumentou o volume após demora no atendimento.

Ainda conforme a versão do motoentregador, o policial militar saiu do imóvel e reclamou do barulho. O entregador afirmou que foi ameaçado durante a discussão. Segundo o relato prestado à polícia, o morador teria dito: "Aqui não é zona. Se você buzinar de novo, eu vou arrebentar a sua cara, seu palhaço".

O entregador informou que gravou a situação com o celular e publicou o vídeo nas redes sociais após deixar o local. Conforme seu depoimento, outros profissionais pediram o endereço da entrega e ele compartilhou a imagem da nota do pedido.

Pouco tempo depois, diversos motociclistas retornaram ao endereço.

Já de acordo com o morador, cerca de 15 motoboys ficaram em frente à residência, acionaram buzinas, chutaram o portão de metal e provocaram desordem na rua. O portão caiu sobre um veículo Citroën C4 Cactus estacionado na garagem e causou amassados e riscos na lataria.

A Polícia Militar foi acionada e iniciou diligências para localizar o entregador apontado como responsável pela publicação que divulgou o endereço. Conforme o boletim, equipes encontraram o profissional na tarde de segunda-feira e o conduziram à delegacia para prestar esclarecimentos. O caso foi registrado  como ameaça, dano, dano qualificado e incitação ao crime.

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