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Cidades

Em MS, Justiça proíbe fertilização em fazenda por suspeita de substância tóxica

Relatórios apontaram a presença do cromo hexavalente, que é associado a alergia e câncer

Por Cassia Modena | 17/04/2026 14:21
Em MS, Justiça proíbe fertilização em fazenda por suspeita de substância tóxica
Flagrante de caminhão despejando resíduo de curtume com conteúdo desconhecido, em 2020 (Foto: Polícia Civil/Arquivo)

A Justiça aceitou uma ação proposta pelo MPMS (Ministério Público de Mato Grosso do Sul) e decidiu liminarmente suspender a fertirrigação, uma técnica de fertilização, na Fazenda Palmeira. O motivo são indícios de que o material utilizado nessa prática contenha substância tóxica vinda de curtumes e unidades de processamento animal, que é capaz de contaminar o solo, cursos d’água e atingir o lençol freático.

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A Justiça aceitou ação do MPMS e suspendeu liminariamente a fertirrigação na Fazenda Palmeira, entre Campo Grande e Terenos, por indícios de uso de substâncias tóxicas de curtumes, incluindo cromo hexavalente, associado a câncer. A propriedade é da família Metello, e o despejo irregular envolve a empresa Qually Peles e o empresário Jaime Valler. A JBS também foi incluída no processo por compartilhar rede de drenagem com a Qually.

A propriedade pertence à família Metello e fica entre Campo Grande e Terenos. O despejo irregular pode ter sido realizado pela empresa Qually Peles, do pecuarista Jaime Valler.

Relatórios anexos demonstram a presença de cromo na forma hexavalente, um resíduo perigoso associado a alergias e ao câncer. Mesmo o cromo trivalente, que pode ser autorizado dentro de certos limites, estaria presente em quantidade 50 vezes superior ao previsto no projeto apresentado pela Qually para o uso da fertirrigação, segundo um estudo da UFMS (Universidade Federal de Mato Grosso do Sul).

A liminar também proíbe que os donos da fazenda permitam o uso das terras sem autorização ambiental. Caso desrespeitem a decisão, estão sujeitos a multa diária de R$ 5 mil, limitada a R$ 500 mil.

A fertirrigação pode estar ocorrendo em outras fazendas que possuem ou não licença para a atividade, segundo suspeita do MPMS. As outras citadas são a Grama Pontal, a Pontezinha e a Santa Elisa. Isso será analisado no decorrer do processo. A Justiça ainda vai avaliar se houve contaminação do solo e impacto na água.

Defesas - A defesa da família Metello entregou um estudo ambiental à Justiça, realizado em dezembro de 2025, que exclui a presença de cromo hexavalente, mas admite contaminação de cromo trivalente em quantidade superior ao permitido em uma entre cinco áreas analisadas. Os proprietários já se colocaram à disposição para adotar medidas de descontaminação e recuperação.

Arlindo Muniz, advogado da Qually Peles e Jayme Valler, falou com a reportagem hoje (17). Ele questionou a data dos relatórios relacionados ao caso pelo MPMS. Explicou que os mesmos documentos constaram em outro processo "em que a própria sentença faz menção ao período de 2014 a 2022", portanto, "esses fatos não são atuais e o juiz já apontou que todas as irregularidades foram sanadas", pontuou.

Muniz afirma que o curtume não utiliza cromo hexavalente em suas atividades e que o trivalente é de uso comum na agricultura. Ele informa ainda que a Fazenda Palmeira não recebe lançamentos da Qually há mais de um ano e que autorizações ambientais chegaram a ficar pendentes devido a um "arquivamento irregular", pois "não foi expedida autorização por parte dos órgãos oficiais" no tempo estipulado.

JBS - A empresa JBS foi incluída nos autos por operar no mesmo polo industrial e usar a mesma rede de drenagem e lançamento de efluentes que a Qually. Inclusive, o MPMS aponta que o rompimento de uma tubulação de despejo e a poluição do Córrego Imbirussu, em Campo Grande, pode ter relação com esse sistema compartilhado.

O córrego faz parte de uma bacia hidrográfica de 55,1 km², que atravessa 11 bairros de Campo Grande. De acordo com o relatório do Programa Córrego Limpo, da prefeitura, as águas classificaram-se como de qualidade ruim. Identificou-se fósforo, turbidez (opacidade da água) e coliformes (bactérias indicadoras de contaminação) em amostras. A análise foi publicada em 2018.

Os advogados de defesa da JBS pediram a exclusão da empresa do processo, alegando que ela opera dentro da legalidade e que suas atividades não causam poluição. A Justiça negou o pedido e a parte segue como ré.

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