ACOMPANHE-NOS    
JULHO, SEGUNDA  06    CAMPO GRANDE 22º

Cidades

Em três meses, isolamento social afrouxou e casos da covid explodiram em MS

No princípio de abril, a população ainda estava sensível aos apelos dos médicos, mas aos poucos medidas foram negligenciadas

Por Maressa Mendonça | 30/06/2020 17:18
Campo-grandenses usam máscara para caminhar no centro da cidade (Foto: Kisie Ainoã)
Campo-grandenses usam máscara para caminhar no centro da cidade (Foto: Kisie Ainoã)


O isolamento social em Mato Grosso do Sul está cada vez mais distante do recomendado pela OMS (Organização Mundial de Saúde) e as consequências disso estão sendo registradas diariamente em boletins divulgados pelas secretarias estadual e municipal de Saúde.

O Estado acumula, nesta terça-feira (30), 82 óbitos pela covid-19. Junho foi o pior mês com 61 mortes em decorrência da doença.

As mortes e confirmações do novo coronavírus foram crescendo à medida que o isolamento social afrouxou. Em abril, o Estado ocupava bons lugares no ranking quando o assunto era “ficar em casa”, mas aos poucos a população foi negligenciando a medida.

Dados da SES (Secretaria de Estado de Saúde) apontam que no dia 1º de abril, Mato Grosso do Sul tinha mais da metade da população cumprindo isolamento social. Os municípios de Jateí e Bela Vista estavam, na ocasião, com 73% e 74% dos moradores em casa. São Gabriel do Oeste ocupava o último lugar no ranking com taxa de isolamento de 36,1%.

Um mês depois e o cenário já começou a mudar. No dia 1º de maio, a taxa de isolamento no Estado ficou em 45,8%. Era um sinal de alerta, mas ainda aceitável. Outros 23 estados apresentavam médias semelhantes.

Naquele dia, apenas 11 municípios do Estado estavam na “faixa verde”, ou seja, com bons índices de isolamento, mas nenhum chegava a 70%. Vicentina ocupava o 1º lugar da lista, com taxa de 61,4%. Outros 27 dos 79 municípios do estado estavam na faixa vermelha.

Campo Grande tinha na ocasião uma taxa de isolamento de 45,5% e Dourados de 47,4%.

Guardas municipais encerram festa para impedir aglomeração na Capital (Foto: Divulgação/Guarda)
Guardas municipais encerram festa para impedir aglomeração na Capital (Foto: Divulgação/Guarda)

Junho começou com índices de isolamento reduzido, com taxas muito abaixo dos 40% durante todo o mês. No dia 1º, Mato Grosso do Sul ficou entre os três piores estados do Brasil no quesito isolamento social, com 37, 42% na ocasião. Campo Grande marcava naquele dia 36,62% também ficando entre as capitais com piores índices.

Nesta segunda-feira (29), apenas 38, 4% da população sul-mato-grossense ficou em casa e o estado voltou a ocupar o 3º lugar entre os piores, perdendo apenas para Goiás e Tocantins.

Os campo-grandenses contribuíram muito com esse ranking e apresentaram nesta segunda-feira taxa de apenas 37,95%.

Pacientes com sintoma da covid-19 esperam para realizar o teste no Polo de Atendimento do Parque Ayrton Senna (Foto: Kisie Ainoã)
Pacientes com sintoma da covid-19 esperam para realizar o teste no Polo de Atendimento do Parque Ayrton Senna (Foto: Kisie Ainoã)


Confirmações e mortes - No dia 1º de junho, Mato Grosso do Sul tinha 1.268 casos confirmados da doença, 7.316 notificações e 20 óbitos. No dia 8, os casos confirmados somavam 1.865 com 10.487 notificações e 22 óbitos. Até então as confirmações diárias ficavam abaixo de 100.

No dia 16 de junho, foram confirmados 234 novos casos no Estado. A soma chegou a 3.023, com 36 óbitos.

Em 23 de junho, foram confirmados mais 393 novos casos chegando a 4.656 o total. Os óbitos somavam 55 no Estado. Do dia 23 para o dia 24 foram confirmados mais 417 novos casos e no dia 25 mais 322.

As confirmações de novos casos continuaram crescendo assustadoramente neste mês e de segunda para terça-feira foram registrados seis óbitos pela doença, um a cada 4 horas.

Com isto, junho fechou como o pior mês quando o assunto é o novo coronavírus e o Estado chegou a 82 mortes.

Ao avaliar os números durante live no Facebook, o titular da SES (Secretaria de Estado de Saúde) voltou a fazer um apelo pelo isolamento social “ infelizmente não estamos tendo o apoio da população nesse enfrentamento. Só vamos vencer essa guerra se tivermos a contribuição de cada cidadão do Mato Grosso do Sul. Isolamento social, uso de máscara, e medidas de higiene”, reforçou.