Empresa do golpe da energia solar faz vítimas em MS
Sediado em Natal (RN), empreendimento prometia rendimentos fraudulentos com a venda do serviço
Esquema conhecido como “golpe da energia solar”, que prometia rendimentos por meio da comercialização de créditos do serviço, fez ao menos duas vítimas em Mato Grosso do Sul. Dados do Tribunal de Justiça indicam pedidos judiciais de devolução de pelo menos R$ 288 mil investidos na fraude, atribuída à Alpha Energy Capital, empresa que mantinha escritórios em Natal (RN) e Barueri (SP).
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A Alpha Energy Capital, empresa investigada pela Polícia Federal no chamado "golpe da energia solar", fez pelo menos duas vítimas em Mato Grosso do Sul, que buscam na Justiça a devolução de R$ 288 mil. A empresa prometia rendimentos mensais de 4% a 5% através da comercialização de créditos de energia solar. Um servidor federal investiu R$ 114 mil entre julho de 2024 e janeiro de 2025, enquanto outro investidor de Dourados aplicou R$ 136 mil em agosto de 2024. A empresa, que movimentou ilegalmente cerca de R$ 151 milhões, divulgava possuir 11 usinas solares, mas investigações revelaram a existência de apenas uma unidade conectada à rede.
Em fevereiro de 2025, a Polícia Federal deflagrou a Operação Pleonexia, com ações em Natal, Barueri e Goiânia, mas sem cumprimento de mandados em Mato Grosso do Sul. Mesmo assim, decisão recente da 8ª Vara Cível de Campo Grande determinou o bloqueio de R$ 108 mil da empresa, que, segundo a PF, movimentou ilegalmente cerca de R$ 151 milhões.
Em um dos casos, um servidor federal firmou contrato com a Alpha Energy em julho de 2024, com aporte inicial de R$ 1 mil. “Atraído pela promessa de rentabilidade mensal de 5%, celebrou posteriormente outros onze contratos”, conforme a ação de restituição. O valor total investido chegou a R$ 114 mil, aplicado entre julho de 2024 e janeiro do ano passado, sem qualquer retorno financeiro.
De acordo com a Receita Federal, a Alpha Energy Capital atraía investidores de várias regiões do país, prometendo rendimentos mensais entre 4% e 5%, o que se mostrou insustentável e com fortes indícios de fraude. A empresa divulgava a existência de 11 usinas de energia solar, com capacidade de geração de 1.266.720 kWh por mês. “No entanto, a investigação revelou a existência de apenas uma usina efetivamente conectada à rede da distribuidora de energia local”, diz nota divulgada à época da operação.
Inicialmente, em novembro de 2025, o servidor teve o pedido de tutela de urgência negado, sendo determinada audiência de conciliação. Ao recorrer ao Tribunal de Justiça, conseguiu decisão favorável do desembargador Djailson de Souza, que concedeu a antecipação da tutela recursal e determinou o bloqueio de R$ 108 mil nas contas da empresa.
Segundo caso – Em Dourados, outro investidor aplicou R$ 136 mil no negócio fraudulento em agosto de 2024, valor economizado ao longo de 10 anos, segundo a ação judicial. “No decorrer do tempo, o autor tomou conhecimento de notícias que vinculavam a empresa ré a investigações por supostos crimes financeiros”, descreve o processo. Diante disso, ele denunciou o caso à Polícia Federal em Natal, enviando registros e documentos relacionados à Operação Pleonexia.
Mesmo assim, a 2ª Vara Cível de Dourados indeferiu o pedido de tutela de urgência, que solicita a restituição de R$ 181 mil, em valores atualizados. O juiz determinou a realização de audiência de conciliação, ainda não ocorrida, e também que o autor informe o endereço para localização e citação da empresa, por ser de sua responsabilidade.
A Alpha Energy Capital tem sido citada à revelia, ou seja, sem ser localizada para citações formais. Em âmbito nacional, a empresa teria “desaparecido”, apesar de afirmar, em comunicado oficial divulgado em março de 2025, que atuava de boa-fé e que não conseguia realizar os pagamentos prometidos devido ao bloqueio judicial de suas contas pela Polícia Federal.
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