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Cidades

Empresa envolvida em denúncia vence contrato de R$ 15,8 milhões na Educação

Mil Tec incorporou patrimônio da Itel Informática, alvo da Operação Lama Asfáltica

Por Tainá Jara | 12/05/2021 11:21
Sede da Secretaria de Educação, no Parque dos Poderes, em Campo Grande (Foto: Henrique Kawaminami/Arquivo)
Sede da Secretaria de Educação, no Parque dos Poderes, em Campo Grande (Foto: Henrique Kawaminami/Arquivo)

A empresa Mil Tec Tecnologia da Informação venceu licitação de R$ 15,8 milhões para gerir sistema de informação e gestão de dados escolares da SED (Secretaria de Estado de Educação). A contratação, com duração de 12 meses, foi publicada na edição desta quarta-feira, do Diário Oficial do Estado.

Especializada em suporte técnico, manutenção e outros serviços em tecnologia da informação, a empresa pertence a Ricardo Fernandes de Araújo, que era sócio de João Baird na Itel Informática, empresa investigada na Operação Lama Asfáltica da Polícia Federal.

Na época, a sociedade foi desfeita e a Itel encerrou as atividades, mas a Mil Tec incorporou a antiga empresa, assumindo também seus direitos patrimoniais. A empresa foi um dos alvos da 7ª fase da Lama Asfáltica. Para a operação, a Polícia Federal apontou que os sócios "João Baird e Antônio Cortez resolvessem abrir um negócio no Paraguai como meio de 1lavar dinheiro1 oriundos de crimes praticados por meio das empresas Itel, Mil Tec e PSG”.

Em 2018, os dois empresários entraram na Justiça, mas tiveram recurso negado ao pedido de desbloqueio de R$ 4,4 milhões da PSG Tecnologia da Informação e Mil Tec, denunciadas por lavagem de dinheiro e corrupção.

Conforme a publicação de hoje, desta vez, a serviço prestado pela Mil Tec incluiu a gestão de módulos, aplicativos e serviços integrados, com análise desenvolvimento, manutenção, documentação, testes e treinamentos de software; apoio, controle de qualidade, performance, atendimentos de apoio e produção.

O valor estimado global da licitação inicialmente era R$ 18,2 milhões, mas a contratação do tipo menor preço por item, acabou ficando mais barata com economia de R$ 2,4 milhões. A principal concorrente da Mil Tec foi a E2 Soluções em Tecnologia eliminada após apresentar erro na fase de apresentação de documentos.

No edital, como justificativa para contratar os serviços, a SED destacou a necessidade de proporcionar educação de qualidade aos alunos matriculados na rede estadual. “Desde há muito que informática faz parte do dia a dia na área educacional, quer seja em âmbito pedagógico como administrativo”.

De acordo com a secretaria, a princípio o MEC (Ministério da Educação) supriu tais necessidades com sistema integrado compartilhado à época com as Secretarias de Educação dos Estados.

Com a evolução da Informática, surgimento de novas tecnologias e obsolescência de recursos anteriormente usados, este modelo centralizado no MEC foi descontinuado deixando legado aos Estados, que evoluíram suas soluções, adequadas cada uma às prioridades e condições locais.

Contratos - Criada em 1996, a Mil Tec possui capital social de R$ 6,7 milhões, além de diversos contratos com a gestão pública. Conforme o Portal da Transparência do Governo do Estado, a empresa presta serviços para Educação desde 2015. O contrato, iniciado em R$ 9,9 milhões, foi renovado cinco vezes chegando ao valor de R$ 11,6 milhões, encerrado em 3 de maio deste ano.

O Campo Grande News tentou contato por telefone com a secretária de Educação do Estado, Maria Cecilia da Motta, mas não obteve resposta até o fechamento da reportagem.

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