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Economia

Governo declara 845 ha de utilidade pública para mineradora expandir transporte

Áreas em fazendas de Corumbá serão utilizadas para um corredor e terminal ferroviário

Por Maristela Brunetto | 10/02/2026 12:48
Governo declara 845 ha de utilidade pública para mineradora expandir transporte
Porto utilizado pela LHG para escoar minério extraído na região de Corumbá (Foto: Reprodução site da empresa)

RESUMO

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O Governo do Estado declarou de utilidade pública 845,9775 hectares em Corumbá para a mineradora LHG Mining, ligada aos irmãos Batista da JBS, implementar um sistema de transporte de minério. A área será utilizada para a construção de um Transportador de Correia de Longa Distância e um Terminal Ferroviário.O projeto faz parte de um plano de expansão que prevê investimentos de R$ 4 bilhões para dobrar a produção de ferro e manganês, passando de 12 para 25 milhões de toneladas anuais. A empresa já obteve financiamento de R$ 3,7 bilhões do BNDES para reforçar o transporte hidroviário na região do Pantanal.

O Governo do Estado declarou de utilidade pública 845,9775 hectares localizados em 13 trechos de fazendas de Corumbá para que a mineradora Lhg Mining Corumbá S.A, empresa ligada aos irmãos Batista, donos da JBS, possam desapropriar as áreas para a passagem de umTransportador de Correia de Longa Distância (TCLD) e um Terminal Ferroviário/Pátio de Produtos. As obras compõem o plano de expansão do grupo minerador, que entrou no setor em 2022, em sucessão à MCR (Mineração Corumbaense Reunida). O grupo espera investir na região rural de Corumbá R$ 4 bilhões para dobrar a produção de minério (ferro e manganês), subindo de 12 milhões de toneladas por ano para 25 milhões de toneladas por ano.

Conforme o decreto, os trechos mapeados para a estruturação da logística de transporte da LHG passam por nove propriedades, incluindo áreas próprias da mineradora. Pelo decreto, a empresa fica autorizada a buscar solução amigável ou mesmo judicial para a desapropriação das áreas, assumindo as despesas. A LHG poderá, inclusive, invocar urgência para concretizar a posse das áreas.

Com o fim do transporte ferroviário, o minério passou a ser escoado pelo Rio Paraguai ou mesmo completamente por rodovias quando o rio fica com o nível baixo, chegando a serem colocados 800 caminhões por dia pelas mineradoras que atuam na região do Pantanal. No caso da LHG, já havia sido noticiado por autoridades do Estado o interesse do grupo em criar um ramal ferroviário até um porto na margem do Rio. A empresa, inclusive, teve aprovado financiamento de R$ 3,7 bilhões do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) para a construção de balsas e empurradores para reforçar a navegação.

Governo declara 845 ha de utilidade pública para mineradora expandir transporte
Mapa da localização do empreendimento da LHG, incluído no pedido de licença ambiental

A mineradora tem apostado no transporte hidroviário, uma vez que os investimentos na Malha Oeste são incertos. O Governo Federal vai levar a leilão o ramal entre Corumbá e Mairinque na tentativa de atrair capital privado, admitindo, inclusive, repartir o trecho em lotes para facilitar a concessão. Em outra frente, também deve fazer a concessão da Hidrovia Paraguai Paraná, o que permitirá dragagens pontuais e melhorar as condições de navegabilidade.

A reportagem apurou que após a criação de uma nova rota viária, caminhões das mineradoras passaram a circular pela região onde vivem moradores de Porto Esperança, motivando reclamações e até investigação do Ministério Público. A existência de outra alternativa para escoar o minério da mina até o embarque também diminuiria o impacto sobre a comunidade.

O EIA/RIMA (Estudo de Impacto Ambiental) que apresentou para obter licença para a expansão, constou que o projeto a 58 km de Corumbá e a 430 km de Campo Grande, com acesso é realizado pela BR-262. A região de Corumbá é uma das áreas mais ricas em minérios do Brasil, destacando-se especialmente pelas jazidas de minério de ferro e manganês. Em um debate sobre o uso da hidrovia, realizado em 2024, um executivo da empresa considerou o minério da região com a “melhor qualidade do mundo”, retirado em pedras grandes, chamadas “lamps”.

Governo declara 845 ha de utilidade pública para mineradora expandir transporte
Embarcadouro na margem do Rio Paraguai, em Porto Esperança (Foto: Reprodução/ Diário Corumbaense)