Governo declara 845 ha de utilidade pública para mineradora expandir transporte
Áreas em fazendas de Corumbá serão utilizadas para um corredor e terminal ferroviário

RESUMO
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O Governo do Estado declarou de utilidade pública 845,9775 hectares localizados em 13 trechos de fazendas de Corumbá para que a mineradora Lhg Mining Corumbá S.A, empresa ligada aos irmãos Batista, donos da JBS, possam desapropriar as áreas para a passagem de umTransportador de Correia de Longa Distância (TCLD) e um Terminal Ferroviário/Pátio de Produtos. As obras compõem o plano de expansão do grupo minerador, que entrou no setor em 2022, em sucessão à MCR (Mineração Corumbaense Reunida). O grupo espera investir na região rural de Corumbá R$ 4 bilhões para dobrar a produção de minério (ferro e manganês), subindo de 12 milhões de toneladas por ano para 25 milhões de toneladas por ano.
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Conforme o decreto, os trechos mapeados para a estruturação da logística de transporte da LHG passam por nove propriedades, incluindo áreas próprias da mineradora. Pelo decreto, a empresa fica autorizada a buscar solução amigável ou mesmo judicial para a desapropriação das áreas, assumindo as despesas. A LHG poderá, inclusive, invocar urgência para concretizar a posse das áreas.
Com o fim do transporte ferroviário, o minério passou a ser escoado pelo Rio Paraguai ou mesmo completamente por rodovias quando o rio fica com o nível baixo, chegando a serem colocados 800 caminhões por dia pelas mineradoras que atuam na região do Pantanal. No caso da LHG, já havia sido noticiado por autoridades do Estado o interesse do grupo em criar um ramal ferroviário até um porto na margem do Rio. A empresa, inclusive, teve aprovado financiamento de R$ 3,7 bilhões do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) para a construção de balsas e empurradores para reforçar a navegação.
A mineradora tem apostado no transporte hidroviário, uma vez que os investimentos na Malha Oeste são incertos. O Governo Federal vai levar a leilão o ramal entre Corumbá e Mairinque na tentativa de atrair capital privado, admitindo, inclusive, repartir o trecho em lotes para facilitar a concessão. Em outra frente, também deve fazer a concessão da Hidrovia Paraguai Paraná, o que permitirá dragagens pontuais e melhorar as condições de navegabilidade.
A reportagem apurou que após a criação de uma nova rota viária, caminhões das mineradoras passaram a circular pela região onde vivem moradores de Porto Esperança, motivando reclamações e até investigação do Ministério Público. A existência de outra alternativa para escoar o minério da mina até o embarque também diminuiria o impacto sobre a comunidade.
O EIA/RIMA (Estudo de Impacto Ambiental) que apresentou para obter licença para a expansão, constou que o projeto a 58 km de Corumbá e a 430 km de Campo Grande, com acesso é realizado pela BR-262. A região de Corumbá é uma das áreas mais ricas em minérios do Brasil, destacando-se especialmente pelas jazidas de minério de ferro e manganês. Em um debate sobre o uso da hidrovia, realizado em 2024, um executivo da empresa considerou o minério da região com a “melhor qualidade do mundo”, retirado em pedras grandes, chamadas “lamps”.



