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Falta um passo para a história: Ponte Bioceânica deve ser unida ainda neste mês

Obra de US$ 100 milhões transformará Porto Murtinho em porta de entrada para o comércio sul-americano

Por José Cândido e Toninho Ruiz, de Porto Murtinho | 11/06/2026 16:39
Falta um passo para a história: Ponte Bioceânica deve ser unida ainda neste mês
Ponte Internacional Bioceânica, que deverá ter suas estruturas unidas ainda neste mês, consolidando a ligação entre Brasil e Paraguai e abrindo um novo corredor logístico para a América do Sul. (Foto Toninho Ruiz)

A história da integração sul-americana está prestes a ganhar uma imagem que ficará para sempre registrada na memória do continente. A apenas 5,60 metros de distância, as estruturas da Ponte Internacional Bioceânica avançam para um encontro aguardado há décadas e que simboliza muito mais do que uma ligação física entre dois países: representa a abertura de um novo capítulo econômico, logístico e geopolítico para a América do Sul.

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A Ponte Internacional Bioceânica, que liga Porto Murtinho, no Mato Grosso do Sul, à cidade paraguaia de Carmelo Peralta, está a 5,60 metros de concluir sua estrutura principal. O "beijo das aduelas", união dos segmentos de concreto das duas margens, está previsto para 26 de junho. Financiada pela Itaipu Binacional com cerca de 100 milhões de dólares, a obra de 1.294 metros integrará Brasil, Paraguai, Argentina e Chile pela Rota Bioceânica.

Nesta quinta-feira (11), a reportagem percorreu o canteiro de obras da ponte que conecta Porto Murtinho, em Mato Grosso do Sul, à cidade paraguaia de Carmelo Peralta. Integrante do complexo viário da Rota Bioceânica, a estrutura está em sua fase final de construção e já permite visualizar o momento histórico que se aproxima.

Se o cronograma for mantido, no próximo dia 26 de junho acontecerá o chamado "beijo das aduelas" — a união dos segmentos de concreto que avançam simultaneamente das margens brasileira e paraguaia. Será o instante em que as duas extremidades finalmente se tocarão, encerrando um desafio de engenharia que mobiliza trabalhadores, técnicos e autoridades dos dois países.

A cena terá forte significado simbólico. Não será apenas o encontro de duas estruturas de concreto sobre o Rio Paraguai, mas a materialização de um projeto concebido para aproximar mercados, reduzir distâncias e criar uma nova rota de desenvolvimento ligando o Atlântico ao Pacífico.

Sob a coordenação do engenheiro paraguaio René Gomés, a construção segue dentro do cronograma estabelecido. Caso ocorram ajustes operacionais, a conexão definitiva entre as duas margens deverá ocorrer até o final deste mês.

Financiada pela Itaipu Binacional com investimento aproximado de US$ 100 milhões, a Ponte Internacional Bioceânica é considerada uma das mais relevantes obras de infraestrutura em execução na América do Sul. Com 1.294 metros de extensão, ela será o elo central do corredor rodoviário que conectará Brasil, Paraguai, Argentina e Chile, criando uma alternativa logística estratégica para o escoamento da produção rumo aos portos do Oceano Pacífico.

Falta um passo para a história: Ponte Bioceânica deve ser unida ainda neste mês
Ponte Bioceânica está a 5,6 metros de transformar Porto Murtinho em portal para o Pacífico. (Foto Toninho Ruiz)

Enquanto a ponte se aproxima de sua conclusão, as obras complementares também avançam. No Paraguai, os trabalhos de acesso se desenvolvem em um trecho de aproximadamente quatro quilômetros até a rodovia PY-15, com execução de aterros hidráulicos. No Brasil, as intervenções abrangem 13,1 quilômetros, incluindo viadutos, terraplenagem e estruturas de conexão que integrarão a ponte à malha rodoviária nacional.

Para Mato Grosso do Sul, a obra representa uma transformação histórica. Porto Murtinho, cidade localizada às margens do Rio Paraguai, deixa de ser apenas um ponto de fronteira para assumir posição estratégica em uma das principais rotas de comércio internacional do continente.

A cada aduela instalada, a ponte deixa de ser uma promessa e se transforma em realidade. Falta menos de uma semana para que o concreto vindo do Brasil encontre o concreto que avança do Paraguai. Quando isso acontecer, não será apenas uma ponte que estará unida. Estarão mais próximos os povos, os mercados e os sonhos de integração de uma região que, durante décadas, aguardou por este momento.

A contagem regressiva entrou na reta final. E a história já pode ser vista a poucos metros de distância.