Carro barato vira isca para golpe que já fez várias vítimas em MS
Estelionatário copia anúncio, cria negociação paralela e orienta envolvidos a não conversarem sobre valores
Uma oferta de carro muito abaixo do valor de mercado pode esconder um golpe em que comprador e vendedor são enganados ao mesmo tempo. O esquema começa com a cópia de um anúncio verdadeiro e termina, em muitos casos, com o comprador fazendo um Pix para uma conta de terceiro sem receber o veículo.
RESUMO
Nossa ferramenta de IA resume a notícia para você!
Golpes na compra de veículos têm lesado compradores em Mato Grosso do Sul. O esquema consiste na cópia de anúncios reais para atrair vítimas, que transferem dinheiro a criminosos sem receber o carro. Casos recentes registraram prejuízos de R$ 65 mil, R$ 63,5 mil e R$ 18,5 mil. Autoridades orientam a negociar diretamente com o proprietário, não transferir valores a terceiros e acionar o banco imediatamente em caso de fraude.
O alerta é do delegado Edson Caetano, da Polícia Civil de Mato Grosso do Sul, que explicou em vídeo como funciona a fraude e deu orientações para evitar o prejuízo. Segundo ele, o criminoso procura primeiro quem está vendendo o veículo e demonstra interesse na compra, mas pede que o anúncio seja retirado do ar.
- Leia Também
- Homem perde R$ 80 mil após cair em golpe do falso promotor por videochamada
- Mulher tenta comprar carro por R$ 65 mil e vendedor foge após transferência
Com as informações e fotos do carro em mãos, o golpista passa a anunciar o mesmo veículo em outras plataformas por um preço mais baixo. É aí que entra a segunda vítima: o interessado vê a suposta oportunidade, entra em contato com o estelionatário e acredita estar negociando diretamente com o proprietário.
Ao comprador, o golpista costuma dizer que o veículo está em nome de outra pessoa. Já para o verdadeiro proprietário, afirma que quem irá ver ou retirar o carro é um parente, amigo ou funcionário. O criminoso ainda orienta os dois lados a não comentarem entre si o valor negociado.
Dessa forma, o comprador pode chegar a ver e avaliar o veículo verdadeiro, acreditando que está diante da pessoa que está intermediando a venda. O dono, por outro lado, também acredita que está tratando com alguém enviado pelo suposto comprador.
O problema aparece na hora do pagamento. O comprador faz a transferência para a conta indicada pelo golpista, enquanto o proprietário espera receber o dinheiro de quem acredita ser o comprador. Em alguns casos, segundo o delegado, os dois chegam a sair do cartório sem sequer conversar sobre o valor da negociação.
“Para ambos, diz que não é para falar sobre o valor que está sendo negociado o veículo”, explicou Caetano.
O delegado orienta que quem pretende comprar um veículo converse diretamente com o proprietário e jamais faça transferência para uma conta de terceiro. Outra recomendação é não confiar apenas em comprovantes de Pix enviados por WhatsApp. “Verifique primeiro na sua conta corrente se o dinheiro realmente entrou”, orientou.
O carro "vai", e o prejuízo fica - Nesta sexta-feira (11), uma mulher de 26 anos perdeu R$ 65 mil durante uma tentativa de compra de um Hyundai Creta anunciado no Marketplace, em Paranaíba, a 410 quilômetros de Campo Grande. O veículo chegou a ser transferido para o nome dela, mas o vendedor fugiu no momento em que deveria entregar o carro.
O pagamento foi dividido em duas transferências, de R$ 23 mil e R$ 42 mil, enviadas para duas contas bancárias diferentes. Depois de receber os valores, o homem deixou o local sem entregar o veículo.
Em agosto, outro homem, de 47 anos, perdeu R$ 63,5 mil em uma fraude semelhante. Ele encontrou na internet um veículo anunciado em Dourados, a 250 quilômetros da Capital, e negociou a compra por aplicativo de mensagens.
Durante a conversa, o estelionatário chegou a usar outro número para se passar por um familiar da vítima e confirmar que uma vistoria havia sido realizada. Convencido de que o negócio era verdadeiro, o homem fez cinco transferências via Pix para duas contas.
Em outro caso, registrado em 8 de agosto, uma mulher de 41 anos perdeu R$ 18,5 mil ao tentar comprar um carro anunciado em Campo Grande. Ela pediu que um familiar que mora na Capital verificasse o veículo, mas acabou conversando com um golpista que usava a mesma foto do parente no aplicativo de mensagens.
Acreditando estar falando com o familiar, fez três transferências via Pix, de R$ 8 mil, R$ 5 mil e R$ 5,5 mil. A fraude só foi descoberta quando o verdadeiro parente entrou em contato e contou que ainda não havia visto o veículo.
Já em março, outra mulher, de 26 anos, perdeu R$ 11,6 mil durante a tentativa de comprar um carro anunciado no Marketplace. O veículo estaria em São Gabriel do Oeste, e um suposto familiar chegou a confirmar por telefone que o automóvel estava em boas condições.
A vítima enviou documentos pessoais e fez três transferências via Pix e uma TED para contas indicadas pelo golpista. Depois, descobriu que o verdadeiro parente ainda nem havia ido verificar o veículo.
Caiu no golpe? - Para quem percebe que foi vítima depois de realizar uma transferência, a orientação é contestar imediatamente a transação pelo aplicativo do banco, registrar boletim de ocorrência e guardar comprovantes, conversas, números de telefone, anúncios e demais informações usadas durante a negociação.
No caso do Pix, também é possível solicitar ao banco o MED (Mecanismo Especial de Devolução), procedimento criado para tentar recuperar valores em situações de fraude.
A principal recomendação, porém, é desconfiar de preços muito abaixo do mercado e, não fazer o pagamento antes de confirmar quem é o verdadeiro proprietário e para quem o dinheiro está sendo enviado.
Receba as principais notícias do Estado pelo Whats. Clique aqui para acessar o canal do Campo Grande News e siga nossas redes sociais.


