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Capital

Estrutura de obra que matou 2 tem novo desabamento e concreto ameaça fiação

Viga ficou pendurada em outra estrutura após novo desabamento; moradores temem que queda atinja rede elétrica

Por Jhefferson Gamarra e Mauricio Aguiar | 13/09/2026 13:11
Estrutura de obra que matou 2 tem novo desabamento e concreto ameaça fiação
Concreto que caiu durante a madrugada ficou apoiada em estrutura (Foto: Paulo Francis)

Uma nova parte da estrutura do supermercado que estava sendo construído na Avenida Rachel de Queiroz, no Bairro Aero Rancho, em Campo Grande, desabou durante a madrugada deste domingo (13), poucos dias depois do acidente que matou dois trabalhadores e deixou outros dois feridos no local. Desta vez, ninguém estava no local.

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Nova parte da estrutura do supermercado em construção na Avenida Rachel de Queiroz, no Bairro Aero Rancho, em Campo Grande, desabou na madrugada deste domingo (13). O incidente ocorreu por volta de 0h08 e foi registrado por câmeras de segurança. Ninguém se feriu, mas uma viga de concreto ficou pendurada próxima à fiação elétrica. O local havia sido o cenário de um acidente, em 4 de setembro, que matou dois trabalhadores.

Câmeras de segurança da região flagraram o momento do novo desabamento. O registro ocorreu por volta de 0h08, segundo a moradora Célia dos Santos, que estava em casa com o marido quando ouviu o estrondo. "Era meia-noite e oito. Desabou tudo, meu marido ouviu e está gravado", relatou.

Após o novo desabamento, uma viga de concreto ficou pendurada em outra parte da estrutura e próxima à fiação elétrica. A situação preocupa moradores da região, que temem que a peça não suporte o peso e caia sobre os fios.

Segundo Célia, embora a região esteja com energia, há estruturas próximas aos postes que ainda representam risco. "Está, mas a qualquer hora aquele poste pode desabar. Tem dois, como vocês viram, e ali também. Na hora que ele desabar e não aguentar, vai cair tudo em cima da fiação."

A moradora afirma que a situação causa medo principalmente para quem precisa passar pela área. "Está um perigo. Não dá nem para sair embaixo, não dá para fazer nada. Vai cair e vai matar mais gente?"

O acesso à rua chegou a ser fechado após o primeiro desabamento, mas, conforme o relato da moradora, a barreira foi retirada ou acabou sendo levada pelo vendaval. Com isso, veículos e pedestres voltaram a circular normalmente pelo trecho, mesmo com a estrutura ainda apresentando risco.

"Estava tudo fechadinho, mas as pessoas aqui abriram. Não é culpa deles, mas está perigoso. Esse é o único medo que a gente tem."

Célia também teme que uma eventual queda sobre a rede elétrica provoque danos nos fios, interrupção no fornecimento de energia e até princípio de incêndio. "Se tirar esses fios aí, vai rebentar tudo e pegar fogo. E aí vai acabar a luz aqui, vai ser aquele transtorno."

Diante do novo desabamento, a preocupação dos moradores é que outra parte da estrutura ceda enquanto o local permanece com circulação de pessoas. "Está complicado. Eu fico com medo, porque olha aí. Se chegar a cair, vai rebentar, vai virar fogo", afirmou Célia.

Tragédia - O novo desabamento ocorre nove dias após o acidente que atingiu a obra do supermercado Mister Júnior, também na Avenida Rachel de Queiroz. Na tarde de 4 de setembro, uma estrutura de aproximadamente 14 metros desabou enquanto trabalhadores estavam no local.

Willian Douglas Souza Cabral, de 39 anos, e Joel Oliveira da Silva, de 41, morreram. Outros dois trabalhadores ficaram feridos e foram encaminhados para atendimento médico.

Na ocasião, câmeras de segurança também registraram o momento do colapso, que ocorreu por volta das 14h07. As imagens mostraram a estrutura cedendo em sequência.

O Crea-MS (Conselho Regional de Engenharia e Agronomia de Mato Grosso do Sul) e a Perícia Científica foram acionados para investigar as causas do acidente. Entre as hipóteses preliminares levantadas pelo conselho estão falha no projeto ou durante a montagem da estrutura pré-fabricada.

Após o acidente, o Crea-MS solicitou documentos relacionados à segurança da obra, incluindo planos de segurança, laudos de inspeção dos equipamentos utilizados para içamento de cargas e projetos complementares da construção.