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Cidades

Líder no ranking nacional, MS tem quase 90% dos homicídios esclarecidos

Percentual se iguala à taxa de resolução dos órgãos de segurança de primeiro mundo

Por Dayene Paz | 13/10/2021 11:53
Perícia tem papel importante em elucidação dos crimes. (Foto: Divulgação)
Perícia tem papel importante em elucidação dos crimes. (Foto: Divulgação)

O Estado de Mato Grosso do Sul têm 89% dos homicídios esclarecidos, segundo pesquisa do Instituto Sou da Paz, divulgada nesta quarta-feira (13). O percentual é mais que o dobro da média nacional, de 44% e, se iguala à taxa de resolução dos órgãos de segurança de primeiro mundo.

O estudo leva em consideração assassinatos cometidos do Brasil em 2018, ano em que foram registrados mais de 48 mil homicídios dolosos no país – 488 somente em MS – que tenham sido resolvidos com apresentação de denúncia no mesmo ano ou até o fim de 2019.

O estudo do Instituto mostra MS liderando o ranking, em seguida, Santa Catarina (83%) e Distrito Federal (81%). Já Paraná (12%), Rio de Janeiro (14%) e Bahia (22%) foram os estados com as menores taxas.

Para o delegado geral da Polícia Civil de Mato Grosso do Sul, Adriano Garcia Geraldo, a alta resolução de casos está ligada a capacitação da equipe de investigação, como policiais e a equipe de perícia. "Está ligada a formação e capacitação do material humano. Nosso policial é diferenciado, tem uma vontade muito grande de dar uma pronta resposta e isso vem desde a formação, nos bancos de academia da polícia, nos cursos de capacitação", revela.

Gráfico mostra MS liderando resolução de crimes violentos. (Foto: Divulgação)
Gráfico mostra MS liderando resolução de crimes violentos. (Foto: Divulgação)

"É uma cultura que foi incrementada na Polícia Civil de MS. Nos crimes contra a vida, nós temos que dar uma resposta para a sociedade, para a família que perdeu um ente querido e que isso seja feito da forma mais rápida possível", destaca o delegado geral.

Geraldo cita investimentos com viaturas, coletes balísticos, munições e reformas nas unidades policiais como parte do processo de motivação dos servidores da Segurança Pública. "Outro fator é a integração entre as forças policiais, como civil, militar, rodoviária federal e polícia federal. A comunicação entre as forças é fundamental. Trabalhamos juntos e não competimos uma com a outra", acrescenta.

Além disso, Geraldo explica que as delegacias do interior têm autonomia em crimes contra a vida. "Já em Campo Grande temos sete delegacias, que são as primeiras a atuar em crimes de homicídio. Decorridos de um ano sem elucidação, são encaminhados para a Homicídios. Isso não quer dizer que a Homicídios só entra na investigação após um ano, ela pode trabalhar em conjunto com essas delegacias, ou nos casos de muita comoção e repercussão, ela já entra desde o início", pontua.

Para o titular da Delegacia Especializada de Homicídios (DEH), delegado Carlos Delano, entre os segredos para o sucesso de uma investigação, estão o trabalho de análise de dados e vínculos e da inteligência, que contribuem sobremaneira para o esclarecimento das mortes violentas. “Existe um esforço da Polícia Civil de priorizar a apuração de crimes contra a vida e esses fatores contribuem para esse excelente resultado”, diz.

Perfis genéticos - O trabalho da perícia também é de fundamental importância para a elucidação dos crimes, como atendimento descentralizado em locais de crimes violentos, existência de Sistema Automatizado de identificação de Impressões Digitais integrado com os serviços de emissão de carteira de identidade, certidões de antecedentes e identificação criminal, alimentação constante e crescente de perfis genéticos de vestígios e de perfis de condenados por crimes hediondos no Banco de Perfis Genéticos.

“Além disso, o Estado está ligado à Rede Nacional Integrada de Bancos de Perfis Genéticos. Em suma, o aumento da resolutividade de crimes com mortes violentas e intencionais é somatório de estratégia de gestão, aliada a especialização das equipes de perícia criminal e da disponibilização de tecnologias de ponta”, acredita a coordenadora-geral de Perícias, Glória Suzuki.

Dados - De 1º de janeiro a 13 de outubro de 2021, MS registrou 369 crimes contra a vida, entre homicídios e feminicídios, segundo dados da Sejusp (Secretaria de estado de Justiça e Segurança Pública).

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