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Cidades

MS concentra mais de 1/3 dos assassinatos de índios no País

Estatística está em relatório divulgado nesta quarta-feira (30) pelo Cimi, com base em dados oficiais

Por Marta Ferreira | 30/09/2020 13:40
Campo Grande News - Conteúdo de Verdade


De todos os assassinatos de índios ocorridos no Brasil em 2019, 35% eram de moradores de aldeias sul-mato-grossenses. A estatística indica também que 25% dos suicídios de indígenas ocorreram no Estado, com 34 casos de um total de 133 casos no Brasil.

Somados os dois tipos de mortes violentas, são 74 casos registrados.

Os dados constam de relatório tornado público pelo Cimi (Conselho Indigenista Missionário), a partir dos registros da Sesai (Secretaria Especial de Saúde Indígena). No País, foram 113 registros de indígenas assassinados no ano passado. Mato Grosso do Sul está no topo desse ranking negativo, com os 40 casos citados. Depois, vem Roraima com 26 assassinatos de indígenas.

Sobre os dados de suicídio, o Cimi divulgou que, com base na Lei de Acesso à Informação, obteve da Sesai dados parciais. Consta do documento que foram registrados 133 suicídios entre índios em todo o país em 2019; 32 a mais que os casos registrados em 2018.

Amazonas, com 59 registros, e Mato Grosso do Sul, com 34, foram os que tiveram as maiores quantidades de ocorrências.

Intitulado  “Relatório Violência Contra os Povos Indígenas no Brasil”, o documento do Cimi destaca que os dados fornecidos pela Sesai sobre “óbitos resultados de agressões” não permitem análises mais aprofundadas, porque não apresentam informações sobre a faixa etária e o povo das vítimas, e nem as circunstâncias destes assassinatos. Além disso, ainda é possível haver revisão, para mais e para menos.

Em relação aos suicídios, o texto diz que a maioria dos atos são cometidos por jovens entre 14 e 29 anos, sendo a maior parte rapazes solteiros ou recém-casados. Nos últimos anos haja um aumento de vítimas do sexo feminino.

Nos últimos 14 anos, cerca de 645 indígenas suicidaram-se; isto significa 1 suicídio a cada 7,9 dias.

O que causa essa quantidade absurda de enforcamentos e envenenamentos? A falta de acesso aos territórios tradicionais gera a impossibilidade de vivência plena dos usos e costumes, conforme garante a Constituição Federal de 1988; gera também números assustadores de violência física, ataques a comunidades que tentam retomar suas aldeias e um número muito alto de assassinatos”, defende a entidade defensora dos direitos dos índios.

Em menos de um ano, entre 2015 e 2016, foram registrados 33 ataques de natureza paramilitar contra comunidades Guarani Kaiowá. Entre 2001 e 2018 foram assassinados 14 líderes indígenas em represália às tentativas de retomar pacificamente terras já reconhecidas pelo Estado”, completa o documento.

Entre os dados que destacam a população indígena de Mato Grosso do Sul no relatório, aparece a taxa de  encarceramento, ou seja, pessoas presas. As maiores, em 2019, eram do Rio Grande do Sul, Mato Grosso do Sul e Ceará.

Policiais e moradores em cenário de assassinato na Aldeia Jaguapiru, em Dourados. (Foto: Adilson Domingos)
Policiais e moradores em cenário de assassinato na Aldeia Jaguapiru, em Dourados. (Foto: Adilson Domingos)


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