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Cidades

MS é alvo de operação contra quadrilha que usava IA e crianças doentes em golpes

Grupo recorria a deepfakes, clonagem de voz e anúncios pagos; R$ 294,5 mil foram rastreados em uma campanha

Por Bruna Marques | 14/07/2026 10:43

Mato Grosso do Sul é um dos alvos da Operação Sophia, deflagrada pela Polícia Civil do Rio Grande do Sul, na manhã desta terça-feira (14) contra uma organização criminosa suspeita de criar e divulgar falsas campanhas de doação na internet. O grupo teria utilizado inteligência artificial, deepfakes, clonagem de voz e imagens de crianças em tratamento de doenças graves para aplicar os golpes.

RESUMO

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A Polícia Civil deflagrou a Operação Sophia contra organização criminosa que criava falsas campanhas de doação na internet usando inteligência artificial, deepfakes e imagens de crianças doentes. Foram cumpridos 19 mandados de prisão e 17 de busca e apreensão em cinco estados. Dez pessoas foram presas. O esquema movimentou mais de R$ 1,7 milhão e usava páginas falsas, QR Codes Pix e lavagem de dinheiro para enganar vítimas.

As ações também ocorrem no Rio Grande do Sul, Paraná, São Paulo e Pernambuco. Ao todo, são cumpridos 19 mandados de prisão e 17 de busca e apreensão. Até o momento, dez pessoas foram presas preventivamente.

A investigação é conduzida pela Delegacia de Repressão aos Crimes Patrimoniais Eletrônicos do Rio Grande do Sul, sob coordenação do delegado João Vitor Herédia.

O caso começou após a mãe de uma criança em tratamento contra o câncer descobrir que fotos e vídeos da filha estavam sendo usados, sem consentimento, em anúncios nas redes sociais. As publicações pediam dinheiro para supostamente custear o tratamento da menina, mas a família não autorizou a campanha nem recebeu os recursos arrecadados.

A partir da denúncia, os investigadores passaram a seguir o fluxo do dinheiro e a analisar a estrutura digital utilizada pelo grupo. Somente na campanha que deu origem ao inquérito, ao menos R$ 294,5 mil foram rastreados em transações envolvendo chaves Pix e intermediadoras de pagamento.

MS é alvo de operação contra quadrilha que usava IA e crianças doentes em golpes
Imagem mostra falsa campanha de doação que usava fotos de uma criança com câncer para arrecadar dinheiro sem autorização da família (Foto: Reprodução)

A investigação também identificou movimentações mais elevadas em contas e empresas ligadas aos suspeitos. Uma das empresas, apontada como centro financeiro da organização, teria movimentado mais de R$ 1,7 milhão durante o período analisado.

Crianças com doenças graves eram usadas nas campanhas - Segundo a Polícia Civil, a organização se apropriava de imagens, vídeos e histórias reais de pessoas vulneráveis para produzir campanhas capazes de provocar forte comoção. Crianças em tratamento de doenças graves estavam entre os principais alvos escolhidos pelo grupo.

Depois de produzidos, os conteúdos eram promovidos por meio de anúncios pagos em redes sociais. Páginas com nomes como “Clube de Doadores”, “Doadores com Amor” e “Unidos pelo Amor” ajudavam a ampliar o alcance das publicações e atingir milhares de usuários.

Quem clicava nos anúncios era encaminhado a páginas que imitavam plataformas legítimas de arrecadação. Nesses sites, o usuário escolhia uma quantia e recebia um QR Code Pix ou um código para copiar e colar.

Os valores, porém, eram enviados para contas bancárias, empresas de fachada e sistemas de pagamento controlados ou utilizados pelos investigados.

Deepfakes, clonagem de voz e inteligência artificial - A apuração aponta que o grupo mantinha uma estrutura dividida entre diferentes tarefas, desde a criação dos sites até a movimentação do dinheiro arrecadado.

Entre os recursos identificados estão ferramentas de inteligência artificial, deepfakes e clonagem de voz, usadas na produção de vídeos, áudios e peças publicitárias. Os suspeitos também registravam domínios, configuravam servidores, criavam páginas de pagamento e geravam QR Codes Pix.

Para ampliar o alcance das campanhas, a organização comprava e administrava contas em redes sociais e investia no impulsionamento de anúncios.

Já para dificultar a identificação dos envolvidos e o rastreamento dos valores, eram utilizados proxies, recursos para esconder sites, domínios hospedados em provedores estrangeiros, contas de terceiros, empresas de fachada e intermediadoras de pagamento.

A investigação ainda encontrou indícios de que o grupo pesquisava novas pessoas em situação de vulnerabilidade para futuras campanhas, apontando para a continuidade da atuação criminosa.

Durante a operação, os policiais buscam celulares, computadores, documentos, cartões bancários, dispositivos de armazenamento, registros de acesso, credenciais, arquivos de sites e informações sobre contas mantidas em plataformas digitais.

A Polícia Civil orienta que doadores confirmem a autenticidade das campanhas diretamente com familiares ou instituições responsáveis antes de fazer transferências. A recomendação também é verificar com atenção o destinatário do Pix e desconfiar de anúncios impulsionados que explorem forte apelo emocional.

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