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Cidades

Na UTI, 97% dos internados em 2021 não foram vacinados

Apenas no mês de julho, cerca de 94% dos hospitalizados com SRAG não completaram ciclo vacinal

Por Guilherme Correia | 19/07/2021 09:29
Homem recebe vacina contra covid em drive-thru na Capital (Foto: Henrique Kawaminami/Arquivo)
Homem recebe vacina contra covid em drive-thru na Capital (Foto: Henrique Kawaminami/Arquivo)

Até pouco mais da metade deste ano, cerca de 97% dos pacientes internados em UTI (Unidade de Terapia Intensiva) com sintomas de SRAG (Síndrome Respiratória Aguda Grave) não tinham sido imunizados com duas doses, ou dose única, de vacina contra a covid-19.

Mais de 5,2 mil sul-mato-grossenses foram internados em leitos de terapia intensiva com SRAG. A maior parte (3,5 mil) não tinha tomado nenhuma dose de vacina, enquanto apenas 299 tinham recebido as duas aplicações.

Outro dado de suma importância é o de pessoas que, tiveram algum quadro mais grave da doença, mas tomaram a segunda dose em tempo adequado.

Apenas 165 pacientes tomaram o reforço do imunizante com pelo menos 15 dias antes do início dos primeiros sintomas confirmados de covid-19, desconsiderando outros fatores que podem ter gerado quadro de SRAG, que pode ser por bactérias, outros vírus, ou fatores não identificados.

Atualmente, faltando mais de 10 dias para que julho termine, há 60 internações registradas pelo Ministério da Saúde, sendo que apenas quatro pessoas receberam completaram ciclo vacinal e contraíram a doença.

Vale lembrar que a OMS (Organização Mundial de Saúde) definiu que alguns imunizantes, como os da Janssen, poderiam exigir 28 dias após a aplicação para que fizessem efeito. Ou seja, esse índice verificado pela reportagem de proteção dos imunizantes pode ser ainda maior.

Desses pacientes, ao menos 23 encontram-se recuperados da doença, enquanto os demais podem estar internados ainda ou ter sido vítimas após a internação.

Eficácia - Em coletiva nesta segunda-feira (19), a secretária-adjunta de Saúde, Crhistinne Maymone, destacou que as vacinas têm capacidade de prevenir formas graves da doença, ainda que a infecção pode acontecer. Quando se leva em consideração pacientes com comorbidades, por exemplo, essa pequena janela pode tornar ainda mais letal uma eventual infecção.

"A vacina previne sim a doença, mas não significa que você não possa experienciá-la. O vacinado pode ter a doença, mas provavelmente o caso será mais leve. É isso que as pesquisas todas indicam", disse Maymone, que também reforçou importância de manter cuidados. "Não é porque tomei as duas vacinas que eu posso tudo, tirar a máscara", exemplificou.

No mês passado, o Campo Grande News apurou que, em geral, 97% das mortes por coronavírus foram de pessoas que não tinham se imunizado de forma adequada com as vacinas.

Naquele momento, a imunologista e professora da UFMS (Universidade Federal de Mato Grosso do Sul), Inês Tozetti, ressaltou que os efeitos da vacinação só poderão ser identificados precisamente quando houver cerca de 80% da população de um local imunizada totalmente - no momento, em Mato Grosso do Sul, são 28,9%.

Ainda assim, ela comentou que vacinas reduzem formas moderadas e graves da doença, tais como internação ou mortes, como foi previsto nos estudos clínicos feitos pelas fabricantes dos imunizantes.

(matéria atualizada às 11h51 para correção e inserção de informações)

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