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Cidades

O escudo da fronteira: polícia está travando avanço das organizações criminosas

Por José Cândido | 08/08/2026 07:07
O escudo da fronteira: polícia está travando avanço das organizações criminosas
Prontidão e bravura: a resposta das forças de segurança de MS ao avanço do narcotráfico, afirma o secretário de Segurança, Antonio Carlos Videira. (Foto Campo Grande News)

O avanço das disputas entre organizações criminosas pelo controle das rotas de tráfico de drogas em Mato Grosso do Sul tem provocado um salto expressivo nos índices de violência e exigido respostas mais severas das forças de segurança estaduais.

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Mato Grosso do Sul registrou 94 mortes em confrontos e ações policiais neste ano, alta de 100% em relação ao mesmo período anterior. O avanço de facções criminosas de São Paulo e do Rio de Janeiro pelo controle das rotas de tráfico na fronteira com Paraguai e Bolívia é apontado como principal causa. O estado responde com cooperação interfederativa e internacional, enquanto enfrenta também uma crise de saúde mental entre policiais, cujo índice de suicídios supera mortes em serviço.

Dados da Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública revelam que o número de mortes decorrentes de confrontos e ações policiais atingiu a marca de 94 registros neste ano — um aumento de 100% em relação às 47 ocorrências contabilizadas no mesmo período do ano anterior.

Segundo o Secretário de Justiça e Segurança Pública, Antônio Videira, o incremento da letalidade reflete o acirramento do confronto entre duas grandes facções criminosas sediadas em São Paulo e no Rio de Janeiro.

Essas organizações utilizam o território sul-mato-grossense, que faz fronteira com o Paraguai e a Bolívia, como corredor estratégico para o escoamento de cocaína destinada aos grandes centros urbanos brasileiros e ao mercado internacional.

A disputa pelo domínio dessas vias de escoamento espalhou-se de norte a sul do estado, alcançando municípios como Cassilândia, Corumbá, Nova Andradina, Maracaju, Jardim, Três Lagoas, Coxim, Pedro Gomes e Sonora.

Para sustentar a hegemonia sobre o tráfico regional, as lideranças nacionais dos grupos criminosos têm enviado membros e executores para o estado com a missão de assassinar rivais. Essa dinâmica resultou na atração de criminosos armados com fuzis e pistolas de última geração, vitimando não apenas integrantes das facções, mas também civis inocentes e agentes de segurança. Entre os episódios recentes de repercussão estão a morte de uma criança de três anos durante um confronto em Cassilândia e o assassinato de um policial militar em Corumbá.

Diante do cenário de tensão na faixa de fronteira, as polícias Civil e Militar têm atuado com equipamentos de ponta e reforço nas abordagens táticas. O secretário argumenta que a resposta firme é necessária para evitar a perda do controle estatal sobre a segurança pública e conter a escalada de homicídios.

Contudo, ele pondera que a atuação repressiva não se sustenta de forma isolada, dependendo fundamentalmente da integração entre diferentes esferas governamentais e poderes constitutivos.

A estratégia estadual apoia-se em redes de cooperação interfederativa e internacional. Mato Grosso do Sul integra iniciativas como o Conselho de Desenvolvimento do Sul (Codesul), o Sulmasp — que reúne estados do Sul, São Paulo e MS — e o Fórum Brasil Central, visando alinhar ações de inteligência e fiscalização policial com o Ministério Público, o Judiciário e as Forças Armadas.

No âmbito das fronteiras, a troca de informações com os governos do Paraguai e da Bolívia já viabilizou a localização e a captura de alvos estratégicos do crime organizado que tentavam se abrigar em países vizinhos.

Paralelamente ao combate criminal nas ruas, a gestão de segurança pública enfrenta o impacto psicológico da rotina de alto risco sobre a saúde mental dos servidores. Atualmente, o índice de suicídios entre policiais supera o número de mortes de agentes em serviço no estado.

Para mitigar o desgaste emocional decorrente do combate armado e do contato diário com situações extremas, a secretaria mantém o Centro de Atenção Biopsicossocial. A estrutura, financiada por recursos estaduais e pelo Fundo Nacional de Segurança Pública, oferece acompanhamento médico, psicológico e programas de capacitação — como treinamentos em comunicação não violenta — buscando prestar suporte contínuo aos profissionais e às suas famílias.