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Lado Rural

Novas cultivares elevam produtividade do algodão e reforçam proteção da lavoura

BRS 510, indicada para Mato Grosso do Sul, alcança 7,6 toneladas por hectare e resiste a doenças e nematoides

Por José Cândido | 22/09/2026 08:40
Novas cultivares elevam produtividade do algodão e reforçam proteção da lavoura
Cultivar indicada para Mato Grosso do Sul pode alcançar produtividade de 7,6 toneladas por hectare. (Foto Edna Santos)

Duas novas cultivares de algodão chegam ao mercado com a promessa de enfrentar alguns dos principais inimigos da cultura sem abrir mão da produtividade. Desenvolvidas pela Embrapa em parceria com a empresa Lyntera, a BRS 510 B2RF e a BRS 810 B3RF reúnem resistência a doenças, proteção contra lagartas e tolerância a herbicidas.

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A Embrapa e a empresa Lyntera lançaram duas novas cultivares de algodão, a BRS 510 B2RF e a BRS 810 B3RF, com resistência a doenças, proteção contra lagartas e tolerância a herbicidas. A BRS 510 é indicada para Mato Grosso do Sul e outros seis estados, com produtividade média de 7,6 toneladas por hectare. A BRS 810 combina estabilidade produtiva com qualidade de fibra. As sementes já estão disponíveis para comercialização.

Para Mato Grosso do Sul, a principal novidade é a BRS 510 B2RF. A cultivar é indicada para áreas comerciais de alto rendimento no Estado, inclusive propriedades com histórico de nematoides e doenças que atacam as raízes e comprometem o desenvolvimento das plantas.

Nos testes, a BRS 510 alcançou produtividade média de cerca de 7,6 toneladas por hectare na primeira safra e superou 5,3 toneladas por hectare na segunda. Além de Mato Grosso do Sul, o cultivo é recomendado para Goiás, Mato Grosso, Bahia, Ceará, Tocantins e Paraná.

A cultivar apresenta resistência ao nematoide das galhas, capaz de provocar perdas de até 50% na lavoura, e ao nematoide reniforme, cujos prejuízos podem ultrapassar 60% em áreas com alta infestação. Esses organismos microscópicos parasitam as raízes e estão entre os problemas fitossanitários mais difíceis e caros de controlar na cotonicultura.

Outro avanço está na resistência à mancha de ramulária, doença presente nas principais regiões produtoras do País. Em condições normais, ela pode reduzir a produtividade entre 25% e 35%. Nos casos mais graves, as perdas podem passar de 70%.

A BRS 510 também é resistente à bacteriose e à doença-azul. Segundo a Embrapa, o conjunto de características pode reduzir riscos de produção e diminuir a necessidade de aplicações de defensivos, especialmente em áreas onde doenças e nematoides já se tornaram problemas recorrentes.

A segunda novidade, a BRS 810 B3RF, combina estabilidade produtiva com qualidade de fibra acima das exigências da indústria têxtil. A produtividade média chega a aproximadamente 7,3 toneladas por hectare na primeira safra e a 5,2 toneladas por hectare na segunda.

As duas cultivares são transgênicas e incorporam tecnologias de proteção contra as principais lagartas do algodoeiro, além de tolerância ao herbicida glifosato. A BRS 810 possui um mecanismo adicional de ação contra as lagartas, ampliando a proteção da planta.

A resistência genética, porém, não elimina a necessidade de manejo adequado. A própria Embrapa recomenda a rotação de culturas com espécies não hospedeiras, o uso responsável de produtos químicos ou biológicos e a limpeza de máquinas e equipamentos para impedir que nematoides sejam levados de uma área para outra.

A mancha de ramulária pode exigir de oito a dez aplicações de fungicidas durante uma única safra. Por isso, cultivares resistentes representam não apenas maior segurança produtiva, mas a possibilidade de reduzir custos e tornar o controle das doenças mais eficiente.

As sementes já estão disponíveis para comercialização. Para o produtor, a escolha da cultivar deve considerar o histórico da propriedade, as condições do solo, a presença de doenças e nematoides e a época de plantio. Mais do que produzir muito, o desafio é manter a lavoura saudável até a colheita — e é justamente nesse ponto que as novas variedades pretendem fazer diferença.