Jornalista e escritor Zuenir Ventura morre aos 95 anos
Referência do jornalismo brasileiro, autor esteve em Campo Grande em 2009 falando sobre violência e cultura
O jornalista e escritor Zuenir Ventura morreu aos 95 anos nesta terça-feira (22). Ao longo de mais de seis décadas de carreira, ele se tornou referência do jornalismo brasileiro, com trabalhos dedicados a episódios políticos e a questões sociais do País.
Autor de livros como 1968: O Ano que Não Terminou, Cidade Partida e Chico Mendes: Crime e Castigo, Zuenir também integrava a Academia Brasileira de Letras. Ele ocupava a Cadeira nº 32, para a qual foi eleito em 2014, sucedendo Ariano Suassuna.
A trajetória de Zuenir também passou por Campo Grande. Em outubro de 2009, o jornalista esteve na Capital como convidado do projeto Diálogos Contemporâneos. Na ocasião, participou de uma palestra na Câmara Municipal de Campo Grande, com entrada gratuita.
O tema escolhido foi “Violência e cultura: as várias faces da violência no Brasil e suas relações com a cultura brasileira contemporânea”. O assunto tinha relação direta com uma das áreas que marcaram sua produção jornalística e literária, principalmente as discussões sobre violência urbana e desigualdade social.
Para quem estudou jornalismo em Campo Grande, Zuenir também deixou lembranças fora dos livros. Em uma das passagens pela cidade, ao falar sobre as diferenças entre ser jornalista e escritor, usou uma imagem que ficou na memória de quem o ouviu: comparou os dois ofícios a peixes em águas diferentes. O jornalista estaria mais próximo de um peixe de aquário, limitado pelo espaço e pelas regras da notícia, enquanto o escritor poderia alcançar águas mais profundas.
Natural de Além Paraíba, em Minas Gerais, Zuenir nasceu em 1º de junho de 1931. Antes da vida no jornalismo, exerceu diferentes atividades e começou na imprensa trabalhando no arquivo da Tribuna da Imprensa. Ao longo da carreira, passou por veículos como Jornal do Brasil, Veja, IstoÉ e O Globo.
Além das redações, Zuenir também atuou como professor e escritor. Entre seus trabalhos mais conhecidos está Cidade Partida, livro-reportagem que aborda a violência e as divisões sociais do Rio de Janeiro, além de 1968: O Ano que Não Terminou, obra que se tornou uma das principais referências sobre aquele período da história brasileira.
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