Pintor alvo da PF já foi denunciado por preparar aviões para transportar drogas
Operação atual investiga organização criminosa ligada ao tráfico de drogas e à lavagem de dinheiro

Alvo de busca e apreensão da Operação Old School, deflagrada nesta quarta-feira (16) pela FICCO (Força Integrada de Combate ao Crime Organizado), em Campo Grande, Silvério Peralta, 42 anos, já havia sido denunciado em 2017 por envolvimento em um esquema que adulterava aeronaves para o transporte de drogas.
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Silvério Martins Peralta, 42 anos, alvo da Operação Força Integrada IV em Campo Grande, já havia sido investigado em 2017 por adulterar aeronaves para o tráfico de drogas. Na ação desta quarta-feira, policiais cumpriram mandados em dois endereços do suspeito, apreendendo veículos e uma hélice de avião. A operação nacional mobilizou agentes em 19 estados, com 106 prisões e bloqueio de R$ 508 milhões em bens de organizações criminosas.
Nesta manhã, policiais foram a dois endereços ligados a Silvério na Capital, um na Vila Cidade Morena e outro no Jardim Noroeste. A operação atual investiga uma organização criminosa ligada ao tráfico de drogas e à lavagem de dinheiro.
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No imóvel do Jardim Noroeste, onde a reportagem do Campo Grande News esteve, a equipe foi recebida pela esposa de Silvério. Ela contou que acordou assustada com a presença dos policiais dentro da residência. Segundo ela, os agentes reviraram o imóvel e apreenderam dois veículos: um Peugeot 208 e uma caminhonete.
A mulher confirmou ainda que Silvério trabalhava como "pintor de peças de avião". Segundo apurado pelo Campo Grande News, durante as buscas na residência também foi encontrada e apreendida uma hélice de avião.
Operação de 2017 - O envolvimento anterior de Silvério com investigações relacionadas a aeronaves ocorreu em 2017, quando ele foi alvo de uma ação da Polícia Civil e acabou denunciado. Na época, foi identificada uma associação criminosa que adulterava aeronaves para que elas pudessem voar por períodos mais longos e percorrer grandes distâncias sem precisar parar para abastecer.

De acordo com a investigação divulgada na época, o objetivo das modificações era evitar que as forças de segurança tivessem oportunidade de interceptar os aviões utilizados para transportar drogas. A organização também tentava realizar os trajetos fora do alcance dos radares.
Por causa das alterações feitas nas aeronaves, a então delegada Ana Cláudia Medina, titular da Deco (Delegacia Especializada de Repressão do Crime Organizado), afirmou que, pela primeira vez em Mato Grosso do Sul, investigados responderiam também por atentado à segurança de voo.
“Esta organização fazia modificações que poderiam que poderiam custar a vida de quem estava na aeronave e outras pessoas no espaço aéreo”, afirmou a delegada na ocasião. Além do atentado à segurança de voo, os integrantes do grupo também responderiam por organização criminosa e associação para o tráfico.
Megaoperação - A ação desta quarta-feira (16) integra a Operação Força Integrada IV, que mobilizou agentes da Polícia Federal, Polícia Civil, Polícia Militar, Polícia Penal, PRF (Polícia Rodoviária Federal) e Senappen (Secretaria Nacional de Políticas Penais) em 19 estados.
Em Mato Grosso do Sul, foram cumpridos 2 mandados de prisão e 14 de busca e apreensão contra investigados por integrar uma organização criminosa com atuação interestadual. Os detalhes sobre o grupo ainda não foram divulgados.
A Justiça Federal autorizou ainda o bloqueio e a apreensão de até R$ 75 milhões em bens e ativos financeiros ligados aos investigados somente em Mato Grosso do Sul. O valor coloca o Estado entre os locais com maior restrição patrimonial dentro da operação nacional, atrás do Tocantins, onde o bloqueio autorizado chegou a R$ 412,5 milhões.
Em todo o País, a operação mobilizou simultaneamente 20 bases da Ficco espalhadas por 19 estados. Foram cumpridos 106 mandados de prisão e 173 de busca e apreensão, com decisões judiciais que resultaram no bloqueio de mais de R$ 508 milhões em bens, veículos e contas bancárias de organizações criminosas.
As investigações nacionais miram grupos ligados ao tráfico internacional e interestadual de drogas, tráfico de armas, homicídios, extorsão e lavagem de capitais. O objetivo principal da ofensiva é o estrangulamento financeiro das organizações investigadas.
Além de Silvério, outro alvo da operação em Campo Grande foi o dono de uma garagem. Na residência do comerciante, as equipes apreenderam R$ 26 mil em espécie, joias, um celular e dois veículos. Foram recolhidos um Volkswagen T-Cross e uma picape Fiat Strada. O comerciante nega qualquer envolvimento com os crimes investigados.
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