Ponte Bioceânica entra em fase de ajustes finos sob sentimento de dever cumprido
Projetista italiano elogiou precisão da obra; agora restam iluminação, pavimento e sistemas de segurança
Quatro anos de trabalho, centenas de trabalhadores, calor de até 47°C, mudanças bruscas de temperatura e uma rotina longe da família. Para quem acompanhou diariamente a construção da Ponte da Rota Bioceânica, a união definitiva entre os lados brasileiro e paraguaio simboliza o fim de um ciclo e a concretização de um projeto que começou apenas no papel.
RESUMO
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A Ponte da Rota Bioceânica teve suas extremidades brasileira e paraguaia unidas nesta quinta-feira (23), marcando uma etapa histórica na obra. O engenheiro René Gómez destacou a precisão milimétrica da junção, que surpreendeu até o escritório italiano responsável pelo projeto. Com 460 trabalhadores no auge das obras e previsão de conclusão para setembro, a ponte terá iluminação nos 168 tirantes e integrará o corredor logístico entre o Centro-Oeste e o Oceano Pacífico.
Na manhã desta quinta-feira (23), enquanto autoridades acompanhavam o chamado "beijo da ponte", o momento mais aguardado era vivido por quem participou diretamente da obra. Coordenador principal da construção e superintendente de obras do Consórcio Binacional PYBRA, o engenheiro civil René Gómez descreveu a etapa como uma das mais emocionantes de toda a execução.
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"Estamos fazendo a união definitiva da ponte. Agora realizamos os últimos ajustes nas tensões dos tirantes e um levantamento topográfico para verificar como ficou esse trecho. Com esses dados, o projetista ainda poderá indicar algum ajuste fino, se algum tirante precisar ser aproximado ou receber nova tensão, mas, de forma geral, a união foi muito boa", explicou.
Apesar da estrutura já estar fisicamente ligada, os levantamentos realizados após o encontro das duas extremidades servirão para confirmar o comportamento da ponte antes da conclusão definitiva dos serviços.

O momento da união foi acompanhado pelo escritório italiano responsável pelo projeto estrutural da ponte. Segundo Gómez, o projetista esteve presente justamente para conferir se o que havia sido calculado anos antes se confirmaria na prática e resultado chamou a atenção até mesmo de quem desenhou a estrutura.
"As diferenças encontradas foram milimétricas, tanto no alinhamento longitudinal quanto na altura. Ele ficou surpreendido com a precisão que alcançamos."
Para o engenheiro, esse resultado é consequência do trabalho conjunto entre construtora, fiscalização e supervisão da obra. "Isso demonstra a responsabilidade com que a obra foi executada. São três equipes trabalhando ao mesmo tempo para que esse resultado fosse alcançado."
Depois de acompanhar todas as etapas da construção, Gómez afirma que ver a estrutura finalmente unida provoca um sentimento difícil de descrever.
"Estamos muito felizes por chegar a essa união física. Para nós, a ponte praticamente está concluída."
Embora a ligação estrutural esteja pronta, a obra ainda passa pela fase de acabamentos.
Restam a execução das partes laterais da estrutura, a pavimentação em concreto asfáltico, instalação das calçadas para pedestres, ciclovia, guarda-corpos, barreiras de proteção para veículos, sistema de proteção para pedestres e toda a iluminação da ponte.
A iluminação, segundo ele, será um dos diferenciais da obra. Os 168 tirantes que sustentam a ponte receberão iluminação ornamental, assim como os portais de entrada nos lados brasileiro e paraguaio. O sistema permitirá alterar remotamente as cores da estrutura para representar bandeiras, campanhas e datas comemorativas.
"Além de ser uma ponte gigantesca, a iluminação vai dar outro brilho à obra. A vista entre Carmelo Peralta e Porto Murtinho será muito bonita. Além da importância econômica e da integração entre os países, ela também será um atrativo turístico."
Quatro anos longe de casa - Ao falar sobre a conclusão da obra, o engenheiro fez questão de destacar o esforço das equipes que trabalharam na construção.
Segundo ele, no auge da execução cerca de 460 trabalhadores atuavam diretamente na ponte, sendo que aproximadamente 80% vieram de outras regiões.
"É muito emocionante. Foram quatro anos e um pouco mais de trabalho. Tivemos calor intenso, mudanças bruscas de temperatura e muitos desafios. Grande parte dos trabalhadores ficou longe da família durante todo esse período. Separar-se dos filhos, das mães e da esposa é um sacrifício."
Para Gómez, o encerramento da obra também traz outro motivo de comemoração.
Apesar da complexidade da construção e do grande número de trabalhadores envolvidos, a ponte chega à reta final sem registrar acidentes graves ou fatais.
"Seguimos um protocolo de segurança muito rigoroso durante toda a obra. Tivemos pequenos acidentes, mas chegamos ao fim sem nenhum acidente grave ou fatal. Isso também nos deixa muito felizes."
Com a união da estrutura concluída e os acabamentos em andamento, a expectativa do Consórcio Binacional PYBRA é finalizar todos os serviços até setembro. A partir daí, a maior ponte entre Brasil e Paraguai estará pronta para integrar a Rota Bioceânica, corredor logístico que pretende ligar o Centro-Oeste brasileiro aos portos do Oceano Pacífico, além de se tornar um novo cartão-postal na fronteira entre Porto Murtinho e Carmelo Peralta.


