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Prefeito Marquinhos e secretário Geraldo Resende são contra promover Carnaval

O governador Reinaldo Azambuja (PSDB) anunciará pacote para ajudar a promoção da festa no Estado

Por Flávio Veras, Lucia Morel e Cleber Gellio | 26/11/2021 11:15
Realização do carnaval ainda está em indefinida em várias cidades do Estado. (Foto: Henrique Kawaminami/Arquivo)
Realização do carnaval ainda está em indefinida em várias cidades do Estado. (Foto: Henrique Kawaminami/Arquivo)

Pouco mais de 48 horas do governador Reinaldo Azambuja (PSDB) revelar que irá divulgar um pacote de recursos destinado às ligas, escolas de samba e blocos de Carnaval de Mato Grosso do Sul para a organização do Carnaval de 2022, o secretário estadual de Saúde, Geraldo Resende, afirmou que não aconselha a realização dos eventos, temendo aumento de casos de covid-19, enquanto a vacinação não avançar. A opinião é compartilhada pelo prefeito de Campo Grande, Marquinhos Trad (PSD).

Para Geraldo, apesar da pressão econômica em torno da festa popular, hoje não seria viável promover as festas. "Solicitei que pudéssemos fazer essa discussão dentro do comitê para que o governo tenha uma posição em relação a estes eventos. Enquanto secretário de Saúde, tenho uma visão técnica de que neste momento, a gente precisa se abster de ter carnavais. Logicamente, o governo tem pedidos de apoio por parte de prefeitos (para ter). No entanto, eu escuto da minha equipe, de alguns secretários municipais de Saúde, que ainda não é hora de se promover eventos que levem a grandes aglomerações", revelou.

Porém, o governador Reinaldo afirmou nesta semana que anunciará amanhã (27), um pacote de recursos para a organização do Carnaval do ano que vem. Ainda conforme Reinaldo, com o aumento da vacinação e a conscientização da população, será possível realizar a festa de rua popular.

"Se todos aqueles que ainda não se vacinaram forem se vacinar, com muita tranquilidade, a gente vai poder voltar a uma vida normal, inclusive, podendo ter a festa de rua no ano que vem", comentou o governador.

Já Infectologistas também concordam com a opinião de Resende, de não haver festa popular no Estado. Um deles é o Júlio Croda, infectologista e pesquisador da Fiocruz. Ele afirmou à reportagem que, apesar do avanço da imunização, não é possível promover eventos com essa estrutura de forma segura.

“Estamos perto do nível seguro do ponto de vista hospitalar, mas vêm aí as festas de fim de ano, o Carnaval, e vai ter mais transmissão. Se não quer cancelar, tem que avançar na vacinação ainda mais, principalmente em completar a terceira dose de reforço”, analisou o infectologista.

“Esses são eventos de massa e isso (de avançar na vacinação) deve ocorrer principalmente em Campo Grande. São Paulo que está com uma cobertura melhor está com várias cidades que já cancelaram. E sim, aqui devia seguir o mesmo”, complementou Croda.

No entanto, ele pondera que algumas cidades, como Corumbá onde a festa é tradicional e tem uma cobertura vacinal maior do que 80%, é possível pensar em realizar o evento. Ela é uma cidade mais isolada e eventualmente talvez esteja mais segura. Então, a cobertura de vacinação tem que ser maior porque o Carnaval não é um evento seguro”, disse.

Posição da Capital - O prefeito de Campo Grande, Marquinhos Trad (PSD), afirmou que levando em consideração as recomendações científicas, é inadmissível pensar em promover aglomerações. “Já determinamos que não haverá réveillon público e, caso ainda continuemos com essa taxa de imunização, também serão canceladas as festividades do Carnaval. Porém, entendemos o lado econômico e, por esse motivo, não deixaremos de ajudar aqueles que necessitam da festa para garantir lucros maiores para seus negócios, ou mesmo uma renda extra”, revelou Trad.

Em relação aos eventos particulares, Marquinhos afirmou que, caso eles aconteçam, deverão obedecer todos os protocolos determinados pelas autoridades em Saúde do município. Não iremos impedir ninguém, sejam casas de show, clubes, boates, entre outros comércios de promoverem seus eventos. Porém, garanto que os protocolos terão de ser seguidos a risca”, determinou Trad.

Posição do Canass - Os secretários estaduais de Saúde são unânimes na reprovação à realização de Carnaval em 2022. É o que afirma Carlos Lula, presidente do Conass (Conselho Nacional de Secretários de Saúde). "Entre os secretários, ninguém concorda com o Carnaval", diz.

Ainda que o cenário da pandemia da covid-19 esteja melhor que o de meses anteriores, há o temor de que as aglomerações gerem uma nova onda de contaminações.

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