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Cidades

Sem oxigênio, Aquidauana manda pacientes para a Capital, denuncia deputado

Município é o que mais contribuía ontem para a ocupação de UTIs em Campo Grande; secretaria da cidade do interior nega problemas

Por Anahi Zurutuza | 05/08/2020 17:45
Hospital Regional de Aquidauana tem 8 leitos de UTI para receber pacientes com a covid-19 e há 5 leitos vagos, segundo secretária (Foto: O Pantaneiro)
Hospital Regional de Aquidauana tem 8 leitos de UTI para receber pacientes com a covid-19 e há 5 leitos vagos, segundo secretária (Foto: O Pantaneiro)

Problemas na usina de oxigênio do Hospital Regional de Aquidauana pode explicar a quantidade de pacientes da cidade enviados a Campo Grande. Até ontem (4), eram 13 moradores do município do interior nas vagas de terapia intensiva da Capital, conforme mapa de ocupação de leitos obtidos pela reportagem.

Coincidência ou não, também essa semana, o deputado Felipe Orro (PSDB) pediu que MPMS (Ministério Público de Mato Grosso do Sul) investigue a aplicação de recursos enviados ao município do interior para o combate à convid-19, segundo ele, R$ 6.485.612,97 do governo federal e R$ 629 mil do Estado. No ofício, o parlamentar cita denúncia do corpo clínico do hospital alertando que o CTI (Centro de Tratamento Intensivo) não tem condições de suportar mais do que 3 pacientes, uma vez que a falta de manutenção impede que leitos já existentes sejam ligados ao sistema.

A secretária municipal de Saúde, Claudia Franco, nega. Ela afirma que pacientes só são enviados à Capital quando esgotadas todas a possibilidades na cidade, mas não por falta de oxigênio. “Não temos a especialidade de alta complexidade e a nossa referência é Campo Grande. Não está faltando vaga ou oxigênio, mas quando precisamos enviar, é para que o paciente tenha mais recursos, um atendimento melhor”.

Ela explica que hoje, por exemplo, há 3 pacientes internados nos leitos destinados ao tratamento da covid-19, 1 positivo para o coronavírus e 2 ainda aguardando resultado de exames. No Hospital Regional, há 5 vagas de UTI (Unidade de Tratamento Intensivo) livres e outras duas para pessoas que não estão com a doença provocada pelo novo vírus. “Nós já pedimos a habilitação de mais 5 leitos, estamos aguardando”.

Ainda conforme o mapa da ocupação de leitos em Campo Grande, se consideradas os municípios da microrregião aquidauanense, ontem, eram 23 pessoas na Capital, gente vinda de Anastácio (2), Dois Irmãos (3), Nioaque (2), Miranda (2) e Guia Lopes da Laguna.

A secretária afirma que Aquidauana também absorve pacientes de outras cidades. “Hoje, temos de Miranda, de Nioaque aqui”.

Conforme boletim divulgado pela Secretaria Municipal de Saúde de Aquidauana, nesta quarta-feira (5), são 508 casos confirmados na cidade e 17 mortes.

Números - Nessa terça-feira, com os pacientes do interior e de Campo Grande, havia 232 leitos de UTI ocupados na Capital. Desse total, 176 abrigavam pessoas contagiadas e moradoras na Capital. As outras eram de outras cidades.

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