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Cidades

Todos os maiores hospitais do Estado têm queda de mortes por covid no último mês

Reportagem analisou os dados dos 10 hospitais que mais atenderam casos de covid neste ano

Por Guilherme Correia | 17/09/2021 10:09
O Hospital da Cassems chegou a comemorar o fato de não ter atendido nenhum paciente de covid em um dia (Foto: Reprodução/Cassems)
O Hospital da Cassems chegou a comemorar o fato de não ter atendido nenhum paciente de covid em um dia (Foto: Reprodução/Cassems)

Os 10 hospitais, públicos e privados, de Mato Grosso do Sul, que mais registraram óbitos por covid-19 no ano de 2021, apresentaram - todos - queda de mortes pela doença durante o mês de agosto, na comparação com o mês anterior, julho.

Isso é o que mostra levantamento feito pelo Campo Grande News, com base em dados do Ministério da Saúde sobre internações hospitalares associadas a sintomas respiratórios. A reportagem desconsiderou os registros de setembro, já que apresentam mais defasagem e não compreendem o mês inteiro.

Segundo esses dados, em 2021 o Hospital Regional de Mato Grosso do Sul, referência no atendimento da covid, já atendeu cerca de 3,7 mil pacientes de sintomas respiratórios graves, principalmente causados pelo coronavírus, mas 1.091 morreram. Vale lembrar que o Regional recebe pessoas de vários municípios do interior.

Entrada do Hospital Regional de Mato Grosso do Sul, o principal contra casos de coronavírus em MS (Foto: Marcos Maluf/Arquivo)
Entrada do Hospital Regional de Mato Grosso do Sul, o principal contra casos de coronavírus em MS (Foto: Marcos Maluf/Arquivo)

Houve pequena redução nos últimos meses, de 123 mortes em julho para 100 em agosto, mas, na comparação com o ápice de vítimas verificado em meados de abril, a média chegou a cair 69%.

Recentemente, inclusive, como mostrou outra reportagem do Campo Grande News, o HRMS chegou a ter dias sem nenhuma morte registrada pelo coronavírus.

A Clínica Campo Grande, hospital particular na Capital, atendeu 253 pacientes entre janeiro e agosto, e registrou 121 óbitos ao todo. Porém, a diferença entre os dois últimos meses analisados trouxe uma redução de quase metade das vítimas, indo de 12 para sete.

Também na Capital, o Hospital da Cassems atendeu 730 indivíduos nesse tempo e 275 foram à óbito, como mostram os números. No entanto, a unidade teve a menor redução entre os estabelecimentos analisados, já que foram 21 mortes por covid em julho e 19 no mês seguinte.

Em publicação feita pela administração, contudo, comemorou-se o dia em que não houve um atendimento sequer de caso de covid, sinal de melhora no quadro geral da pandemia.

O Hospital da Unimed, em Campo Grande, atendeu pelo menos 988 pacientes, conforme os registros feitos pelo Ministério da Saúde. Desses, no entanto, 282 foram vítimas confirmadas de coronavírus. Em julho, a unidade registrou 37 vítimas e, no último mês, foram 26.

O Proncor, que também atende enfermos da covid, teve pelo menos 428 pacientes com sintomas de SRAG (Síndrome Reparatória Aguda Grave) no período analisado pela reportagem. Desses, 188 foram a óbito. No entanto, a redução foi pequena entre julho (22 mortes) e agosto (19).

Por fim, a Santa Casa de Campo Grande atendeu pelo menos 617 pacientes de SRAG neste ano, dos quais 276 foram a óbito, como mostra o levantamento feito pelo Campo Grande News. De julho para agosto, as mortes caíram pela metade, indo de 39 para 19.

Santa Casa de Campo Grande atende, principalmente, outros tipos de agravos, como acidentes ou queimaduras, mas ainda assim tem sido determinante para controle da pandemia (Foto: Marcos Maluf)
Santa Casa de Campo Grande atende, principalmente, outros tipos de agravos, como acidentes ou queimaduras, mas ainda assim tem sido determinante para controle da pandemia (Foto: Marcos Maluf)

No interior - O Hospital Municipal de Naviraí, município distante 366 quilômetros de Campo Grande, foi um dos que mais atendeu pacientes de covid neste ano, já que recebeu enfermos de vários municípios do sul do Estado. Além disso, teve a menor letalidade verificada entre essas unidades.

O secretário municipal de Saúde local, Márcio Figueiredo, explica que durante a pandemia, o hospital tem recebido pacientes de todo MS, e até pessoas de fora. "Pacientes não só do Cone-sul. Inclusive, recebemos até pacientes de Rondônia".

Em abril, abrimos um ambulatório de campanha, de 400 metros quadrados, com consultórios, setores específicos, em parceria com o Estado. Melhorou bastante a questão do fluxo de pacientes", explica Figueiredo.

Foram 1.099 atendimentos, como indicam os dados, dos quais 185 resultaram em mortes. A redução dos últimos dois meses foi de 11 para quatro vítimas. "Medidas de restrição de circulação de pessoas puderam contribuir para diminuir a velocidade da contaminação, diminuindo assim a quantidade de óbitos", completa.

O Hospital Nossa Senhora Auxiliadora, em Três Lagoas, também recebe pacientes de toda a região leste de Mato Grosso do Sul. Por lá, 415 pacientes foram atendidos neste ano, mas 391 foram óbito, a maior letalidade dentre os hospitais analisados.

O Hospital Regional Dr José Simone Netto, em Ponta Porã, já atendeu pelo menos 338 neste ano, dos quais 291 foram a óbito. A redução verificada no lugar que atende pacientes de vários municípios da fronteira, foi a maior dentre todas as unidades analisadas - 42 pacientes morreram de covid em julho, e seis foram vítimas no mês de agosto.

O Pronto Socorro de Corumbá, a 404 quilômetros de Campo Grande, foi a principal unidade de atendimento da covid no município que faz fronteira com a Bolívia. Por lá, 824 pessoas foram atendidas com sintomas de SRAG, sendo que 182 morreram, uma das menores letalidades verificadas.

Vale lembrar que, muito por conta do estudo imunológico que resultou em uma vacinação em massa, o município foi um dos que mais registrou redução de casos graves da pandemia.

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