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Cidades

Um dia após reportagem, preso que luta para provar inocência consegue liberdade

Advogado leu a reportagem no Campo Grande News, ficou comovido e resolveu ajudar a família que hoje vive em Pernambuco

Por Ângela Kempfer | 31/07/2020 20:00
Esposa segura foto de Alexandre; depoimento da esposa do preso emocionou o advogado de Campo Grande (Foto: Veetmano/Agência JC Mazella)
Esposa segura foto de Alexandre; depoimento da esposa do preso emocionou o advogado de Campo Grande (Foto: Veetmano/Agência JC Mazella)

O dia terminou muito bem para Alexandre Dias Bandeira. Preso há dois meses, ele ainda não sabe, mas vai voltar para casa na próxima semana. Depois de reportagem do Campo Grande News, sobre o homem que garante ser inocente, o habeas corpus foi concedido nesta sexta-feira pelo Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul.

A notícia deve chegar oficialmente na próxima segunda-feira (3) ao Cotel (Centro de Observação e Triagem Everardo Luna), em Recife (PE). Apesar da ordem de prisão ter saído de Bataguassu (MS), ele vive hoje em Pernambuco e acabou capturado 19 anos após condenação por tráfico.

"Movido pelo coração", o responsável pela liberdade não conhece Alexandre, mas depois de ler a história, resolveu ajudar. De Campo Grande, o advogado Hallysson Rodrigo e Silva Souza diz ter se emocionado com o relato de Lucilene, a esposa forte e indignada diante do que considera erro absurdo da Justiça.

Para conseguir uma entrevista sobre os motivos que o levaram a entrar na batalha travada pelo casal, foi preciso convencer o advogado, inclusive, a autorizar a divulgação do nome dele nesta reportagem. "Não tenho nenhum interesse em aparecer", justificou.

De fala tranquila, Hallysson demorou a aceitar, mas em poucas palavras definiu o ato como “dever de cidadão”. “Costumo acordar, ler os jornais nacionais e o Campo Grande News. Quando vi a história, me comovi com o relato da esposa dele, dizendo que era pobre, mas ia lutar por justiça. Não fiz nada demais. É um dever de cidadão que conhece o Direito”, diz o advogado com 20 anos de experiência, a maioria na área civil.

Ao analisar o processo, Hallysson descobriu que o crime havia prescrito, o que seria suficiente para libertar Alexandre. Depois, já em casa, ele conta que sentou em frente ao computador na noite de quinta-feira (30) e redigiu o pedido de habeas corpus, finalizado já na madrugada desta sexta. “Bastou olhar o processo originário para descobrir essa falha", revela.

Entre 7h e 16h30, quando a decisão da desembargadora Elizabete Anache foi publicada no portal do TJ, o dia foi de torcida e monitoramento. "Dei entrada pela manhã e passei o dia atualizando de hora em hora para ver se saia a decisão. Até que, felizmente saiu. Inclusive, quero elogiar a Justiça de Mato Grosso do Sul, que foi bem célere nessa questão”, comenta.

Na avaliação dele, quando estiver livre, Alexandre terá bons argumentos para reforçar a tese de que foi confundido com o real traficante procurado pela Justiça. “Realmente, há uma dúvida bem razoável no processo”, analisa em relação a autoria do crime, citando assinaturas que não batem.

Conforme a matéria da repórter Izabela Sanches também pontuou, nem sequer a foto que consta no RG anexado ao processo judicial exibe o rosto de Alexandre. A família garante que ele foi roubado em 2000 e com a carteira foram levados também os documentos, que teriam sido usados pelos criminosos na ação em Bataguassu.

“É um caso muito antigo. Hoje, os processos digitais acabaram com erros que ocorriam no passado. Também tem um pouco desse ranço existente no Brasil, de que tudo tem de ser resolvido com prisão”, afirma.

Depois de conseguir o habeas corpus, Hallysson espera que tudo seja resolvido logo, de maneira justa. “Agora só peço que vocês comuniquem a esposa dele, para ela saber que logo, logo ele vai sair e assim acalmar o coração. O importante é que essa família tenha paz”, finaliza o advogado.

Campo Grande News - Conteúdo de Verdade