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Cidades

Vereadora dá mau exemplo ao anunciar impressão de figurinhas “fake” da Copa

Parlamentar de Água Clara divulgou serviço em rede social, mas apagou os vídeos e suspendeu a comercialização

Por Anahi Zurutuza | 17/06/2026 19:21

A vereadora de Água Clara, Andreéle Marques André, conhecida como Didi Marques (PSDB), protagonizou um episódio controverso na tarde desta quarta-feira (17) ao utilizar as redes sociais para anunciar a impressão de figurinhas não oficiais do álbum da Copa do Mundo. Publicitária de formação e proprietária de uma gráfica no município de cerca de 17 mil habitantes, a parlamentar de 28 anos chegou a oferecer aos seguidores a possibilidade de completar o álbum por meio da reprodução das figurinhas.

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Vereadora de Água Clara (MS), Didi Marques (PSDB), usou as redes sociais para oferecer impressão de figurinhas não oficiais da Copa do Mundo em sua gráfica, alegando alto custo do álbum oficial. Os vídeos ficaram no ar por 40 minutos antes de serem apagados. A prática pode violar a Lei de Propriedade Industrial. Após contato da reportagem, a parlamentar confirmou a suspensão das vendas e a remoção dos conteúdos.

Nos vídeos publicados nos stories, que permaneceram no ar por aproximadamente 40 minutos antes de serem apagados, Didi afirmou que a demanda pelo serviço era alta e justificou a iniciativa pelo alto custo para completar a coleção oficial.

“Turma, a maioria aqui já sabe que eu tenho uma gráfica, que eu sou publicitária e agora a febre é o quê? Copa do Mundo. Algumas pessoas me procuraram porque é muito caro completar o álbum e estamos com essa novidade aqui na gráfica, imprimindo o álbum completo, das figurinhas, da seleção, das lendárias”, declarou.

Na sequência, a vereadora explicou que as imagens eram impressas em papel adesivo e entregues para que o próprio comprador realizasse o recorte antes de colá-las no álbum. “Compensa. Eu vi aí que é caro para completar um álbum e a magia do negócio é colar lá. A criança acaba se divertindo recortando também”, disse.

A oferta, entretanto, esbarra na legislação brasileira. A reprodução e comercialização de figurinhas vinculadas a um álbum oficial sem autorização do detentor dos direitos pode configurar violação de propriedade intelectual, marca e direitos autorais. A Lei de Propriedade Industrial (Lei nº 9.279/1996) prevê punições para quem reproduz ou comercializa produtos com marcas registradas sem autorização do titular.

Após ser procurada pela reportagem, a parlamentar confirmou que retirou o conteúdo do ar e informou que interrompeu a atividade. “Eu já apaguei os stories”, respondeu inicialmente.

Questionada se também suspenderia a impressão e a venda das figurinhas, respondeu: “Simm”. Mais tarde, reforçou a decisão. “Como eu disse, já apaguei os stories e automaticamente suspendi as vendas. Qualquer coisa me coloco à disposição”, afirmou.

Por aí – O caso ocorre em meio ao aumento da fiscalização contra a falsificação de figurinhas da Copa do Mundo em diversas regiões do país. Nos últimos meses, operações policiais apreenderam milhares de unidades produzidas sem autorização e resultaram até mesmo em prisões.

Em maio deste ano, a polícia apreendeu cerca de 200 mil figurinhas falsificadas em uma operação no Rio de Janeiro. Em outra ação, uma dupla suspeita de produzir e vender o material foi presa. Autoridades também têm identificado a comercialização clandestina pela internet, prática que pode gerar responsabilização civil e criminal.