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Campo Grande, Terça-feira, 23 de Janeiro de 2018

22/02/2014 12:23

Amamsul ataca jornal em nota e defende compra de shopping por TJ

Edivaldo Bitencourt
Compra e adaptação vai custar R$ 46 milhões aos cofres públicos (Foto: Marcos Ermínio/Arquivo)Compra e adaptação vai custar R$ 46 milhões aos cofres públicos (Foto: Marcos Ermínio/Arquivo)

Em nota paga, publicada no jornal Correio do Estado e no site do TJMS (Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul), a Amamsul (Associação dos Magistrados de MS) defende a compra do prédio do Shopping 26 de Agosto por R$ 38,870 milhões. Além disso, a entidade ataca, sem citar o nome, o Campo Grande News.

O presidente da entidade, Wilson Leite Corrêa, diz que a Amamsul decidiu se manifestar diante das “constantes ilações de determinado órgão de imprensa de Mato Grosso do Sul”. O único meio de comunicação que revelou outras opções e que mostrou que a compra não teve o aval de 16 dos 31 desembargadores, foi o Campo Grande News.

No item 5 da nota, ele cita que as reportagens “encerram graves erros materiais tendentes a incutir na sociedade falsas premissas e afetar a credibilidade do Poder Judiciário”. E cita reportagem do dia 30 de janeiro, que se baseou no decreto assinado pelo governador André Puccinelli (PMDB), de que a área desapropriada era de 4.665 metros quadrados.

“O imóvel possui área construída de mais de 13.000 m2 e foi informada na reportagem 4.665m2”, diz o presidente da Amamsul, para desacreditar a reportagem. No entanto, Corrêa não cita que o Campo Grande News publicou outras matérias explicando que o imóvel tem 13.381 em cartório, segundo o proprietário, Rubem Salim Saad. O portal também informou a versão do presidente do TJMS, desembargador Joenildo de Souza Chaves, sobre a polêmica envolvendo o assunto.

Na nota, a Amamsul também ignora uma carta, obtida com exclusividade pelo Campo Grande News, em que 16 desembargadores pedem a avaliação de outras propostas e a submissão do caso ao Tribunal Pleno. No Pará, o Tribunal de Justiça submeteu ao órgão a aprovação da compra de um prédio em processo semelhante.

“Reafirma-se, ainda que não há democracia sem imprensa livre, entretanto, a liberdade pressupõe responsabilidade,não se coadunando com o estado democrático de direito a divulgação de fatos desconformes com a realidade”, diz Wilson Leite Corrêa, sem mencionar que os fatos divulgados pelo Campo Grande News são documentos internos assinados por desembargadores e dirigentes do Tribunal de Justiça.

Joenildo de Souza Chaves vai gastar mais R$ 8 milhões para adaptar prédio (Foto: Pedro Peralta)Joenildo de Souza Chaves vai gastar mais R$ 8 milhões para adaptar prédio (Foto: Pedro Peralta)

"Melhor opção" - Assinada pelo presidente da entidade, juiz Wilson Leite Corrêa, a nota diz que o prédio do centro comercial tem “ampla acessibilidade” e está dotado de “escadas rolantes e estacionamentos, bem como está localizado em região com trânsito de várias linhas de ônibus, que facilita o acesso das pessoas mais humildes”.

Corrêa cita que o valor da indenização foi definido após “avaliações” feitas por técnicos do Poder Executivo, da empresa VCP Consultoria e Perícias e por técnicos do Crea (Conselho Regional de Engenharia e Agronomia).

No entanto, a Amamsul não cita que avaliações feitas pelo Governo do Estado e pelo TJMS apontaram que dois prédios tinham condições de receber os juizados e poderiam custar até R$ 21 milhões a menos para o Poder Judiciário, que seria a desapropriação do Hotel Campo Grande, no Centro da Capital (avaliado em R$ 21 milhões) , e o Shopping Marrakech (R$ 24,5 milhões).

Também ignora relatório assinado pelo diretor da Secretaria de Obras do Tribunal de Justiça, Reinaldo da Rosa Silveira, em que aponta que o metro quadrado da área construída seria de R$ 2.110, o que exigiria investimento de R$ 16,880 milhões.

Considerando-se o valor da desapropriação (R$ 38,870 milhões) e mais os R$ 8 milhões que serão investidos na adaptação do shopping para receber os juizados, a economia aos cofres públicos poderia chegar a R$ 29,9 milhões. Em entrevista ao jornal Correio do Estado de hoje, o presidente do TJMS, desembargador Joenildo de Souza Chaves, revela que o investimento para adaptar o centro comercial será de R$ 8 milhões.



Comprando prédios com o dinheiro dos precatórios. Uma vergonha!
 
José Carlos Silva em 22/02/2014 20:54:10
Nota zero para esta compra, como cidadãos, geradores das arrecadações, não somos, em nenhuma hipótese, obrigados a concordar com uma compra desta. REPITO, NOTA ZERO!!!
 
fernando giardino em 22/02/2014 19:59:03
Muito fraca as acusações. Aliás, não vejo nenhuma até agora. Nem o Bottura, que odeia o TJMS, se prestou a levar isso para frente.
E quanta insistência com uma carta escrita por quem não tem legitimidade? E se houvesse recusa, deveria ser direcionada ao governo, pois é o governo que desapropriou (para quem não sabe, compra é uma coisa e deve ser aprovada pelos desembargadores; já desapropriação não). De qualquer forma, apenas a titulo de curiosidade creio que o presidente poderia esclarecer sobre o conteúdo e quem realmente dos desembargadores está contra a desapropriação, pois é a única informação dúbia até agora.
 
Leonardo Duarte em 22/02/2014 17:38:48
É sempre assim. Eles se acham os donos da verdade, do direito. E doa a quem doer. Parabéns CG News pelas reportagens informativas e por não temer contra o poder da justiça.
 
Joao Batista em 22/02/2014 15:29:30
Realmente, uma tempestade num copo de água! Quem conseguir menos de 3000 o m2 no centro de campo grande uma construção nova, me avise por favor que pago a vista!
Parabéns ao Presidente do TJMS por não ter aceitado a avaliação do ex proprietário e pechinchado! Os advogados e jurisdicionados agradecem!
 
Ulisses Serrilho em 22/02/2014 15:02:13
Esta magistrados vivem no mundo da lua.
Ganham regiamente do governo, com todas regalias da corte.
Gostaria que vivessem 6 meses salários mínimos para verem como é difícil a vida de um pobre brasileiro.
Eles pensam que dinheiro dá em penca, em arvores.
Lamentável !!!
 
Alvaro Dias Rodrigheiro em 22/02/2014 15:01:35
Esse tipo de investimento prevendo o máximo de economia sem se importar com o resultado prático, deve ser aplicado na aquisição ou reforma da sua casa, onde só você manda, e ninguém vai poder dar pitaco depois. Já se utilizou dos serviços no Juizado Central? E alguma vez na sua vida, já pôs os pés no prédio do H Campo Grande, ou no Marrakech? Não dá né? Economia burra, que depois sai mais caro. Nenhum dos outros dois lugares comportam metade da demanda. Qual é a utilidade prática de uma estrutura como o Marrakech??? Quanto teria que ser investido só pra passar os cabos de dados necessários para o funcionamento do SAJ? Pensou nisso? Não. É melhor criticar, e apontar falhas que não existem. Excelente reportagem.
 
Leonardo Miguel em 22/02/2014 14:02:35
Parabéns ao Campo Grande News por rebater o ataque com argumentos e documentos, tirando a discussão da subjetividade proposta pelo órgão e devolvendo-a à racionalidade. Uma nota de uma associação do judiciário que afirma como fato dado um número já corrigido pelo jornal e omite a correção já demonstra a que veio. Ao ignorar a opção de quase 50% da corte envolvida em favor do poder hierárquico dela, também demonstra desprezo por metade dos próprios pares. Por fim, a frase que se refere a "determinado" órgão de imprensa é irresponsável à medida que incute a dúvida na população que lançará sua imaginação sobre todos e, além disto contraditória em si própria, pois se é "determinado" porque se acovardam em determinar? segue...
 
João Carlos em 22/02/2014 12:57:50
Ora, tá mais que nítido que tem autoridade levando muitos porcentos ^por dentro!!!!, e não por fora. É bom a OAB e o MPE entrarem neste mérito deste caso e não se omitirem como tëm feito até agora, pq dinheiro público está sendo novamente mau direcionado. Já teve caso de juiz do MS ser expulso por corrupção, Abre o olho sociedade.
 
Mario Lima em 22/02/2014 12:56:40
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