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Campo Grande, Quinta-feira, 14 de Dezembro de 2017

12/02/2009 14:26

Anticoncepcionais são distribuídos a partir dos 12 anos

Redação

A despeito do preconceito ou repercussão negativa que possa provocar em setores mais conservadores da sociedade, os postos de saúde da rede pública em Campo Grande oferecem métodos contraceptivos para meninas a partir de 12 anos. A medida é uma forma de prevenir a gravidez na adolescência, problema sério, com implicações sociais.

De acordo com a ginecologista e obstetra Maria Auxiliadora Budib, de 38 anos, houve um aumento no número de adolescentes entre 10 e 14 anos grávidas no Estado nos últimos anos. "Há casos de gravidez de meninas de 10 e 11 anos", lembra a médica.

Os números comprovam a necessidade de tratamento contraceptivo desde cedo. E são várias as opções.

Mas, a médica ginecologista explica que na hora de escolher o método, não é necessariamente a idade das adolescentes que determina qual o mais indicado, mas a idade com a qual tiveram a primeira menstruação.

Desta forma, somente um ano após a menarca (primeira menstruação) é que a menina pode fazer uso de anticoncepcionais. Antes disso, o método mais recomendado pela especialista é o preservativo, que além de prevenir a gravidez precoce, protege das doenças sexualmente transmissíveis.

Mesmo com os anticoncepcionais disponíveis na rede pública, a médica alerta para o fato de que as meninas menores de 14 anos precisam ir ao ginecologista acompanhadas por um responsável, para ter direito aos preservativos e instruções de uso.

A partir dessa idade é que podem ir ao médico sozinhas, para solicitar contraceptivos. "A partir dos 14 a adolescente já tem direito à confidencialidade da consulta", explica.

Quanto ao DIU (Dispositivo Intra Uterino), Maria Auxiliadora explica que é recomendado a partir dos 15 anos, porque antes 'pode trazer mais risco do que benefício'.

Na pele - Para a mãe de uma jovem, que engravidou aos 14 anos, a distribuição de contraceptivos é também uma forma de preservar a juventude das meninas.

"Na melhor parte da vida dela ela engravidou. Agora não pode sair, não pode ir para canto nenhum porque tem que cuidar do bebê", lamenta sobre a gravidez precoce da filha. Ela lembra que foi um 'choque' saber que a menina teria um filho aos 15 anos.

A jovem, por sua vez, acredita que o assunto deve ser tratado com naturalidade, porque 'cedo ou tarde' as adolescentes irão iniciar a vida sexual.

Para ela, a distribuição de anticoncepcionais na rede pública é imprescindível, pois nem todas as adolescentes têm condições de pagar pelo medicamento.

Ela conta que a gravidez veio por um descuido, e ressalta que não é fácil ter a responsabilidade de um filho com essa idade.

Mas, apesar de ter ficado grávida sem planejar, ela afirma que sabia que era possível prevenir. "Minha mãe sempre explicou que eu podia engravidar se não tomasse remédio", lembra.

Para a garota, a medida não serve de incentivo para que as meninas iniciem sua vida sexual, mas pode evitar uma série de transtornos.

"Se elas tiverem que fazer, vão fazer de qualquer forma. Independente da prevenção", avalia a jovem, que acredita que prevenir ainda é a melhor escolha.

Prevenção - Incluído no Programa Municipal de Saúde da Mulher da Sesau (Secretaria Municipal de Saúde Pública), a distribuição de contraceptivos começa desde cedo para que as adolescentes que estão iniciando a vida sexual não sejam surpreendidas por uma gravidez indesejada.

As mulheres que participam do programa de acompanhamento têm acesso a três tipos de métodos contraceptivos: oral, injetável e ao DIU (Dispositivo Intra Uterino).

"O nosso maior público de prevenção são as adolescentes", justifica a gerente técnica do Programa Municipal de Saúde da Mulher, Aleyne Lins Alves. De acordo com a médica, a medida está inserida no programa de planejamento familiar.

O esforço é baseado em dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), que apontam que um em cada cinco partos feitos no Brasil é de mãe adolescente. Segundo o instituto, o número de filhos adolescentes já corresponde a 20,5% do total dos nascimentos do país.

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