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Capital

“Agiu como um esquentadinho no trânsito”, diz promotor sobre 'Coreia'

Em entrevista exclusiva ao Campo Grande News, promotor adiantou que irá denunciar o policial rodoviário federal, Ricardo Hyun Su Moon, por homicídio doloso qualificado

Por Luana Rodrigues | 19/01/2017 17:42
 Eduardo José Rizkallah, 19ª promotoria de Justiça de Campo Grande. (Foto: Luana Rodrigues)
Eduardo José Rizkallah, 19ª promotoria de Justiça de Campo Grande. (Foto: Luana Rodrigues)

Responsável pelo caso do policial rodoviário federal Ricardo Hyun Su Moon, 47 anos, o promotor da 19ª promotoria de Justiça de Campo Grande, Eduardo José Rizkallah, não tem dúvidas de que irá denunciá-lo por homicídio doloso qualificado – quando há intenção de matar.

Em entrevista exclusiva ao Campo Grande News, Rizkallah adiantou a decisão que deve publicar entre esta sexta (19) e a próxima segunda-feira (23). Para o promotor, os documentos que constam no inquérito entregue pela Polícia Civil na semana passada, indicam que Moon abusou da autoridade policial para abordar as vítimas e numa ação desmedrada, acabou atirando contra Adriano Correia do Nascimento, 33 anos, Agnaldo Espinosa da Silva, 48 anos, e o filho dele de 17 anos.

“Ele agiu como um esquentadinho no trânsito. Se irritou com uma fechada e a tentativa da vítima, que não estava armada, de fugir dele, foi respondida com um tiro, o que mostra despreparo para a função de policial”, explicou.

Para o membro do ministério público, a prova de que o policial assumiu o risco de matar as vítimas e não agiu em legítima defesa, como vem relatando à polícia, está no laudo necroscópico feito no corpo de Adriano, além do laudo de vestígios do local do crime, que mostram a trajetória das balas que atingiram as vítimas. 

“Uma dos disparos atingiu o braço direito de Adriano a queima roupa. O que mostra que o tiro foi de perto, e que ele tentou se proteger. Ninguém que oferece risco a alguém tenta se proteger”, reforçou o promotor.

Conforme Rizkallah, um dos laudos foi retificado, e mostra que se Moon tivesse apenas o objetivo de paralisar qualquer ação das vítimas, teria atirado nos pneus do carro. No entanto, pelas marcas dos disparos no carro de Adriano, em nenhum momento, houve tentativa por parte do policial de acertar os pneus do veículo.

Sem entrar em detalhes, o promotor ainda explica que a versão de Moon de que Adriano tentou contra a vida dele, avançando com o carro, não se sustenta, já que nenhum laudo indica isto. “O que está demonstrado no inquérito é que a vítima agiu por impulso. Tentou fugir de uma agressão, sair daquela situação, e foi acertada a tiros", diz.

O promotor ainda aguarda a chegada de laudos e provas para concluir a denúncia, já que apesar de ter relatado o inquérito sobre o caso, a polícia continua investigando o crime.

Socorro às vítimas no local do crime. (Foto: Simão Nogueira)
Socorro às vítimas no local do crime. (Foto: Simão Nogueira)
Policial falando ao celular no dia em que matou o empresário com cinco tiros (Foto: Simão Nogueira)
Policial falando ao celular no dia em que matou o empresário com cinco tiros (Foto: Simão Nogueira)

Crime - Ricardo Hyun Su Moon conduzia sua Mitsubishi Pajero prata na manhã do dia 1º de janeiro, em sentido à rodoviária, onde embarcaria para Corumbá (a419km de Campo Grande), seu posto de trabalho na PRF. Após uma suposta briga de trânsito, ele atirou sete vezes contra a Hilux branca do empresário.

Nascimento, dono de dois restaurantes japoneses na cidade, morreu na hora, perdeu o controle do veículo e bateu em um poste. Um jovem de 17 anos que o acompanha foi baleado nas pernas. Outro acompanhante no veículo, Agnaldo Espinosa, 48 anos, quebrou o braço esquerdo e sofreu escoriações com a batida. Ambos foram socorridos conscientes.

O policial ficou no local do crime e chegou até a discutir com uma das vítimas, mas não foi preso na ocasião, mesmo havendo policiais militares no local. Posteriormente, ele acabou sendo indiciado em flagrante ao comparecer na delegacia com um advogado e representante da PRF. Aacabou solto dias depois.

Em seu depoimento, Moon disse que agiu em legítima defesa. Afirmou que as vítimas não o obedeceram mesmo após ele se identificar como policial, que tentaram lhe atropelar ao fugir dele e que viu um objeto escuro que poderia ser uma arma na mão de uma das vítimas.

A Polícia Civil de Campo Grande ouviu testemunhas e as duas vítimas sobreviventes, além de rastrear autores das filmagens e ligações para a Polícia Militar. Uma reprodução simulada do crime foi feita no dia 11 de janeiro para apurar as circuntâncias do que ocorreu. Moon acabou indiciado por homicídio doloso.

Moon permanecerá na carceragem na sede do Garras (Delegacia Especializada e Repressão a Roubos a Bancos, Assaltos e Sequestros), onde está preso desde o último dia 5, quando a Justiça voltou a trás de sua própria decisão inicial de conceder liberdade provisória ao acusado no dia ocorrido e acatou o pedido de prisão preventiva feito pelo MPE.

Atendendo pedido também feito pelo MPE, a Corregedoria da Polícia Militar e a Sejusp (Secretaria Estadual de Justiça e Segurança Pública) abriram inquérito para investigar se houve favorecimento a ‘Coreia’ por parte dos PMs que atenderam a ocorrência. A Corporação não se manifesta sobre o assunto.

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