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Capital

“A vida seguiu”, diz jovem acusado de matar namorada atropelada em “brincadeira”

Rafael de Souza Carrelo se emocionou diversas vezes durante interrogatório ao lembrar da vítima

Por Bruna Marques e Viviane Oliveira | 07/05/2024 09:07
Rafael de Souza Carrelo sentado no banco dos réus, na manhã desta terça-feira (7) (Foto: Viviane Oliveira)
Rafael de Souza Carrelo sentado no banco dos réus, na manhã desta terça-feira (7) (Foto: Viviane Oliveira)

Está sendo julgado nesta terça-feira (7) o acadêmico de Contabilidade Rafael de Souza Carrelo, 22 anos. Ele é acusado de atropelar e matar a namorada Mariana Vitória Vieira de Lima, 19, no dia 15 de maio de 2021. Sentado no banco dos réus do Tribunal do Júri, o jovem disse que “a vida seguiu” após a morte da moça.

Em vários momentos durante o depoimento, Rafael se emocionou e chorou ao lembrar de Mariana. O rapaz, que responde o processo em liberdade, disse ao juiz Carlos Alberto Garcete que desde a época do crime não teve mais contato com a família de Mariana, com quem namorou por quatro meses.

Ainda durante interrogatório, Rafael revelou que tentou socorrer a moça, mas foi impedido por uma pessoa que passava pelo local e parou para ajudar. O rapaz chora quando o juiz relembra que em um de seus depoimentos o jovem disse que tentou reanimar Mariana.

Questionado sobre o que está fazendo atualmente, Rafael informou que está cursando faculdade de Contabilidade e trabalhando em um escritório. “Minha vida seguiu”, disse o rapaz.

Versão do acusado - Em depoimento, Rafael relatou que os dois faziam “uma brincadeira” quando o acidente aconteceu. Primeiro, ele se pendurou no capô do Toyota Etios, que pertencia à vítima, e ela dirigiu. Depois, foi a vez de ela se agarrar ao veículo pela parte externa e ele conduzir. Os dois percorreram a Avenida Afonso Pena, mas em curva na Avenida Arquiteto Rubens Gil de Camilo, em frente ao Shopping Campo Grande, ele perdeu o controle da direção, bateu no meio-fio e passou com o carro por cima da jovem.

“Eu e ela fomos no aniversário de um amigo meu, bebemos vodca com energético e depois voltamos para a minha casa. Fomos e voltamos de Uber para a festa. Depois voltamos para a casa e fomos comer no Burguer King, para ir comer fomos com o carro dela, o lugar estava fechado e decidimos voltar. No meio do caminho, decidimos fazer essa brincadeira. Eu morava em um apartamento na Via Park, subi no carro, ela andou um pouco, depois ela subiu no capô e eu perdi o controle”, relembra.

Rafael foi preso em flagrante na manhã do dia 15 de maio de 2021, logo após o acidente (Foto: Kísie Ainoã/Arquivo)
Rafael foi preso em flagrante na manhã do dia 15 de maio de 2021, logo após o acidente (Foto: Kísie Ainoã/Arquivo)

Chorando, ele afirma que não sabe explicar a brincadeira. “Não lembro muito, só sei que eu subi e depois foi ela. Eu lembro que parei no sinal da Afonso Pena em frente ao shopping, quando o sinal abriu eu acelerei. Acho que perdi o controle na hora de trocar de marcha. Eu lembro de sair correndo para buscar ela. Desci do carro e fui ver, ela estava longe do carro. Depois que passou um carro eu pedi socorro, o mesmo carro voltou, não consegui carregar ela, ela estava pesada, queria levar ela para o hospital”, conta.

Rafael está sendo julgado pelos crimes de homicídio com dolo eventual e embriaguez. A sessão é presidida pelo juiz Carlos Alberto Garcete, presidente do 1º Tribunal do Júri. O promotor de justiça José Arturo Iunes Bobadilla Garcia é quem atua em nome do Ministério Público de Mato Grosso do Sul. A defesa do réu está a cargo do advogado Marlon Ricardo Lima Chave.

Não foram arroladas testemunhas para serem ouvidas em plenário. A mãe de Rafael está sentada na plateia acompanhando o julgamento do filho na primeira fileira de cadeiras, além dela, o pai, amigos e outros familiares do jovem estão presente na sessão. A mulher não quis conversar com a reportagem.

O padrasto da vítima também está acompanhando a sessão, a mãe preferiu não comparecer ao julgamento. Além dos familiares de Rafael e Mariana, o plenário está lotado de acadêmicos do curso de Direito.

Todas as cadeiras do plenário foram ocupadas por acadêmicos de Direito e familiares da vítima e réu (Foto: Viviane Oliveira)
Todas as cadeiras do plenário foram ocupadas por acadêmicos de Direito e familiares da vítima e réu (Foto: Viviane Oliveira)

O caso – Rafael dirigia a 88 km/h com a namorada Mariana Vitória em cima do capô do carro, quando perdeu o controle da direção. A velocidade foi revelada pelos laudos da perícia e é apontada como a causa determinante da morte da jovem de apenas 19 anos.

O laudo foi construído com base nas informações recolhidas do local do crime e em imagens do acidente. Conforme os peritos, Rafael dirigia a aproximadamente 88 km/h no momento antes de entrar na curva da Avenida Arquiteto Rubens Gil de Camilo, em frente ao Shopping Campo Grande, onde perdeu o controle da direção, derrapou na pista e bateu no meio-fio.

A jovem estava em cima do capô, foi arremessada no acidente e atropelada pelo namorado. A perícia, no entanto, não conseguiu identificar o momento em que Mariana caiu.

Mariana morreu aos 19 anos, atropelada pelo namorado, em Campo Grande (Foto: Arquivo Pessoal)
Mariana morreu aos 19 anos, atropelada pelo namorado, em Campo Grande (Foto: Arquivo Pessoal)

O laudo foi concluído no dia 30 de maio de 2021, 15 dias após o acidente e enviado ao Ministério Público no dia 23 de junho. Rafael chegou a ser preso por homicídio qualificado por feminicídio, mas em audiência de custódia a juíza Eucélia Moreira Cassal acatou os argumentos da defesa e entendeu que a morte de Mariana aconteceu durante “brincadeira” no trânsito.

No dia do acidente, Rafael fez o teste do bafômetro e o resultado deu positivo para embriaguez.

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