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Capital

Abandonada, Cidade do Natal vira "motel" e local para uso de drogas

Por Zana Zaidan | 09/10/2013 10:05

Com a proximidade do mês de dezembro, a Cidade do Natal, construída para abrigar as comemorações da data em Campo Grande, continua abandonada. O problema se agravou desde que a Prefeitura, por meio da Fundac (Fundação Municipal de Cultura) adotou o posicionamento de descartar a estrutura como espaço cultural. O local virou "motel" para desocupados e ponto para consumo de álcool e drogas. 

Hoje, são 22 chalés, uma capela e duas casas maiores (então usadas como a casa do Papai Noel) com portas e janelas quebradas e pichações. Qualquer um que vá até o local consegue, sem esforço, entrar nos espaços, e o que se vê são roupas usadas, cobertores e restos de comida, o que indica que a invasão de moradores de rua.

Latas e garrafas de bebidas alcoólicas, petrechos para uso de drogas, preservativos também demonstram a destruição da Cidade do Natal.

A estrutura nos altos da Afonso Pena, que um dia foi a Cidade do Natal, hoje está destruída (Foto: Marcos Ermínio)
A estrutura nos altos da Afonso Pena, que um dia foi a Cidade do Natal, hoje está destruída (Foto: Marcos Ermínio)

Vendedor de água de coco há 13 anos, Raimundo Fernandes viu a "Cidade do Natal" crescer e ruir com o abandono. Segundo ele, durante a noite, principalmente depois das 22 horas, carros entram na Cidade, apagam os faróis, e passam “um bom tempo lá dentro”. “E aí só Deus sabe o que estão fazendo, esses jovens”, conta. “Não tem iluminação, fica um breu isso aqui. E também não tem nenhum segurança, dá para fazer a festa lá dentro, vira um refúgio de malandros”, acrescenta.

O “elefante branco” em frente ao Parque das Nações Indígenas, ponto turístico tido como referência na Capital, é motivo de indignação para a população. “Foi investimento que saiu do nosso bolso, para, do nada, a Prefeitura anunciar que iria destruir”, reclama a empresária Desiree Spengler, 29 anos. “E acabaram nem destruindo. Fica aí, servindo de espaço para outra coisa”, em referência às visitas noturnas à Cidade.

“Toda estrutura tem potencial enorme para ser uma vila de datas comemorativas da Capital. Ao invés de ficar parado durante o ano, dando brecha para assaltantes, poderia ser uma área de lazer em ocasiões temáticas”, opina o assessor jurídico Vinicius Regis, 22 anos.

Roupas e pertences pessoais indicam a invasão nos chalés da Cidade (Foto: Marcos Ermínio)
Roupas e pertences pessoais indicam a invasão nos chalés da Cidade (Foto: Marcos Ermínio)
Há 13 anos trabalhando no Parque, Raimundo viu a Cidade ser construída e hoje vive na insegurança (Foto: Marcos Ermínio)
Há 13 anos trabalhando no Parque, Raimundo viu a Cidade ser construída e hoje vive na insegurança (Foto: Marcos Ermínio)

Abandono dos pontos turísticos - A Casa do Homem Pantaneiro, dentro do Parque das Nações, é outra obra que previa o incentivo ao lazer e cultura, e também está abandonada. Em 2006, o memorial foi orçado em R$ 600 mil pelo então governador do Estado, José Orcírio Miranda dos Santos, o Zeca do PT, em parceria com a Fundação Manoel de Barros.

O memorial é apenas um casarão no meio do parque. Alguns dos frequentadores, que caminham por ali todos os dias, nem sabem dizer o que fica ali dentro. “É muito bonito, parece uma casa de fazenda, mas sempre ficou fechado, não tem nenhuma placa, nada”, comenta Natália Guimarães, 24 anos.

As paredes, assim como as da Cidade do Natal, também foram pichadas, e algumas folhas e acumuladas mostram o vazio, mas o estado de conservação da casa é mantido. Os portões do Parque são fechados após às 22 horas e guardas fazem a ronda durante todo o dia e à noite.

O Campo Grande News entrou em contato com a assessoria de imprensa da Prefeitura sobre o destino da Cidade do Natal, mas até o fechamento desta reportagem não obteve resposta. O diretor-presidente da Fundac, Júlio Cabral, informou estar em uma reunião ao ser questionado e, sem seguida, manteve o celular desligado.

A Fundação Manoel de Barros também não respondeu se há planos para a Casa do Homem Pantaneiro voltar a funcionar.

Construída para ser ponto turístico, Casa do Pantanal fica isolada no meio do Parque das Nações (Foto: Marcos Ermínio)
Construída para ser ponto turístico, Casa do Pantanal fica isolada no meio do Parque das Nações (Foto: Marcos Ermínio)
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