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Capital

Advogada trocou 2.946 mensagens com preso que chefiava a “Sintonia dos Gravatas”

Segundo Gaeco, ela ainda orientou Tio Doni sobre uso de aplicativo de conversa mais seguro

Por Aline dos Santos | 11/04/2022 09:05
Inaiza Herradon Ferreira, advogada denunciada pelo Gaeco. (Foto: Redes Sociais)
Inaiza Herradon Ferreira, advogada denunciada pelo Gaeco. (Foto: Redes Sociais)

A investigação do Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado) sobre a “Sintonia dos Gravatas”, advogados pombos-correio de recados do PCC (Primeiro Comando da Capital), mostra que advogada trocou quase três mil mensagens em dez dias com  o “Resumo” da facção, que também ocupava posto de gerente do grupo, e ainda orientou o preso sobre uso de aplicativo mais seguro. Tudo isso apesar de celulares serem proibidos dentro do presídio.

“O afastamento do sigilo telemático do aplicativo de internet WhatsApp (extrato de mensagens), no período de 6 a 16 de agosto de 2021, comprovou que foram registrados 2.946 (dois mil e novecentos e quarenta e seis) eventos (mensagens de texto, fotografias, gravações áudios etc.) entre Inaíza Herradon Ferreira e Cristhian Thomas Vieira.”

A advogada Inaíza, 40 anos,  foi presa em 25 de março, durante a operação Courrier (termo francês para correspondência). Já Cristhian, 33 anos, também conhecido como “Tio Doni” e “Corumbá”, ostenta múltiplos processos e condenações criminais pela participação em relevantes atividades do PCC, como a execução de desafetos da organização criminosa.

Em 2019, Cristhian Thomas Vieira foi investigado na operação Yin-Yang, também do Gaeco. Ele foi condenado à pena de sete anos e seis meses por integrar a facção criminosa, exercendo função de “Resumo da Rifa”, responsável por comandar setor destinado ao levantamento de recursos mediante sorteios de “prêmios” entre integrantes do PCC. Ele estava preso na Penitenciária Estadual Masculina de Regime Fechado da Gameleira.

Tio Doni já no regime semiaberto, e Inaíza durante saída do preso para consulta médica. (Foto: Reprodução)
Tio Doni já no regime semiaberto, e Inaíza durante saída do preso para consulta médica. (Foto: Reprodução)

Conforme a investigação, Inaíza Herradon Ferreira também teria orientado "Tio Doni" a utilizar o aplicativo "Signal", mais confiável no que tange ao sigilo das conversas.

“Os extratos de mensagens também revelam que os investigados estão cautelosos com a forma de dialogar, ao passo que, não obstante o intenso contato mantido no aplicativo de mensagens, em nenhum momento havia sido observado o uso de ligações telefônicas para essa finalidade.”

Somente no dia 4 de outubro de 2021, data do apagão dos aplicativos WhatsApp, Instagram, Facebook e Messenger, houve ligação telefônica entre a advogada e Tio Doni.

Segundo informações de Agências de Inteligência que atuam no âmbito dos Presídios Federais e Estaduais, o PCC tem migrado para o App “Signal”, o mesmo citado pela advogada, que, em tese, seria mais confiável .

Na última sexta-feira (dia 8), Inaíza e Tio Doni foram denunciados por crime de obstrução à Justiça. A reportagem não conseguiu contato com as defesas dos citados.

Gaeco aponta média de 267 mensagens por dia entre advogada e preso. (Foto: Reprodução)
Gaeco aponta média de 267 mensagens por dia entre advogada e preso. (Foto: Reprodução)


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